COLEÇÃO

Herbário do INMA chega a 60 mil amostras de plantas em seu acervo

Exemplar coletado durante inventário florístico em Castelo (ES) marca novo capítulo de uma coleção científica iniciada há mais de sete décadas

Publicado em 05/10/2026 14:58
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Parte da exsicata número 60 mil
O exemplar de número 60.000 é da espécie Picramnia glazioviana Engl., coletado pelo botânico Vitor Manhães

O Herbário MBML, do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), alcançou a marca de 60 mil amostras incorporadas ao seu acervo. O exemplar de número 60.000 é da espécie Picramnia glazioviana Engl., coletado pelo botânico Vitor Manhães durante estudos de inventário florístico realizados em um inselbergue no município de Castelo, no Espírito Santo. 

Picramnia glazioviana Engl., da família Picramniaceae, grupo que inclui espécies de árvores, arvoretas ou arbustos, distribuídas em florestas da região Neotropical. A espécie P. glazioviana, também conhecida como café-bravo ou cafezinho-do-mato, ocorre nos biomas Mata Atlântica e Cerrado, de Pernambuco até o estado de São Paulo.

Mais do que um marco numérico, a chegada às 60 mil amostras representa o crescimento de uma coleção construída a partir de décadas de pesquisas e expedições botânicas. Cada exemplar preserva não apenas uma planta, mas também informações sobre onde e quando ela foi encontrada, permitindo que a coleta continue servindo à ciência muitos anos depois de encerrado o estudo que lhe deu origem.

“Os inventários florísticos são fundamentais para conhecermos quais espécies ocorrem em uma determinada área e documentarmos essa diversidade. Quando uma coleta é incorporada ao herbário, ela deixa de servir apenas ao projeto original e se torna um registro permanente, disponível para futuras pesquisas”, explica Vitor Manhães.

60 mil registros da biodiversidade

A principal forma de preservação em um herbário é a exsicata, uma amostra da planta prensada e seca, acompanhada por informações de coleta.

A reunião desses materiais ao longo de décadas permite aos pesquisadores identificar espécies, estudar sua distribuição geográfica, comparar registros antigos e atuais e investigar alterações na flora. Os acervos são utilizados em estudos de taxonomia, ecologia, biogeografia, genética e conservação e também podem contribuir para pesquisas sobre restauração ambiental e definição de áreas prioritárias para proteção.

“Chegar a 60 mil exemplares mostra não apenas o crescimento da coleção, mas o acúmulo de conhecimento produzido ao longo de muitas décadas. Cada amostra está associada a uma espécie, um lugar, uma data e um trabalho de pesquisa. Quando reunimos esses registros, construímos uma fonte de informações sobre a diversidade e a história da flora da Mata Atlântica”, destaca Pedro Lage Viana, curador do Herbário MBML.

O acervo do MBML possui ainda carpoteca, com frutos e sementes; xiloteca, formada por amostras de madeira; e uma coleção em meio líquido para preservação de estruturas botânicas.

Entre seus materiais de maior importância científica estão cerca de 1.570 tipos nomenclaturais — exemplares associados à descrição e aos nomes científicos das espécies e utilizados como referências por pesquisadores.

Uma coleção com mais de sete décadas

O Herbário MBML foi fundado na década de 1950 pelo naturalista Augusto Ruschi, a partir de sua coleção pessoal e de exemplares doados pela então Secretaria de Agricultura, Terras e Colonização do Espírito Santo.

Sua principal missão é dar suporte à pesquisa botânica e à produção de conhecimento sobre a Mata Atlântica, com forte representação da flora do Espírito Santo.

A coleção preserva até hoje materiais coletados por Ruschi, inclusive exemplares relacionados a espécies que ele descreveu para a ciência. O material mais antigo existente no acervo é anterior à própria fundação do herbário: foi coletado em 1905 e posteriormente doado pelo Museu Nacional.

“O herbário não é um arquivo encerrado. Ele cresce junto com a pesquisa. Novos inventários e expedições produzem materiais que passam a integrar a coleção e podem ser utilizados por outras gerações de pesquisadores”, afirma Pedro.

Além de preservar os exemplares, o MBML presta apoio à identificação de material botânico, recebe amostras-testemunho de pesquisas, atende pesquisadores e estudantes e mantém intercâmbio, empréstimos e permutas de materiais com outras coleções científicas.

Acervo cada vez mais acessível

O Herbário MBML também vem passando por um processo de modernização. Armários deslizantes adquiridos com apoio da Finep otimizaram o uso do espaço e ampliaram a capacidade de armazenamento da coleção.

A adoção do Sistema de Gerenciamento de Coleções Botânicas JABOT moderniza o gerenciamento das amostras e permite agilizar o registro, a organização, a atualização e a disponibilização dos dados do acervo.

Paralelamente, a digitalização permite que imagens e informações das amostras sejam consultadas pela internet. Dados do Herbário MBML estão disponíveis em plataformas como speciesLink, SiBBr e Herbário Virtual Reflora, possibilitando que pesquisadores de diferentes regiões consultem a coleção remotamente e reduzindo a necessidade de manuseio dos exemplares físicos.

A planta coletada em Castelo é agora o registro 60.000 dessa coleção. Como milhares de exemplares que vieram antes dela, permanecerá preservada para estudos que podem ir muito além da pesquisa que motivou sua coleta.

Sobre o Herbário MBML
O Herbário MBML integra as coleções científicas do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em Santa Teresa (ES). Criado a partir da coleção do naturalista Augusto Ruschi, reúne registros botânicos principalmente da Mata Atlântica e dá suporte a atividades de pesquisa, formação científica e conservação da biodiversidade.

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Ciência e Tecnologia
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