“Descarbonizar os sistemas de geração de energia é fundamental”, afirma Paulo Artaxo em Simpósio da ANSN
Cientista destacou que a transição para uma economia de baixo carbono precisa vir acompanhada de informação clara à sociedade sobre os riscos e os desafios das mudanças climáticas.

“Descarbonizar todos os sistemas de geração de energia é fundamental e, além disso, comunicar-se de forma apropriada com a sociedade é essencial.” A afirmação do professor Paulo Artaxo, um dos principais cientistas brasileiros na área de mudanças climáticas, marcou a palestra magna do Simpósio Regulação Nuclear em um Mundo em Transformação, realizado pela Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), no dia 1º de outubro, no Centro Cultural da Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro.
Professor do Instituto de Física e coordenador do Centro de Estudos Amazônia Sustentável da Universidade de São Paulo (USP), Artaxo apresentou um panorama das mudanças climáticas e dos desafios da transição energética mundial, situando possíveis caminhos para o Brasil em um cenário de crescente necessidade de redução das emissões de gases de efeito estufa.
Durante a palestra “Mudanças climáticas e transição energética: para onde e como o planeta e o Brasil estão andando”, o pesquisador ressaltou que as alterações observadas no clima estão diretamente relacionadas à ação humana, especialmente à queima de combustíveis fósseis, ao desmatamento e às atividades agropecuárias.
Artaxo chamou atenção para o crescimento contínuo das emissões globais, apesar dos alertas feitos pela comunidade científica há mais de cinco décadas.
“Desde a Conferência de Estocolmo, em 1972, a ciência alerta nossos governos e a sociedade de que a emissão de gases de efeito estufa poderia ter impactos muito importantes no clima do nosso planeta. Porém, as emissões continuam aumentando ano a ano, e hoje injetamos na atmosfera terrestre cerca de 57 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa por ano”, afirmou.
Informação sem alarmismo
Ao abordar os impactos que o agravamento das mudanças climáticas pode produzir sobre populações e territórios, especialmente na região amazônica, o professor defendeu que a comunicação sobre o tema deve evitar o alarmismo, sem deixar de apresentar com clareza os riscos identificados pela ciência.
“O interesse da sociedade pelas mudanças climáticas aumentou muito na última década, e é fundamental que toda a população seja informada sobre os riscos que o atual sistema econômico acarreta à sociedade e às nossas economias”, destacou.
Para Artaxo, enfrentar o problema exigirá mudanças estruturais nos sistemas de geração de energia, acompanhadas por uma comunicação capaz de ampliar a compreensão pública sobre a transição necessária.
“Será que vai dar certo? Sim. Vamos construir um mundo onde os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável sejam os guias de uma nova sociedade com baixas emissões de carbono, alta resiliência climática e mais justa”, afirmou.
Laureado com o Planet Earth Award 2026, Paulo Artaxo é autor-líder dos três últimos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), órgão científico das Nações Unidas responsável pela avaliação do conhecimento produzido mundialmente sobre as mudanças climáticas.
Regulação em um mundo em transformação
A palestra integrou a programação do Simpósio realizado em celebração ao primeiro ano de atuação da ANSN. O encontro reuniu especialistas e representantes de diferentes instituições para discutir os desafios impostos às atividades regulatórias por transformações tecnológicas, ambientais e sociais.
Ao colocar a transição energética e as mudanças climáticas no centro da palestra magna, o evento ampliou a discussão sobre o contexto em que se inserem as decisões relacionadas à energia e à regulação nuclear, em um cenário marcado pela busca por sistemas energéticos de baixo carbono, segurança e desenvolvimento sustentável.