COOPERAÇÃO INTERNACIONAL

Laboratório do IRD/ANSN obtém certificação do CTBTO para integrar sistema internacional de verificação nuclear

Reconhecimento internacional é resultado de processo de qualificação técnica e habilita unidade brasileira a atuar em uma rede altamente especializada de apoio ao Tratado.

Publicado em 08/08/2026 14:10Modificado há 2 dias
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Com a certificação, o Laboratório de Radiometria passa a integrar a rede de laboratórios de radionuclídeos que dá suporte ao Sistema Internacional de Monitoramento do CTBTO.
Com a certificação, o Laboratório de Radiometria passa a integrar a rede de laboratórios de radionuclídeos que dá suporte ao Sistema Internacional de Monitoramento do CTBTO.

O Laboratório de Radiometria do Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD/ANSN) recebeu, na sexta-feira (7), a certificação da Organização do Tratado de Banimento Completo de Testes Nucleares (CTBTO), após processo de avaliação que incluiu auditoria presencial realizada no Instituto, no Rio de Janeiro, entre 16 e 25 de junho. Com o reconhecimento, o laboratório brasileiro passa a integrar o grupo de 15 unidades certificadas, entre as 16 designadas pelo Tratado, para dar suporte ao sistema internacional responsável por verificar o cumprimento do banimento de testes nucleares.

A certificação reconhece a competência técnica do laboratório, a qualidade de suas análises e a conformidade dos procedimentos com os requisitos estabelecidos pelo CTBTO. Para obtê-la, a unidade precisou demonstrar capacidade para realizar análises de alta precisão e assegurar a confiabilidade e a rastreabilidade dos resultados.

A etapa presencial reuniu no IRD/ANSN auditores do CTBTO para avaliar todo o fluxo de trabalho do laboratório, sob a coordenação de Fernando Ribeiro, da Divisão de Radioproteção e Avaliação de Segurança (DIRAP/IRD/ANSN). A análise contemplou desde o recebimento e a preparação das amostras até a calibração dos equipamentos, a interpretação dos resultados, a elaboração dos relatórios e sua transmissão por canais seguros de comunicação, além dos procedimentos técnicos adotados em cada etapa.

Após a auditoria, a equipe do laboratório atendeu às exigências apontadas pelos avaliadores. As adequações foram posteriormente analisadas pelo CTBTO, que concluiu pelo cumprimento dos requisitos e concedeu a certificação.

Brasil no sistema internacional de verificação

Com a certificação, o Laboratório de Radiometria passa a integrar a rede de laboratórios de radionuclídeos que dá suporte ao Sistema Internacional de Monitoramento do CTBTO. Dos 16 laboratórios designados pelo Tratado em diferentes países, 15 estão atualmente certificados.

Essas unidades desempenham uma função especializada no regime internacional de verificação. Quando são necessárias análises adicionais para esclarecer ou confirmar resultados obtidos pelas estações de monitoramento de radionuclídeos, amostras podem ser encaminhadas aos laboratórios certificados para avaliações independentes e de alta precisão.

Diretor do IRD entre 2003 e 2011 e representante do Brasil no Grupo de Trabalho B do CTBTO de 1994 a 2016, Luiz Conti acompanhou por mais de duas décadas as discussões técnicas relacionadas à construção e ao aperfeiçoamento desse sistema. Para ele, a certificação representa o reconhecimento internacional de uma competência técnico-científica desenvolvida pelo país ao longo de muitos anos.

“Ter um laboratório do IRD entre esse grupo restrito de unidades certificadas representa um reconhecimento da capacidade técnica construída pelo Instituto e amplia a contribuição brasileira para o sistema internacional de verificação do Tratado”, destaca Conti.

Entre as exigências do processo está a participação em ensaios anuais de proficiência, nos quais os laboratórios precisam comprovar sua competência em análises de elevada complexidade. Segundo Conti, o rigor da avaliação está justamente na necessidade de demonstrar não apenas a capacidade analítica, mas a confiabilidade de todas as etapas envolvidas.

“Não se trata apenas de obter um bom resultado em uma análise. Todo o processo precisa atender a requisitos muito rigorosos, estar devidamente documentado e demonstrar que o laboratório é capaz de produzir resultados tecnicamente confiáveis e reproduzíveis, de acordo com os padrões estabelecidos pelo CTBTO”, explica.

Para atender a essas exigências, a equipe desenvolveu softwares específicos para as análises e a garantia da qualidade dos resultados, elaborou e revisou procedimentos técnicos e realizou análises destinadas a comprovar a capacidade do laboratório.
Conti destaca o envolvimento dos profissionais ao longo desse trabalho. “Foi necessário um grande empenho no desenvolvimento de ferramentas, na garantia da qualidade dos resultados, na redação dos procedimentos técnicos e na condução das análises. A certificação reconhece também a competência, a dedicação e o comprometimento dos servidores envolvidos nesse processo”, afirma.

Um processo iniciado em 2021

O caminho até a certificação começou em 2021, quando a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e o IRD iniciaram a preparação do laboratório para atender aos requisitos estabelecidos pelo CTBTO.

A iniciativa envolveu a qualificação da equipe e a atualização completa dos sistemas de espectrometria gama. Naquele período, a CNEN disponibilizou uma bolsa para suporte e treinamento dos profissionais, enquanto a modernização da infraestrutura contou com recursos próprios e de projetos do IRD financiados pela Finep.

Nos anos seguintes, o trabalho avançou com a elaboração dos procedimentos técnicos exigidos pelo CTBTO, o aprimoramento dos sistemas de análise e controle da qualidade e a participação nos ensaios internacionais de proficiência.

“A certificação é resultado de um grande esforço iniciado em 2021 e construído ao longo dos últimos anos. Houve investimento em equipamentos, capacitação e desenvolvimento técnico, mas, sobretudo, um trabalho continuado da equipe para alcançar os padrões exigidos internacionalmente”, ressalta Conti.

A conclusão desse percurso, agora sob a estrutura da ANSN, amplia a participação técnica brasileira no regime internacional de verificação do Tratado de Banimento Completo de Testes Nucleares e consolida a capacidade do IRD para atuar nessa área de acordo com os padrões internacionais estabelecidos pelo CTBTO.

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