Especialistas discutem impactos de novas grandezas para medir exposição à radiação
Reunião no IRD/ANSN reuniu representantes da América Latina e do Caribe para avaliar efeitos sobre dosimetria, calibração e metrologia das radiações ionizantes.

Especialistas de países da América Latina e do Caribe se reuniram, entre os dias 22 e 24 de setembro, para discutir os impactos de uma possível mudança nas grandezas utilizadas para medir a exposição à radiação externa. O encontro, realizado no Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD/ANSN), analisou as implicações do Relatório 95 da Comissão Internacional de Unidades e Medidas de Radiação (ICRU) para a dosimetria e a metrologia das radiações ionizantes.
A proposta em discussão foi elaborada em conjunto pela Comissão Internacional de Unidades e Medidas de Radiação e pela Comissão Internacional de Proteção Radiológica (ICRP) e prevê a adoção de novas grandezas operacionais para avaliação da exposição à radiação externa.
A reunião contou com representantes de países da América Latina e do Caribe e foi coordenada por Denison Santos, pesquisador do IRD/ANSN, que integrou, nos últimos cinco anos, o Comitê 2 da Comissão Internacional de Proteção Radiológica.
Entre os temas debatidos esteve a transição entre as grandezas atualmente utilizadas e aquelas propostas no Relatório 95. Uma eventual mudança poderá ter efeitos, por exemplo, sobre a calibração de dosímetros, os sistemas de dosimetria e os procedimentos adotados pelos laboratórios de metrologia das radiações ionizantes.
Ao avaliar os resultados do encontro, Denison destacou que as discussões buscaram identificar os impactos técnicos e operacionais que uma eventual adoção das novas grandezas poderia provocar especificamente nos países da região.
“Caso se decida substituir em algum momento no futuro, discutimos, especificamente para a América Latina e Caribe, quais seriam as implicações, como os sistemas de dosimetria vão funcionar e o que pode precisar ser alterado para os laboratórios de metrologia das radiações ionizantes.”
Os debates também envolveram custos, necessidades específicas dos países e possibilidades de fortalecimento da cooperação regional. Segundo Denison, as conclusões da reunião serão encaminhadas à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
“Isso tudo está sendo discutido também em termos de custo e de necessidades para a região, além da participação de todos os países com a criação de redes de cooperação. Agora, será encaminhado um documento para a AIEA, levantando todas essas questões.”