Carta aberta do Comitê de Ações Estratégicas e Políticas para Equidade de Gênero e suas interseccionalidades
A desvalorização, falta de reconhecimento e invisibilização das mulheres em diversos cenários mundiais impedem de vivenciarmos efetivamente a equidade de gênero, mesmo diante de diversas conquistas obtidas a partir de lutas históricas. A falta de equidade também é evidente no contexto acadêmico-científico cujas assimetrias se acentuam quanto mais se avança na carreira: 54,2% dos(das) discentes matriculados(as) na pós-graduação Stricto Sensu em 2023 eram mulheres. Elas também são a maioria dos(as) mestres(as) e doutores(as), cerca de 57% e 55%, respectivamente. Entretanto, esse quadro se inverte em relação aos docentes que são em sua maioria homens em quase todas as áreas, com exceção das ciências humanas (50% de mulheres) e da linguística, letras e artes (59% de mulheres) (Plataforma Sucupira, CAPES, 2022). Se considerarmos o recorte racial, pouco evidenciado nos estudos, os números são ainda mais alarmantes: entre docentes, bolsistas de produtividade em pesquisa do CNPq, apenas 5,8% são mulheres negras (Parent in Science, 2023. Disponível em: www.parentinscience.com/documentos). Ainda vale ressaltar que os dados informados consideram apenas o gênero binário, fato que evidencia o apagamento de outros gêneros.
Para combater essa realidade, propor estratégias e contribuir para a equidade de gênero na pós-graduação e na pesquisa brasileiras, a CAPES criou o Comitê Permanente de Ações Estratégicas e Políticas para Equidade de Gênero e suas Interseccionalidades por meio da Portaria CAPES n° 215, de 10 de julho de 2024. Este Comitê formado por diversas pesquisadoras, de várias universidades, entidades, movimentos e diretorias da CAPES, com menos de seis meses de sua criação, já se reuniu para discutir e elaborar sugestões que tenham o potencial de transformar o ambiente acadêmico, tornando-o mais justo, diverso e equânime.
Em seu primeiro encontro, o Comitê iniciou a elaboração de um documento com sugestões direcionadas às cinquenta áreas da Pós-Graduação da CAPES para a próxima Avaliação Quadrienal (2025-2029), a fim de promover a equidade, diversidade e inclusão.
Além disso, já foram definidos os eixos temáticos de trabalho, foi criada a página do comitê e suas respectivas ações e registros (Comitê Permanente de Ações Estratégicas e Políticas para Equidade de Gênero — CAPES) e estamos construindo nossa identidade visual.
O Comitê Permanente de Ações Estratégicas e Políticas para Equidade de Gênero, dentre outras atribuições, pretende ser um canal de comunicação e desenvolvimento de ações efetivas no sentido de promover a integração e construção de uma realidade em que sejam minimizadas as assimetrias vivenciadas diariamente por nós mulheres com suas interseccionalidades em todas as esferas da ciência.
Assim, no mês de março, marcado por datas tão relevantes como o dia 08 (Dia Internacional de Luta das Mulheres), o dia 14 (Assassinato de Marielle Franco) e o dia 21 (Dia Internacional contra a Discriminação Racial), convidamos a sociedade a se integrar com nosso propósito de redução das assimetrias, combate ao apagamento, ao preconceito e à discriminação sofridos pelos grupos subrepresentados nas instituições de ensino e pesquisa brasileiras. Que todas e todos possamos nos posicionar e agir de fato em prol de uma ciência inclusiva, diversa, que respeita e valoriza a pluralidade e a excelência de forma humanizada e equânime.
14/03/2025 - Carta aberta do Comitê de Ações Estratégicas e Políticas para Equidade de Gênero e suas interseccionalidades
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