MORROS DE SAL

Pesquisadores do INMA iniciam projeto sobre a biodiversidade dos Morros de Sal da Mata Atlântica do Espírito Santo

Iniciativa promove a capacitação de estudantes para conhecer e conservar a biodiversidade desse ecossistema capixaba

Publicado em 29/06/2026 09:10
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Área de afloramento rochoso de coloração branca, com paredões irregulares e blocos de rocha expostos. Há vegetação arbustiva e pequenas árvores ao redor da formação
Apesar de sua relevância ecológica, os Morros de Sal vêm sofrendo impactos decorrentes da ação humana

Os Morros de Sal constituem um ecossistema singular do estado do Espírito Santo, formado por solo resultante da decomposição de rochas de quartzito, um processo que dá origem a depósitos de areia branca com aspecto semelhante ao sal. Distribuídos nas regiões Centro e Sul do estado, nos municípios de Afonso Cláudio, Alfredo Chaves, Castelo, Domingos Martins, Marechal Floriano, Rio Novo do Sul, Santa Maria de Jetibá e Vargem Alta, esses ambientes apresentam elevada diversidade biológica, incluindo espécies endêmicas e ameaçadas de extinção como quaresminha-da-areia (Pleroma quartzophilum), samambaia-morcego (Oleandra quartziticola) e canelinha-da-areia (Persea quarciticola). 

“Apesar de sua relevância ecológica, os Morros de Sal vêm sofrendo impactos decorrentes da ação humana, como mineração, supressão da vegetação nativa, pastoreio e disseminação de espécies invasoras, agravados pela ausência de legislação específica voltada à sua proteção”, explica o pesquisador do Instituto Nacional da Mata Atlântica, Elton John de Lírio, coordenador do estudo.

Com o objetivo de contribuir para a ampliação do conhecimento científico e para a conservação desse ecossistema, o INMA iniciou o projeto “Do Desconhecimento à Conservação: Capacitando Jovens e a Sociedade para o Levantamento da Biodiversidade dos Morros de Sal da Mata Atlântica Capixaba”. O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (FAPES) e tem a participação de estudantes de graduação e alunos da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Ponto do Alto, em Domingos Martins. 

O estudante de Ciências Biológicas, Vagner Faller, é um dos idealizadores do estudo. 

“Esse ambiente faz parte da minha vida desde minha infância e esteve presente nos meus momentos mais importantes, tornou-se parte de quem eu sou. Os Morros de Sal exerceram profunda influência na construção da minha trajetória, inspirando meu ingresso no curso de Ciências Biológicas e despertando o desejo de compreender e estudar esse ecossistema tão singular. Entre idas e vindas por esses ecossistemas, testemunhei paisagens sendo consumidas pela mineração e por outras formas de degradação. A cada área destruída, sinto como se um pedaço de mim também desaparecesse. Mas é justamente dessa dor que nasce a força que me impulsiona a continuar lutando para que esses lugares sejam conservados e para evidenciar aos órgãos ambientais sua importância ecológica e sua singularidade. Foi desse sentimento que surgiu a ideia deste trabalho. Mais do que criar um espaço de educação ambiental, é construir um lugar capaz de revelar aquilo que, por tanto tempo, permaneceu invisível, despertando o conhecimento, o sentimento de pertencimento e o compromisso coletivo com a conservação dos Morros de Sal”.  

“Esse projeto surgiu por conta de uma proposta do aluno Vagner e foi muito interessante ele convidar a gente, porque ele foi nosso aluno. Então é muito bom para os nossos alunos verem o exemplo de alguém que passou por lá. É uma experiência única realmente. A todo o momento a gente relembra coisas de sala de aula, da Ecologia, da Botânica, da Sustentabilidade. E também traz conhecimentos que são deles, de pessoas que já moram no meio rural, que já têm esse contato com a natureza”, conta a professora de Biologia e Ciências, Sarah de Jesus Cantarino, da EEEFM Ponto do Alto. 

As expedições ocorrem no Morro de Sal da Reserva Particular de Patrimônio Natural Águia Branca, no município de Vargem Alta, que oferece apoio ao desenvolvimento das atividades do projeto.

“O projeto objetiva a capacitação dos estudantes para a realização de levantamentos de biodiversidade, o uso de armadilhas fotográficas (camera-trap) e câmeras fotográficas. Também está prevista a implantação de uma trilha interpretativa sinalizada no local de estudo, além da elaboração de produtos voltados à conservação e à difusão do conhecimento sobre a biodiversidade associada a esses ambientes”, explica a pesquisadora do INMA, Mariane Kaizer.

“Paralelamente, a iniciativa desenvolverá ações de educação ambiental e de divulgação científica, por meio da produção de conteúdos para redes sociais, minidocumentários e guias digitais das espécies registradas. A proposta busca ampliar o conhecimento sobre os Morros de Sal e fortalecer as estratégias voltadas à conservação desse ambiente singular da Mata Atlântica capixaba”, diz Elton John de Lírio.

“Participar do projeto dos Morros de Sal é importante não só para a conservação do ecossistema, mas também para a conscientização e o aprendizado sobre ele. O projeto ajuda a destacar os Morros de Sal, trazendo mais informações sobre esse ecossistema, desinvisibilizando-o. Isso é muito necessário porque os Morros de Sal ainda são muito desconhecidos. Justamente por conta desse desconhecimento é que acontecem, por exemplo, as escavações e as retiradas de areia, que são muito destrutivas e prejudiciais“, diz o estudante de ensino médio, Gustavo Pires. 
“Esse projeto me dá a oportunidade de conhecer de perto um dos ambientes naturais mais especiais do Espírito Santo, aprendendo sobre sua biodiversidade e sobre a importância de preservar esse ecossistema único. Além disso, o projeto me permite adquirir mais conhecimento e ajudar outras pessoas a conhecerem os Morros de Sal, um patrimônio natural de grande valor para o nosso estado. Acredito que, quando conhecemos melhor a natureza que nos cerca, passamos a valorizá-la e protegê-la com mais responsabilidade. Por isso, fazer parte dessa iniciativa é motivo de orgulho”, avalia a estudante de ensino médio, Júlia Caetano da Silva.
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