Notícias
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, conheça a história de mulheres inspiradoras que atuam no INMA
Representamos quase a metade da força de trabalho do Instituto Nacional da Mata Atlântica. Há muitos sotaques entre nós porque viemos de diversas regiões do país. Somos capixabas, mas também gaúchas, paranaenses, paulistas, cariocas, baianas, mineiras… Atuamos em funções como pesquisa, gestão e atividades de apoio. Mas exercemos muitos outros papéis: somos filhas, enteadas, mães, avós, esposas, noras, sogras, namoradas, irmãs, tias, amigas, colegas … Cada uma com um interesse específico, uma história única, um sonho especial, mas um ponto em comum: o orgulho de ser mulher!
Para marcar o Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo, o Instituto Nacional da Mata Atlântica compartilha com você as histórias de três colaboradoras do INMA. Alyne, Inês e Vívian falam sobre o trabalho no Instituto, os desafios e os avanços enfrentados pelas mulheres e também deixam uma mensagem inspiradora sobre a força feminina.
Conhecendo as nossas colaboradoras

- .
Alyne dos Santos Gonçalves é historiadora e curadora do Arquivo de História da Ciência do INMA. Ela é natural de Cariacica, tem 46 anos e dois filhos. Alyne é servidora pública desde 2025. Ela foi a primeira pesquisadora a tomar posse no INMA através de um concurso específico para a instituição. Desde 2018, atuava como bolsista na Instituição. Entre seus principais trabalhos está a organização de arquivos de cientistas brasileiros.

Inês Tabosa de Castro trabalha na recepção aos visitantes do Museu de Biologia Professor Mello Leitão. Ela é natural de Santa Teresa, tem 57 anos, é casada, tem dois filhos e quatro netos. Antes de ingressar no INMA, Inês atuava na área da saúde, como técnica em enfermagem e em saúde bucal. Em busca de mudança, procurou uma oportunidade de trabalho no INMA. Neste ano, também ingressou no ensino superior, na faculdade de Ciências Biológicas.

Vívian Campos de Oliveira é coordenadora substituta de Administração do INMA e trabalha no Ecoparque da Mata Atlântica “Augusto Ruschi”. Ela é natural de Juiz de Fora, MG, tem 43 anos, é casada e tem uma filha. Vívian é servidora pública desde 2013. Com formação na área de Ciências Biológicas, antes de ingressar no INMA em 2024, Vívian atuou como servidora no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, em Manaus, tanto na área da pesquisa como na área administrativa.
O trabalho no Instituto Nacional da Mata Atlântica
“Não é muito comum no Brasil que historiadores trabalhem em instituições de Ciência e Tecnologia. Geralmente, nós somos preparados para trabalhar na sala de aula. Então, trabalhar com pesquisa na área de história da ciência e história ambiental é um privilégio e um grande desafio. O fato de ser mulher é uma camada a mais nessa alegria porque, historicamente, esse espaço na Ciência e Tecnologia foi ocupado principalmente por homens”, comenta Alyne.
“Eu estou gostando muito de trabalhar aqui. Pra mim é uma coisa totalmente diferente, por eu ser da área da saúde. Eu acho que isso aqui é um paraíso. Em 2000, uma enchente devastou uma certa área no Museu. Eu, na época, não tinha dimensão de quanto o Museu era preservado, era querido. Na época eu vim pro herbário ajudar na catalogação das plantas, das sementes que haviam se perdido. Desde aquela vez, minha visão aqui no Instituto foi outra”, conta Inês.
“Atuar na área administrativa aqui no INMA é uma oportunidade, como a minha formação é na área da ciência, poder atuar com transparência, organização e, de uma forma, aproveitar, otimizar o recurso financeiro aplicado à pesquisa”, diz Vívian.
Os desafios para as mulheres
“O machismo é algo estrutural, a gente sabe disso, nós mulheres sentimos isso na pele todos os dias. Eu acho que o principal desafio é tentar desconstruir essa cultura. É muito difícil: são hábitos, expressões, comportamentos, olhares, são pensamentos que estão introjetados, que a gente internalizou ao longo de sempre porque essa cultura patriarcal, machista, impera há séculos”, aponta Alyne.
“Ser mulher, mesmo na época de hoje, é um desafio diário. A gente tem que se superar, a gente tem que acreditar em nós mesmas. Eu falo que a gente tem que ser chuva. É cair de pé e seguir o fluxo. Tem muitas coisas que querem nos barrar e, às vezes, a gente acaba desistindo. E não é o certo, não é o ideal”, aconselha Inês.
"Como mulher e mãe, o excesso de trabalho, a sobrecarga mental e a pequena rede de apoio são os maiores desafios a serem resolvidos”, elenca Vívian.
Os avanços no dia-a-dia e nas carreiras de Ciência e Tecnologia
“Existe uma preocupação maior do Estado brasileiro em desenvolver políticas públicas e um olhar diferenciado em trazer as mulheres para os espaços públicos, para as carreiras de ciência e tecnologia. Claro que isso ainda é muito incipiente. E essa conquista é fruto, principalmente, da luta da sociedade e das mulheres na sociedade, que têm brigado pelos seus espaços, pelos seus direitos”, avalia Alyne.
“Nós enquanto mulheres a gente, na verdade, nos doamos para atingirmos o que nós somos hoje. Porque, antigamente, você sabe, a mulher não tinha voz”, diz Inês.
“Hoje em dia os avanços são notáveis, há cada vez mais mulheres atuando na área de Ciência e Tecnologia, mas a gente percebe ainda uma desigualdade em termos de quantidade. E a gente luta para que isso seja, cada vez mais, reduzido”, aponta Vívian.
Uma mensagem para marcar o dia 8 de março
“Sejam livres. A gente precisa se libertar de convenções que limitam o nosso ser: de que temos que ser mães, esposas, donas de casa belas e recatadas. Esse lugar na sociedade, a gente ocupa se a gente quiser. Se não quisermos, que sejamos livres para assumir outros papéis: de cientista sem filhos, de empresária e mãe, de engenheira sem marido etc.”, deseja Alyne.
“Não desistam jamais. Façam igual eu, que aos 57 anos, estou voltando a estudar, tentando uma graduação. Que não desistam no primeiro passo, porque senão nunca vão chegar lá. E que a vida é isso, é luta. Sem luta, a gente não consegue nada”, ensina Inês.
“Eu acho que para as meninas e as crianças que vêm por aí precisa ficar bem claro que elas podem ser tudo o que elas quiserem. Que continuem lutando, tentando, que os espaços existem e que, nós mulheres, precisamos ocupá-los. E que a gente consegue. Apesar dos desafios, a gente dá conta”, finaliza Vívian.