Dia Internacional do Fascínio pelas Plantas

Extração ilegal ameaça populações naturais de plantas da Mata Atlântica

No Dia Internacional do Fascínio pelas Plantas, botânicos alertam para o impacto da coleta ilegal de espécies

Publicado em 18/05/2026 10:17
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Área de floresta densa, com vegetação abundante em diferentes tons de verde. No centro da imagem, destaca-se um grande agrupamento de plantas de folhas longas e estreitas, crescendo sobre uma formação rochosa coberta por musgo
Espécies como o Philodendron spiritus-sancti sofrem os impactos da extração ilegal. Foto: Vagner Schaefer Faller

A Mata Atlântica abriga mais de 20 mil espécies de plantas, o que representa cerca de 35 por cento de todas as espécies vegetais conhecidas no Brasil. Cerca de oito mil espécies são endêmicas, ou seja, só existem nesse bioma. Há também plantas que só podem ser encontradas naturalmente em regiões específicas. É o caso do Philodendron spiritus-sancti, uma espécie que só existe no Espírito Santo. 

“O que chama a atenção é essa folha comprida, alongada, em formato de espada que torna essa espécie bastante diferente dos outros Philodendron e antúrios que são parentes próximos. Uma planta adulta pode ter folhas de mais de um metro de comprimento. Então são plantas bastante exuberantes, bonitas e chamativas”, explica o botânico e pesquisador do Instituto Nacional da Mata Atlântica, Paulo Minatel Gonella.  

Espécies como o Philodendron spiritus-sancti sofrem os impactos da extração ilegal. Gonella recorda que, durante a pandemia de Covid-19, a planta chegou a ser comercializada ilegalmente por valores exorbitantes. 

“Quando estava todo mundo dentro de casa querendo cultivar plantas - aquele movimento da urban jungle (florestas urbanas) - houve uma pressão muito grande sobre as populações naturais dessa espécie, que são muito pequenas e bastante restritas”. 

O aumento da oferta a partir do cultivo legal de plantas clonadas tornou a planta mais acessível. Mesmo assim, a espécie ainda sofre ameaças. 

“Apesar da planta ter se tornado mais fácil de ser adquirida, a gente ainda tem pressão sobre as populações naturais, com plantas sendo arrancadas da natureza e vendidas. Então é super importante que quem quiser adquirir uma planta dessas busque saber a origem e não incentive a extração de plantas da natureza, porque isso pode levar à extinção da espécie. 

Uma orientação que se estende à compra de qualquer espécie nativa, segundo o pesquisador. 

“Quando você está adquirindo uma planta, seja uma orquídea, bromélia, cactus e outras aráceas como a spiritus-sancti, busque sempre saber qual é a procedência e se ela foi produzida de maneira legalizada, justamente pra evitar que a gente tenha a continuidade da pressão de extração ilegal das populações naturais”, comenta Gonella. 

O Dia Internacional do Fascínio pelas Plantas, celebrado hoje, foi criado em 2012 pela Organização Europeia de Ciência das Plantas para chamar a atenção do público sobre a importância da biodiversidade vegetal para os ecossistemas. Um dia para refletir sobre a relação que temos com o meio ambiente. 

“Eu acho que o mais importante é entender que nós somos parte da natureza e que nosso papel é conservar, e não esgotar os recursos naturais. No caso das plantas ornamentais ameaçadas, isso significa combater a coleta ilegal e, ao mesmo tempo, construir caminhos para que essas espécies sejam conhecidas, cultivadas e valorizadas de forma responsável. Instituições de pesquisa, como jardins botânicos e o Instituto Nacional da Mata Atlântica, desempenham um papel estratégico nesse processo, atuando tanto na conservação das populações naturais quanto no desenvolvimento de técnicas de cultivo, propagação e manejo. Isso ajuda a reduzir a pressão sobre as populações silvestres e cria alternativas legais e sustentáveis para espécies muito procuradas por colecionadores e pelo mercado ornamental.”

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