Fazendo Justiça, programa do CNJ, é finalista em prêmio Internacional por atuação no contexto da COVID-19
Iniciativa aprovada pela ABC e executada em parceria com PNUD tem foco nos sistemas prisional e socioeducativo

O
Conselho Nacional de Justiça (CNJ)é um dos finalistas do prêmio internacional
World Justice Challenge 2021(Desafio da Justiça Global 2021, em português) por sua atuação na orientação do Poder Judiciário brasileiro no enfrentamento da COVID-19 nos sistemas prisional e socioeducativo.
A ação vem sendo executada no âmbito do programa Fazendo Justiça, parceria do CNJ com o PNUD e a Agência Brasileira de Cooperação (ABC). O programa, que atua no enfrentamento de questões estruturais no campo da privação de liberdade, vem sendo implementado desde 2019, e tem o apoio do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, por meio do Departamento Penitenciário Nacional.
“Promovendo o Estado de Direito em tempos de crise” é o tema da segunda edição do prêmio criado pela organização World Justice Project (WJP). A WJP divulgou página com os 30 projetos finalistas oriundos de diversas regiões do globo. Eles foram selecionados com base em 425 inscrições de 114 países e, segundo a organização, foram escolhidos pelo "impacto demonstrado no avanço do Estado de Direito em quatro áreas temáticas afetadas pela pandemia da COVID-19: acesso à Justiça para todos; governança responsável; direitos fundamentais e não discriminação; e anticorrupção e governo aberto”.
Um dos principais avanços que o CNJ e o Judiciário nacional obtiveram foi a aprovação e implementação da Recomendação nº 62/2020, que completa um ano em vigor. A normativa deu subsídios técnicos a magistrados e a tribunais para garantir a prestação de justiça no campo da responsabilização com respeito a normas sanitárias e garantia à saúde coletiva. Entre outros temas, o texto contempla a possibilidade de revisão de processos para decisões adequadas a cada caso, orientações para realização de audiências e outras atividades presenciais e articulações interinstitucionais para o acompanhamento das situações locais.
O documento foi considerado referência no continente americano, com reconhecimento de organizações como o Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos (ACNUDH) e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). A Resolução CIDH 01/20, por exemplo, foi inspirada na experiência brasileira, e convoca o Poder Judiciário e outros atores do sistema de Justiça de toda a região a adotar medidas similares para reduzir riscos epidemiológicos.
Sobre o prêmio
O prêmio “World Justice Challenge 2021: Promovendo o Estado de Direito em tempos de crise” é um concurso global para identificar, reconhecer e promover boas práticas e projetos e políticas de alto impacto que protegem e fazem avançar o Estado de Direito em tempos de crise, agravada com a pandemia da COVID-19. “Identificar e promover boas práticas e abordagens promissoras são essenciais para enfrentar os desafios de governança subjacentes à crise, apoiando um processo de recuperação eficaz e reconstruindo sociedades melhores, baseadas no estado de direito”, informa a página da premiação.
Justiça Presente
O Projeto de Cooperação Técnica “Fortalecimento do Monitoramento e da Fiscalização do Sistema Prisional e Socioeducativo”, o “Justiça Presente”, firmado entre a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foi lançado em janeiro de 2019 com o objetivo de buscar alternativas para os desafios do encarceramento no Brasil, oferecendo ferramentas e desenvolvendo estratégias para fortalecer o monitoramento e a fiscalização dos sistemas prisional e socioeducativo, por meio de maior controle e redução da superlotação e superpopulação nesses sistemas, informatização dos processos de execução, além de ações para a ressocialização das pessoas privadas de liberdade.
O programa tem abrangência nacional e mobiliza atores de diferentes fases do ciclo socioeducativo e penal, com enfoque nos resultados de curto e médio prazos. Ele é estruturado em quatro eixos de atuação, que vão desde a porta de entrada da pessoa privada de liberdade no sistema prisional, com atenção às superlotação e superpopulação carcerárias, até sua porta de saída. No meio do processo, são previstas ações que garantam direitos e cidadania, e soluções em tecnologia e sistemas de identificação que permitam uma radiografia do sistema carcerário do País.
Fonte: Com informações: PNUD