RIO INNOVATION WEEK

Especialistas defendem integração, estabilidade e políticas de longo prazo para impulsionar a inovação no Brasil

Painel reuniu representantes do governo, da academia e de instituições de pesquisa, que apontaram a articulação entre diferentes atores como condição para transformar competências em desenvolvimento tecnológico.

Publicado em 07/08/2026 19:01
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A necessidade de fortalecer a coordenação entre governo, academia, instituições de pesquisa e setor produtivo foi um dos principais consensos do painel "Novas Rotas e o Catching Up Tecnológico", realizado nesta quinta-feira (6), durante a Rio Innovation Week, no Pier Mauá, no Rio de Janeiro.

Ao longo do debate, os participantes defenderam que o Brasil reúne competências científicas, infraestrutura de pesquisa e ativos estratégicos suficientes para ampliar sua capacidade de inovação. O principal desafio, segundo eles, é construir um ambiente institucional estável, integrado e capaz de transformar esse potencial em desenvolvimento tecnológico.

O diretor-geral do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), José Roque, ressaltou que a estabilidade macroeconômica e a continuidade das políticas públicas são fundamentais para preservar competências e dar previsibilidade aos investimentos. Como exemplo, citou o Sirius, acelerador de partículas localizado em Campinas (SP), destacando que seu sucesso foi resultado da consolidação de capacidades técnicas e institucionais, e não apenas do volume de recursos investidos.

Na mesma linha, o presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Francisco Rondinelli, defendeu maior integração entre governo, academia e empresas, afirmando que o Brasil já possui competências relevantes, mas precisa de uma "argamassa" para conectar esses atores em torno da inovação. Também ressaltou que a energia nuclear deve complementar a matriz renovável brasileira.

"Nós não somos renováveis, mas somos amigáveis", brincou, ao defender seu papel na segurança energética e na transição para uma economia de baixo carbono.

O físico Luiz Davidovich, assessor da Presidência da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), avaliou que o Brasil vive um momento favorável à inovação, impulsionado pelo fortalecimento do ecossistema de startups e pelos instrumentos públicos de financiamento. Para ele, esse cenário deve ser acompanhado por estabilidade econômica e continuidade das políticas de apoio à ciência e à tecnologia.

A pesquisadora Samuraí Brito, especialista em tecnologias quânticas no Itaú Unibanco, destacou que inovação depende de cooperação e da capacidade de reter talentos no país. Segundo ela, a preparação estratégica não consiste apenas em adquirir tecnologias, mas em construir competências para tomar melhores decisões diante das incertezas inerentes aos processos de inovação.

Samuraí também defendeu maior aproximação entre empresas e pesquisadores, ampliando as oportunidades para absorção de profissionais altamente qualificados pelo setor produtivo.

Na área de formação de recursos humanos, Yuri Saporito, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ressaltou que universidades e instituições de ensino têm papel decisivo na preparação das pessoas que ocuparão posições estratégicas no sistema nacional de inovação. Para ele, além de ampliar as parcerias entre academia e indústria, é necessário fortalecer a cultura de investimento privado em pesquisa e compreender o papel complementar desempenhado pela ciência básica, pela engenharia e pela regulação ao longo do ciclo de desenvolvimento tecnológico.

Alessandro Facure afirmou que o debate demonstrou que o Brasil possui mais capacidades do que limitações para avançar tecnologicamente. Segundo ele, o país reúne vantagens estratégicas, como grandes reservas de minerais críticos e de urânio, mas ainda precisa converter esse potencial em desenvolvimento econômico e tecnológico.

"A criação da ANSN é uma demonstração de que o Estado brasileiro busca se organizar para enfrentar esses desafios e adotar medidas importantes para o desenvolvimento tecnológico do país. Precisamos construir políticas coerentes e duradouras para que o Brasil esteja preparado para aproveitar as oportunidades que surgirem", concluiu.

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