Coleção de Invertebrados do INMA recebe mais de quatro mil besouros de 34 espécies
Animais foram coletados em Minas Gerais em estudo sobre o impacto ambiental do rompimento da Barragem de Fundão, em 2015, no município de Mariana

A Coleção de Invertebrados do Museu de Biologia Prof. Mello Leitão (Instituto Nacional da Mata Atlântica - MCTI/INMA) recebeu 4.873 besouros. Os exemplares foram coletados no monitoramento de biodiversidade das áreas de influência do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana - MG, pela empresa Ello Ambiental Consultoria, executora do estudo.
O material foi coletado em seis municípios de Minas Gerais (Barra Longa, Mariana, Ouro Preto, Ponte Nova, Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado) entre os meses de fevereiro e abril de 2025 e doado à Coleção Científica do INMA no início deste ano.
Com a doação, o INMA - que tinha 10,6 mil invertebrados em seu acervo - aumentou sua coleção de insetos em quase 50 por cento. Para a coleção de besouros, o incremento é ainda mais significativo: antes de receber a doação, o INMA possuía 1228 exemplares. Em relação às 34 espécies recebidas no depósito, apenas duas existiam no acervo.
“Toda Coleção Científica tem um papel importantíssimo para o estudo da biodiversidade. Especificamente, para a Coleção de Invertebrados do INMA, que é uma coleção incipiente, foi expressivo esse ganho de material. Ainda mais por se tratar de um material científico coletado em uma área que tem sido exaustivamente estudada após a tragédia de Fundão”, explica o entomólogo e curador da Coleção de Invertebrados do INMA, Thiago Mahlmann.
Todos os besouros recebidos pertencem à família Scarabaeidae, insetos que são facilmente coletados para avaliar a qualidade ambiental de uma região.
“Para algumas espécies, como os Scarabaeidae, relacionados a fezes de animais, inclusive humanas, um conjunto de espécies encontrado pode estar relacionado com ambientes antropizados, ou seja, um local que sofreu um grau elevado de perturbação pela presença e ação humana. Se você faz uma amostragem e só coleta exemplares de espécies associadas a ambientes antropizados, é um indício de que aquele ambiente sofreu uma perturbação que fez com que outras espécies, que deveriam estar ocorrendo lá, não estão mais ocorrendo. Por outro lado, se você fizer uma amostragem e conseguir acessar espécies mais raras ou sensíveis à perturbações humanas, você vai ter um forte indício de que aquele ambiente específico não está sofrendo tantas perturbações, ou foi capaz de voltar à condição normal, com espécies mais raras voltando a ocorrer naquela região”, explica Thiago.
A partir do recebimento, os exemplares terão que ser preparados para integrar a Coleção Científica do INMA.
“Isso envolve um protocolo meticuloso de reidratação que leva dias. Após a reidratação, esse material vai estar pronto para ser fixado em alfinetes. Depois, eles serão secos novamente e cada exemplar vai receber uma etiqueta de procedência e outra de determinação”, detalha o curador.
A etiqueta de procedência reúne as informações de coleta, como: país, estado, município, localidade, coordenadas, data, coletor e método de coleta. Já a etiqueta de determinação especifica a espécie de cada exemplar, a partir da análise de um especialista daquele grupo.
“Depois disso, os exemplares seguem para a Coleção de forma individualizada. Os indivíduos de cada espécie entram em uma caixa entomológica e a caixa é depositada em uma gaveta. De tal forma, os exemplares vão sendo organizados por gênero, tribo, subfamília, família, etc. É assim - a partir de critérios rigorosos - que se organiza uma coleção taxonômica”, descreve Thiago.
A partir da integração do material ao acervo, a Coleção de Invertebrados do INMA passa a ser predominantemente de besouros, e passa a ter, provavelmente, uma das coleções mais representativas de besouros Scarabaeidae do Vale do Rio Doce.
“Nossa coleção é uma coleção pública, ou seja, ele tem um objetivo principal que é atender ao público científico. Claro, que com critérios. Esse material vai ficar disponível para estudantes de mestrado, doutorandos e demais pesquisadores que queiram e precisem estudar esse material. Oportunamente, a gente vai disponibilizar a coleção também nas plataformas digitais GBIF e Specieslink, possibilitando a acesso à pesquisadores de todo o mundo”, completa Thiago.