Pesquisadores do INMA ministram cursos sobre Ciência Cidadã na Universidade Federal de São João del-Rei, em Minas Gerais
Iniciativa contou também com uma bioblitz para registros diurnos e noturnos da flora e da fauna

Os pesquisadores do Instituto Nacional da Mata Atlântica João Victor A. Lacerda e Laura Braga ministraram dois cursos sobre Ciência Cidadã entre os dias 13 e 17 de abril no Programa de Pós-Graduação em Ecologia da Universidade Federal de São João del-Rei, em Minas Gerais.
Os cursos “Ciência Cidadã e Biodiversidade: princípios, práticas e aplicações” e “Ciência Cidadã nas Escolas: propostas pedagógicas e didáticas” também tiveram a participação de Sheina Koffler, Janaína Dutra e Pedro Bravo, da Universidade Federal do ABC (UFABC), Isabela Seabra Lima, do Instituto Nacional de Ciência Cidadã (INCC) e Arthur Bispo, da Universidade Federal de Goiás (UFG).
“Práticas de Ciência Cidadã têm trazido benefícios diversos para a sociedade como um todo. No caso das iniciativas voltadas à biodiversidade, por exemplo, ao incluir um público cada vez mais amplo em projetos científicos, como na coleta e/ou análise de dados, a Ciência Cidadã tem aumentado a quantidade e qualidade da geração de conhecimento científico, com elevado potencial de aplicação em políticas públicas, sobretudo aquelas voltadas à conservação. Além disso, ao fazerem parte deste processo, as pessoas tendem a compreender e acreditar mais no método científico, aspecto cada vez mais caro à nossa sociedade. Por fim, a Ciência Cidadã ainda tem nos mostrado que, sim, fazer ciência pode ser divertido, enfatiza João Victor.
“Os cursos foram uma oportunidade para disseminar conceitos, princípios, práticas, metodologias e desafios da Ciência Cidadã entre os estudantes de graduação em licenciatura e bacharelado, estudantes de pós-graduação, mestres e doutores, professores do ensino básico e gestores e funcionários de Unidades de Conservação. O curso promoveu uma melhor compreensão dos participantes em relação à Ciência Cidadã e os instruiu para desenvolvimento de projetos e iniciativas de Ciência Cidadã com maior responsabilidade e ética. Foram momentos de muita troca de experiências, aprendizado e debates para o avanço de uma ciência mais democrática e transformadora”, comenta a pesquisadora Laura Braga.
A iniciativa foi financiada pelo Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG) e contou com a realização de uma Bioblitz no Refúgio Estadual de Vida Silvestre Libélulas da Serra de São José para registros diurnos e noturnos da flora e da fauna. “A Bioblitz foi especialmente importante para os gestores vislumbrarem as potencialidades das ações de Ciência Cidadã nas Unidades de Conservação e como conduzi-las com diferentes públicos”, diz a pesquisadora Laura Braga.
“Nosso objetivo era promover uma integração mais ativa entre a universidade e a sociedade, e conseguimos reunir um público bastante diversificado. Um dos principais resultados foi a criação de um projeto no iNaturalist voltado às unidades de conservação da Serra de São José, que continua em expansão e vem sendo constantemente alimentado com novos registros desde o término das atividades. A Ciência Cidadã se mostrou uma oportunidade concreta de aproximar a comunidade das nossas pesquisas e empoderar os moradores da região na prática científica”, comenta Rafael Magalhães, coordenador da Pós-Graduação em Ecologia da UFSJ.