QUALIDADE DA ÁGUA

Filtro integra tratamento de água a laboratório móvel em SP

Equipamento adaptado à unidade da Funasa tem capacidade de fornecer cerca de 5 mil litros de água tratada por dia para uso em campanhas de campo

Publicado em 01/10/2026 16:02Modificado há um mês
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A Unidade Móvel de Controle da Qualidade da Água (UMCQA) da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em São Paulo recebeu, na quarta-feira (30), um filtro de membranas para tratamento de água durante campanhas de campo. A instalação permite associar as análises realizadas pelo laboratório móvel à produção de água tratada para pequenos abastecimentos e para uso nas atividades da própria unidade.

O equipamento foi doado pela empresa PWTech à Superintendência Estadual da Funasa em São Paulo (Suest-SP) no final de 2024. A fabricante realizou a adaptação ao laboratório móvel e concluiu os testes de instalação na ocasião. 

Segundo o superintendente estadual, Adam Douglas Sebastião Pinto, o filtro tem capacidade de produzir cerca de 5 mil litros de água por dia e pode tratar água com turbidez de até 15 NTU (Unidades Nefelométricas de Turbidez), medida relacionada à presença de partículas em suspensão.

“O equipamento produz uma quantidade de água que não é grande, mas suficiente para atender pequenos abastecimentos e a própria utilização de água pelo laboratório”, explica Adam.

Junto com o filtro, foi instalado um sistema para monitorar e informar indicadores da qualidade e da quantidade da água produzida. Os dados poderão ser verificados online, por meio de telefone celular, permitindo acompanhar os resultados, manter a rastreabilidade das informações e monitorar o volume de água produzido durante as operações.

O tamanho compacto possibilitou acomodar os equipamentos no espaço disponível na parte traseira da unidade móvel. A proposta é utilizá-los como apoio temporário ao fornecimento de água durante o trabalho das equipes, especialmente em comunidades rurais.

Comunidades quilombolas - A primeira campanha com o equipamento está prevista para o final de outubro, na comunidade quilombola de Caçandoca, em Ubatuba, no litoral paulista. A programação envolve análises dos mananciais utilizados pelos moradores e o uso do filtro para fornecer água tratada durante a permanência da equipe no local.

A atividade integra uma pesquisa sobre as condições de saneamento em comunidades quilombolas paulistas, com participação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, e da Funasa, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). 

O projeto prevê diagnóstico do abastecimento de água, do esgotamento sanitário, do manejo de resíduos sólidos e da drenagem. A Funasa participa como parceira técnica nas decisões e na abordagem às comunidades, nas questões relacionadas ao saneamento rural.

Leia também: Projeto desenvolve pesquisa em comunidades quilombolas em São Paulo

Situação de emergência - O contato da Suest-SP com a tecnologia ocorreu durante o atendimento à emergência provocada pelas chuvas e pelos deslizamentos em São Sebastião, em 2023. Na ocasião, a Funasa mobilizou o laboratório para analisar a qualidade da água na região atingida.

De acordo com Adam, um equipamento cedido pela empresa em comodato, modalidade de empréstimo gratuito, foi instalado em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) utilizada para atendimento emergencial. A equipe acompanhou a qualidade da água tratada durante cerca de um mês de operação e devolveu o filtro ao término da campanha.

Essa experiência antecedeu a doação do equipamento que agora foi adaptado à UMCQA para uso nas atividades de campo.

Como funciona o filtro - O sistema realiza o tratamento por etapas de cloração, filtração de partículas e passagem por membranas de ultrafiltração. A tecnologia é destinada ao tratamento de água doce e à produção de água para consumo humano dentro dos padrões de potabilidade previstos na Portaria GM/MS nº 888/2021 do Ministério da Saúde.

No modelo doado, a capacidade aproximada é de 5 mil litros por dia, considerando 24 horas de funcionamento. O equipamento pode operar com diferentes fontes de energia, como rede elétrica, geradores ou sistemas solares compatíveis.

A manutenção inclui a substituição de filtros e membranas, que deve ser feita quando chegar a cerca de 150 mil litros tratados, conforme a qualidade da água de entrada.

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