Palestra na ANSN destaca acolhimento e rede de apoio após um diagnóstico
Encontro promovido pela CGGP abordou saúde emocional, escuta sem julgamento e a importância de não enfrentar sozinho as mudanças provocadas pela doença.

Mais do que falar sobre prevenção, a palestra promovida nesta terça-feira (27) pela Coordenação-Geral de Gestão de Pessoas (CGGP), em alusão ao Outubro Rosa, colocou em primeiro plano uma questão que muitas vezes começa justamente depois do diagnóstico: como seguir em frente e onde encontrar apoio para atravessar esse processo.
Com o tema “Da incerteza à força: conduzindo a vida após um diagnóstico”, o encontro foi conduzido pela psicóloga clínica Solange Ferreira dos Santos, no Auditório Rex Nazaré, no Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD). A abordagem partiu da ideia de que receber um diagnóstico pode afetar diferentes dimensões da vida, da sensação de segurança aos planos para o futuro, passando pela relação com o próprio corpo, pela rotina, pelo trabalho e pelos vínculos pessoais.
Ao longo da apresentação, Solange ressaltou que a experiência do adoecimento não deve ser acompanhada pela obrigação de demonstrar força o tempo todo. Medo, insegurança e esperança podem coexistir, e o acolhimento tem papel fundamental nesse processo.

Para a palestrante, esse foi justamente o foco central do encontro. “Eu trabalho muito a questão do acolhimento e da vida após o diagnóstico: o que fazer, como agir e como lidar com tudo o que muda a partir dali”, afirmou. Segundo ela, cada pessoa recebe e elabora essas experiências de maneira própria, o que torna ainda mais importante criar espaços de escuta e reflexão.
A abordagem foi um dos aspectos mais destacados pelos participantes. Para o coordenador-geral de Gestão de Pessoas, Leonardo Bezerra, o diferencial esteve justamente em ampliar a discussão para além dos aspectos estritamente clínicos.
“Ela não se limitou à questão do câncer de mama, mas tratou também do que a pessoa faz diante de um diagnóstico, de quem cuida de quem está passando por esse processo, de como buscar ajuda e de como reagir. Esse olhar para a dimensão humana foi muito enriquecedor”, afirmou.
A importância da rede de apoio também foi ressaltada pela servidora Bianca Wendhausen, que tem formação em Psicologia. Para ela, saber estar presente e oferecer acolhimento pode fazer diferença durante o processo de diagnóstico e tratamento.
“É fundamental saber estar ao lado, oferecer apoio e praticar uma escuta ativa, sem julgamento. Ter familiares e amigos presentes, poder contar com alguém e se sentir acolhido durante esse processo faz muita diferença”, destacou.
A palestra também trouxe para o debate a necessidade de olhar para quem cuida e para os vínculos que se reorganizam após um diagnóstico. Mais do que oferecer respostas prontas, a proposta foi estimular uma escuta capaz de reconhecer que cada pessoa reage de forma diferente e que acolher também significa respeitar medos, incertezas e tempos individuais.
Qualidade de vida no trabalho
A atividade integra a agenda da CGGP voltada à promoção da qualidade de vida dos servidores. Segundo Leonardo Bezerra, a Coordenação pretende dar continuidade a iniciativas desse tipo, incluindo novas ações de conscientização e parcerias institucionais.
Entre os temas considerados prioritários estão saúde mental, bem-estar no ambiente de trabalho e a construção de espaços cada vez mais seguros e acolhedores.
“Queremos avançar em iniciativas que contribuam para a qualidade de vida no trabalho, a saúde mental e a construção de um ambiente seguro. Essas palestras também têm esse papel: provocar reflexão e ampliar o cuidado com as pessoas dentro da instituição”, afirmou.
Ao colocar o acolhimento no centro da discussão, o encontro reforçou uma mensagem que ultrapassa o Outubro Rosa: diante de um diagnóstico, cuidar também significa escutar, estar presente e permitir que ninguém precise atravessar sozinho as incertezas que acompanham esse momento.