TAMANDUÁ-BANDEIRA

Estudo identifica áreas brasileiras climaticamente favoráveis ao tamanduá-bandeira

Pesquisadores apontam que fatores como alterações no habitat e pressão humana também são determinantes para a presença da espécie

Publicado em 01/09/2026 10:15
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Tamanduá-bandeira de perfil, com pelagem longa e escura. O animal está em uma área de vegetação rasteira e mantém o focinho próximo ao solo.
Resultados indicam que o clima da maior parte do Brasil é favorável à ocorrência da espécie, encontrada nos seis biomas brasileiros.. Foto: Alessandra Bertassoni

Um estudo sobre o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) identificou as áreas do Brasil com as condições climáticas mais favoráveis à espécie. A pesquisa analisou 5.941 ocorrências deste mamífero que se alimenta de insetos para avaliar a sua distribuição potencial no país. Os resultados indicam que o clima da maior parte do Brasil é favorável à ocorrência da espécie, encontrada nos seis biomas brasileiros. São áreas em que as temperaturas variam, normalmente, entre 15 e 36 graus, condição climática em que o tamanduá-bandeira consegue manter sua temperatura corporal com menor gasto energético. O noroeste da Amazônia, partes do Nordeste e o Sul do país são as regiões menos favoráveis. 

Ao comparar esses dados com os registros de todas as espécies de mamíferos disponíveis no Sistema Global de Informação sobre Biodiversidade (GBIF, do inglês Global Biodiversity Information Facility), os pesquisadores verificaram que as regiões com clima menos favorável não necessariamente significam ausência da espécie. 

“No noroeste da Amazônia, por exemplo, há poucos registros de mamíferos em geral, mas existem registros recentes do tamanduá-bandeira, apesar da baixa adequabilidade indicada pelo modelo. No Rio Grande do Sul, onde a espécie é considerada “Criticamente em Perigo”, registros recentes, inclusive captados por armadilhas fotográficas, indicam sua presença. No Nordeste, também existem registros históricos e atuais em áreas em que o modelo prevê baixa adequabilidade”, explica a pesquisadora do Instituto Nacional da Mata Atlântica, Alessandra Bertassoni, uma das autoras do estudo.

Para Alessandra, os registros indicam que outros fatores interferem na distribuição da espécie. 

“Encontrar registros da espécie em áreas consideradas pouco adequadas pelo modelo mostra que a distribuição do tamanduá-bandeira é mais complexa do que podemos representar apenas pelas condições climáticas. Alterações no habitat, pressão humana e outros fatores, como uso de agrotóxicos, podem determinar se o tamanduá-bandeira ocupa ou não uma área climaticamente favorável”.

O estudo aponta, ainda, regiões que podem ser prioritárias para a realização de novos  levantamentos. Áreas climaticamente favoráveis, mas pouco amostradas, podem revelar ocorrências ainda desconhecidas, enquanto registros em áreas consideradas inadequadas podem ajudar a aprimorar os modelos e compreender melhor a capacidade de adaptação da espécie.

“Para conservar uma espécie, precisamos saber onde ela está, mas também reconhecer onde ainda não temos informação suficiente. Nossos resultados ajudam justamente a indicar essas lacunas e podem orientar onde novos esforços de pesquisa serão mais importantes para aprimorar as estratégias de conservação do tamanduá-bandeira”.

O tamanduá-bandeira é um mamífero ameaçado de extinção em todo o país que desenvolve funções ecológicas essenciais. Entre elas, a espécie consome insetos - como formigas e cupins - ajudando no controle populacional e, ao buscar alimento, revolve e areja o solo, reciclando nutrientes. 

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