Laboratório móvel da Funasa analisa qualidade da água em quilombo de Ubatuba
Primeira ação do projeto Saneamento Rural nos Quilombos Paulistas com unidade móvel vai realizar diagnóstico para orientar providências na comunidade de Caçandoca
A água utilizada por cerca de 85 famílias da comunidade quilombola de Caçandoca, em Ubatuba, no litoral paulista, está sendo analisada pelo projeto Saneamento Rural nos Quilombos Paulistas. Com apoio do laboratório móvel da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), a equipe investiga todas as fontes de abastecimento da comunidade para avaliar a qualidade da água destinada a consumo humano e orientar eventuais providências.
Os moradores normalmente utilizam água de córregos, fontes que chamam de “cachoeiras”. A captação e a distribuição são feitas por mangueiras, caixas-d’águas e ligações domiciliares. Segundo o levantamento da equipe, a comunidade desconfia da qualidade da água, principalmente durante as chuvas, quando ela fica mais escura e barrenta.
“O objetivo dessa campanha é a gente entender se a comunidade está correndo algum risco, consumindo água fora do padrão de potabilidade”, explica a pesquisadora Isabel Campos Salles Figueiredo, uma das responsáveis pelo projeto na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Caçandoca é a primeira comunidade visitada com a Unidade Móvel de Controle da Qualidade da Água (UMCQA) da Funasa no âmbito do projeto. A campanha segue até sexta-feira (30), com a análise de amostras de 16 fontes, entre cursos d'água, nascentes e poços. As bolsistas da Unicamp Bianca Gomes e Vanessa Mariano também participam do trabalho que conta com acompanhamento de equipe comunitária.
Resultados para a comunidade - Os moradores receberão um relatório de análise e um relatório final da ação, elaborados pela equipe do projeto. Os resultados, junto aos demais levantamentos de campo e à pesquisa bibliográfica, vão compor o diagnóstico das condições de saneamento da comunidade. “Essa etapa de diagnóstico é a primeira etapa do projeto e ela fundamenta as etapas que vêm depois”, afirma Isabel.
Caso as análises apontem desconformidades, a Funasa poderá apoiar o diálogo com a prefeitura, por meio da vigilância em saúde municipal, para que confira os dados e adote as medidas cabíveis.
“Os resultados serão compartilhados com a comunidade e, caso sejam identificados problemas, vamos orientar as providências necessárias”, afirma o superintendente estadual da Funasa em São Paulo, Adam Douglas Sebastião Pinto.
Preparação do laboratório - A unidade móvel permite processar as amostras durante a visita. Essa estrutura é especialmente importante para as análises microbiológicas, que exigem cuidados com a conservação e com o intervalo entre a coleta e o processamento. “A unidade móvel é muito importante porque ela traz para a gente a estrutura do laboratório enquanto a gente está em campo”, constata Isabel.
A preparação para a campanha incluiu atividades nos dias 22 e 23 de outubro, no Laboratório de Saneamento (Labsan) da Unicamp, com técnicos da Superintendência Estadual da Funasa em São Paulo, técnicos do próprio Labsan e apoio do chefe da Divisão de Saúde Ambiental (Disam) da Superintendência da Funasa na Bahia, Tiago Dantas.
Além do alinhamento das ações e da capacitação para uso da UMCQA, foram realizadas verificações de funcionamento e calibrações de equipamentos utilizados nas análises. O trabalho incluiu instrumentos para medir cor, turbidez, pH e cloro residual, além da verificação da estufa bacteriológica e da seladora de cartelas.
A campanha em Caçandoca também foi a primeira prevista para utilizar o filtro de membranas instalado na unidade móvel de São Paulo. O equipamento foi incorporado à estrutura para apoiar pequenos abastecimentos e atender às necessidades de água do próprio laboratório durante as atividades de campo.
Pesquisa sobre saneamento - O projeto reúne a Unicamp, a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, e a Funasa, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Além do abastecimento de água, a pesquisa abrange as condições de esgotamento sanitário, manejo de resíduos sólidos e drenagem nas comunidades quilombolas paulistas. A Funasa participa como parceira técnica nas decisões e na abordagem às comunidades, contribuindo com sua experiência em saneamento rural.
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