Data de elaboração: Outubro/2022 | Data de publicação: Outubro/2022 |
O que é o câncer de mama?
O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células da mama. Esse processo gera células anormais que se multiplicam, formando um tumor.
O diagnóstico para o câncer de mama pode incluir estratégias de detecção precoce e rastreamento. A estratégia de diagnóstico precoce contribui para a redução do estágio de apresentação do câncer e possibilidade de melhor efetividade do tratamento. São considerados sinais e sintomas suspeitos de câncer de mama e de referência urgente para a confirmação diagnóstica:
Quadro 1. Sintomas suspeitos de câncer de mama.
Qualquer nódulo mamário em mulheres com mais de 50 anos. |
Nódulo mamário em mulheres com mais de 30 anos, que persistem por mais de um ciclo menstrual. |
Nódulo mamário de consistência endurecida e fixo ou que vem aumentando de tamanho, em mulheres adultas de qualquer idade. |
Descarga papilar sanguinolenta unilateral. |
Lesão eczematosa da pele que não responde a tratamentos tópicos. |
Presença de linfadenopatia axilar. |
Aumento progressivo do tamanho da mama com a presença de sinais de edema, como pele com aspecto de casca de laranja. |
Retração na pele da mama. |
Mudança no formato do mamilo. |
Fonte: Site Conitec4
Em geral, pode ser dividido em três subgrupos biológicos, cada um dos quais tem uma influência direta nas escolhas de tratamento: aqueles que expressam o receptor de estrogênio (ER); aqueles que expressam o receptor 2 do fator de crescimento epidérmico humano (HER2); e aqueles que não expressam nenhum destes, nem o receptor de progesterona (triplo-negativo). Embora seja improvável que o câncer de mama metastático seja curado, tem havido melhorias significativas na sobrevida devido à disponibilidade de terapias sistêmicas mais eficazes, incluindo terapia endócrina no tratamento de doenças sensíveis aos hormônios1.
O câncer de mama é uma das doenças mais estudadas em Oncologia, considerado muito heterogêneo e, portanto, com diferentes abordagens em diretrizes, guidelines, e trabalhos científicos. O câncer de mama tem seu prognóstico e tratamento definidos pela localização, idade de apresentação e estadiamento, e ainda fatores de risco que levam em consideração critérios histopatológicos, biológicos e, mais recentemente, moleculares e genéticos2.
Trata-se do segundo cancer mais incidente no mundo, ficando atrás apenas do câncer de pulmão. No Brasil, o câncer de mama é o tipo mais comum de câncer entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do câncer de pele não melanoma, correspondendo a cerca de 25% dos casos novos a cada ano. Estima-se que no período de 2020 a 2022 há incidência de câncer de mama seja de aproximadamente 66.280 casos para cada ano. Esse valor corresponde a um risco estimado de 61,61 casos novos a cada 100 mil mulheres. O câncer de mama é mais frequente em mulheres mais velhas e menos de 5% dos casos são diagnosticados em mulheres abaixo dos 35 anos2.
A identificação de fatores de risco e da doença em seu estágio inicial e o encaminhamento ágil e adequado para o atendimento especializado dão à Atenção Básica um caráter essencial para um melhor resultado terapêutico e prognóstico dos casos2.
O desenvolvimento do câncer de mama está relacionado a uma combinação de fatores de risco, no entanto algumas mulheres podem ter câncer de mama mesmo sem quaisquer outros fatores de risco que conheçam8.
Existe estratégia de cuidado no Sistema Único de Saúde para tratar o câncer de mama?
Sim. O SUS oferece estratégia de cuidado que pode ser verificada nas Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas (DDT) do Carcinoma de Mama1, publicado por meio da Portaria SAS/SCTIE/MS nº 53, de 18 de abril 2019. As Diretrizes estão em fase de atualização.
A tecnologia possui registro na Anvisa?
Sim. O abemaciclibe foi registrado na Anvisa em março de 2019, sob a marca comercial Verzenios®. O medicamento é indicado em combinação com terapia endócrina para o tratamento adjuvante de pacientes adultos com câncer de mama precoce, com alto risco de recorrência, receptor hormonal positivo (HR positivo), receptor do fator de crescimento epidérmico humano 2 negativo (HER2 negativo) e linfonodo positivo. Também é indicado para o tratamento de pacientes adultos com câncer de mama avançado ou metastático, receptor hormonal positivo (HR positivo) e receptor do fator de crescimento epidérmico humano 2 negativo (HER2 negativo): em combinação com um inibidor da aromatase como terapia endócrina inicial; em combinação com fulvestranto como terapia endócrina inicial ou após terapia endócrina; como agente único, após progressão da doença após o uso de terapia endócrina e 1 ou 2 regimes quimioterápicos anteriores para doença metastática. As mulheres tratadas com a combinação de VERZENIOS mais terapia endócrina diferente de tamoxifeno devem estar em um estado de pós-menopausa antes da terapia4.
Possui genérico?
Não5.
Quais são as marcas disponíveis no mercado?
Verzenios® - comprimido revestido com 50 mg em apresentações com 30 e 60 comprimidos;
Verzenios® - comprimido revestido com 100 mg em apresentações com 30 e 60 comprimidos;
Verzenios® - comprimido revestido com 150 mg em apresentações com 30 e 60 comprimidos; e
Verzenios® - comprimido revestido com 200 mg em apresentações com 30 e 60 comprimidos.
*Medicamento disponível no mercado de acordo com a lista CMED5, de 29/08/2022, atualizada em 12/08/2022.
O medicamento está disponível na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename)?
Não, de acordo com consulta realizada à Rename6, em 29/08/2022.
Quanto custa o tratamento com o abemaciclibe?
Considerando a dose recomendada em bula de 300 mg, ao dia, em combinação com terapia endócrina para pacientes com câncer de mama precoce e câncer de mama avançado ou metastático, o custo mensal estimado para tratamento com abemaciclibe é de R$ 19.834,97 (dezenove mil, oitocentos e trinta e quatro reais e noventa e sete centavos). Já a indicação para pacientes com câncer de mama avançado ou metastático, e uso do abemaciclibe como agente único a dose recomendada é de 400 mg, ao dia, o custo mensal estimado para tratamento com abemaciclibe, nessa indicação, é de R$ 24.770,41 (vinte e quatro mil, setecentos e setenta reais e quarenta e um centavos). O valor foi calculado considerando-se o Preço Fábrica (PF) e a alíquota de 18% em relação ao ICMS do medicamento de referência, segundo a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos - CMED/Anvisa5, pois esse medicamento não consta na lista de isenção de ICMS ou com aplicação do desconto CAP.
O SUS oferece alternativas terapêuticas para tratar o câncer de mama?
Sim. O SUS disponibiliza o tratamento para o câncer de mama, conforme a DDT do Carcinoma de Mama2. Esclarece-se que para o tratamento de câncer no SUS, não há uma lista específica de medicamentos, vez que o cuidado ao paciente deve ser feito de forma integral nas Unidades de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON) ou Centros de Alta Complexidade em Oncologia (CACON). Nesses estabelecimentos de saúde, o fornecimento de medicamentos é feito via autorização de procedimento de alta complexidade (APAC), conforme os procedimentos tabelados. Assim, esses hospitais habilitados como UNACON ou CACON devem oferecer assistência especializada e integral ao paciente com câncer, atuando no diagnóstico e tratamento do paciente, sendo ressarcidos pelo gestor federal quando da realização dessa assistência, inclusive farmacêutica, de acordo com valores pré-estabelecidos na Tabela de Procedimentos do SUS.
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde - Conitec já avaliou a tecnologia para esta condição clínica em adultos?
Sim, a Conitec avaliou o abemaciclibe para o tratamento de pacientes adultas com câncer de mama avançado ou metastático com HR+ e HER2-. Durante a 103ª reunião ordinária, realizada no dia 10 de novembro de 2021, os membros da Comissão recomendaram a incorporação ao SUS dos inibidores de ciclina (abemaciclibe, palbociclibe e succinato de ribociclibe) para o tratamento do câncer de mama avançado ou metastático com HR+ e HER2-, de acordo com a assistência oncológica no SUS e as Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas do Ministério da Saúde2. Os documentos técnicos foram encaminhados ao Secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde (SCTIE/MS), que ratificou as recomendaçãos e publicou a Portaria SCTIE/MS nº 73/2021, no Diário Oficial da União (DOU) nº 229, de 07/12/2021, Seção 1, pág. 160.
O que a literatura científica relata sobre o uso dessa tecnologia para o câncer de mama?
Zhang et al7 no estudo duplo-cego, randomizado de fase 3, realizado de 2016 a 2019, com mulheres pós-menopausa, realizaram tratamento com abemaciclibe associado a anastrozol ou letrozol apresentaram sobrevida global (SG) de 56 meses; com anastrozol ou letrozol foi de 30,3 meses; com abemaciclibe associado a fulvestranto foi de 38,5 meses; e com fulvestranto foi de 7,5 meses. Foi verificada diferença significativa entre os grupos, favorecendo o grupo que realizou tratamento com abemaciclibe associado a anastrozol ou letrozol, o qual apresentou SG média superior de 25,7 meses (IC95%: 14,98 – 36,42) quando comparado ao anastrozol ou letrozol. Foi verificada diferença significativa entre os grupos, favorecendo o grupo que realizou tratamento com abemaciclibe associado a fulvestranto, com SG média superior de 31 meses (IC95%: 19,83 – 42,17) quando comparado ao fulvestranto.
Johnston et al (2019)8, no estudo denominado MONARCH 3, duplo-cego, randomizado de fase 3 com abemaciclibe mais um inibidor de aromatase não esteróide (anastrozol ou letrozol), no qual foi verificado a sobrevida livre de progressão (SLP) e a taxa de resposta objetiva (ORR) com perfil de segurança tolerável como tratamaento inicial para receptors hormonais positivos (HR+), câncer de mama avançado para fator de crescimento epidérmico negativo 2 (HER2-). Pacientes que realizaram tratamento com abemaciclibe associado a anastrozol ou letrozol apresentaram uma SLP 28,18 meses e com anastrozol ou letrozol foi 14,73 meses. Foi verificada diferença significativa entre os grupos, favorecendo o grupo que realizou tratamento com abemaciclibe associado a anastrozol ou letrozol, o qual apresentou SLP média superior de 13,45 meses (IC95%: 10,03 – 16,87).
Referências bibliográficas
1 Brasil. Ministério da Saúde. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde. Relatório de Recomendação n°. 678, de nov 2021. Abemaciclibe, palbociclibe e succinato de ribociclibe para o tratamento de pacientes adultas com câncer de mama avançado ou metastático com HR+ e HER2- [Acesso em 29 agosto 2022]. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/2021/20211207_relatorio_678_abemaciclibe_palbociclibe_ribociclibe_carcinoma_mama_final.pdf.
2 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Portaria Conjunta nº 5, de 18 de abril de 2019. Aprova as Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas do Carcinoma de Mama. [portaria na internet] Diário Oficial da União 29 abril 2019 [acesso em 29 ago 2022]; Seção 1, (44). Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/protocolos/ddt/ddt-carcinoma-de-mama_portaria-conjunta-n-5.pdf.
3 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Portaria Conjunta SAS/SCTIE/MS nº 5, de 28 de abril 2019. Aprova as Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas do Mieloma Múltiplo. [Portaria na internet]. Diário Oficial da União 29 abr 2019 [Acesso em 29 ago 2022]; Seção 1, (44). Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/portaria/2019/portariasconjuntas_sctie_sas_5_2019.pdf.
4 Verzenios. [Bula]. Brasil: Eli Lilly do Brasil Ltda.
5 Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária [homepage na internet]. Medicamentos. Câmera de Regulação do Mercado de Medicamentos. Listas de Preços de Medicamentos [Acesso em 29 agosto 2022]. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/cmed/precos.
6 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde. Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais: RENAME 2022. Brasília: Ministério da Saúde; 2022 [Acesso em 29 agosto 2022]. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/20220128_rename_2022.pdf.
7 Zhang QY, Sun T, Yin YM, Li HP, Yan M, Tong ZS, et al. MONARCH plus: abemaciclib plus endocrine therapy in women with HR+/HER2- advanced breast cancer: the multinational randomized phase III study. Ther Adv Med Oncol. 2020; 12:1758835920963925. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7586037.
8 Johnston S, Martin M, Di Leo A, Im SA, Awada A, Forrester T, et al. MONARCH 3 final PFS: a randomized study of abemaciclib as initial therapy for advanced breast cancer. NPJ Breast Cancer. 2019;5(1):5. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6336880.