Reguladores discutem critérios de segurança para pequenos reatores modulares
Com participação da ANSN, reunião do MDEP debateu desafios técnicos dos SMRs e perspectivas de cooperação internacional, incluindo workshop previsto para 2027 no Brasil.

Os desafios para garantir a segurança dos reatores modulares pequenos (SMRs) e estabelecer critérios regulatórios comuns mobilizaram autoridades de cinco países, incluindo o Brasil, em reunião internacional realizada de 21 a 23 de outubro. A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) participou dos debates sobre avaliação de riscos, gerenciamento de combustível nuclear usado e novas tecnologias, que também abriram caminho para um workshop internacional previsto para 2027, no Brasil.
O encontro, realizado em formato virtual, correspondeu à 4ª reunião do Grupo de Trabalho sobre Reatores Pequenos e Médios Modulares Refrigerados a Água Leve e Instalados em Terra (LW-SMMR/LB, na sigla em inglês), vinculado ao Programa Multinacional de Avaliação de Projetos (MDEP).
O MDEP é uma iniciativa internacional de cooperação entre autoridades reguladoras nucleares, criada para compartilhar conhecimentos e experiências na avaliação de segurança de novos projetos de reatores. O programa conta com o apoio técnico da Agência de Energia Nuclear da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (NEA/OCDE) e busca aproximar práticas regulatórias, respeitando a autonomia de cada país nas decisões de licenciamento.
Criado em setembro de 2024 no âmbito do MDEP, o Grupo de Trabalho LW-SMMR/LB concentra suas atividades nos desafios de segurança associados aos projetos de reatores modulares refrigerados a água leve. Integram as discussões representantes do Brasil, da Rússia, da Turquia, da China e da Argentina, que compartilham experiências e abordagens para o aprimoramento das avaliações regulatórias.
Desafios técnicos e regulatórios
A programação abordou questões relevantes para o licenciamento e a segurança dos SMRs, incluindo o gerenciamento e o reprocessamento de combustível nuclear usado, os critérios de aceitação da Análise Probabilística de Segurança (PSA, na sigla em inglês) e o termo-fonte mecanístico (MST), empregado para estimar possíveis liberações de materiais radioativos em cenários de acidentes.
Também foram discutidas a aplicação dos princípios da Declaração de Viena sobre Segurança Nuclear e a evolução das iniciativas internacionais voltadas à avaliação de segurança dessas tecnologias.
As discussões buscam identificar desafios comuns e promover o intercâmbio de soluções técnicas entre os reguladores, contribuindo para o desenvolvimento de abordagens consistentes de avaliação de segurança, sem desconsiderar as particularidades dos sistemas regulatórios nacionais.
Brasil poderá sediar workshop internacional em 2027
Entre os próximos desdobramentos das atividades do grupo está a previsão de realização, em 2027, de um workshop internacional sobre Análise Probabilística de Segurança, que deverá ocorrer no Brasil, na nova sede da ANSN.
Para a servidora Eneida Dourado, a participação brasileira nas discussões do MDEP é importante para acompanhar a evolução dos temas regulatórios e fortalecer as competências técnicas nacionais.
“Entre as próximas atividades previstas, destaca-se a realização, em 2027, de um workshop sobre Análise Probabilística de Segurança, que poderá trazer importantes benefícios para o intercâmbio técnico e o aprimoramento das competências regulatórias”, afirmou.
O coordenador-geral de Reatores da ANSN, Daniel Palma, destacou a oportunidade de receber o encontro e de integrar um grupo internacional dedicado aos desafios regulatórios das novas tecnologias nucleares.
“É um orgulho poder oferecer nossa nova sede para sediar a reunião de 2027, bem como fazer parte desse seleto grupo de órgãos reguladores que estão se preparando para o futuro”, ressaltou.
Cooperação para fortalecer a segurança nuclear
A participação nas atividades do MDEP permite à ANSN acompanhar a evolução dos projetos de SMRs e contribuir para a construção de entendimentos técnicos compartilhados sobre questões de segurança nuclear.
O intercâmbio com autoridades reguladoras de outros países favorece a identificação de desafios, a comparação de metodologias de avaliação e o aprimoramento das práticas regulatórias brasileiras.
A iniciativa também contribui para preparar o país para os desafios associados às novas tecnologias nucleares, fortalecendo a capacidade técnica da Autoridade para avaliar projetos e assegurar que sua eventual implantação no Brasil observe os requisitos nacionais de segurança nuclear.