WORKSHOP NORM

ANSN e ABDAN destacam importância de administração do NORM para avanço do setor nuclear brasileiro

Alessandro Facure e Celso Cunha ressaltam oportunidade de melhor gestão dos materiais durante workshop voltado aos setores de Óleo, Gás e Mineração.

Publicado em 20/10/2026 23:51Modificado há 2 dias
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Celso Cunha e Alessandro Facure convergem quanto à importância de gestão eficiente para materiais radioativos de ocorrência natural. (Filipe Dionisi o/ANSN)
Celso Cunha e Alessandro Facure convergem quanto à importância de gestão eficiente para materiais radioativos de ocorrência natural. (Filipe Dionisi o/ANSN)

Uma melhor gestão dos materiais radioativos de ocorrência natural trará resultados positivos para a área nuclear do país: essa foi a principal mensagem deixada pela ANSN e a ABDAN, durante abertura do Workshop de NORM no setor de Óleo, Gás e Mineração.

O evento ocorre entre os dias 20 e 22 de outubro, na sede do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-RJ), no centro do Rio, e reúne representantes de diversas empresas do país ligadas aos três setores, como a Petrobras, o IBAMA, a Shell, entre outras organizações.

O presidente da ABDAN, Celso Cunha, lembrou ao público presente a parceria recente com a ANSN e outros órgãos governamentais, junto ao Gabinete de Segurança Institucional, no que concerne ao tratamento de resíduos:

“Nós estivemos num grupo de trabalho do GSI, junto com a Autoridade e mais de 20 órgãos do governo, nos últimos quatro meses, construindo todo um termo de referência para a questão de resíduos no Brasil, culminando numa política de resíduos a ser publicada, olhando todo o contexto como um ciclo fechado a ser reaproveitado.”

Celso também frisou a boa oportunidade de crescimento do setor nuclear ao redor do mundo, dentro de um contexto de conflitos entre países e consequente efeito na questão energética do planeta:

“Todos já perceberam que a energia nuclear está voltando fortemente ao mundo, primeiro pela crise energética que estamos vivendo, principalmente por conta das guerras no Irã e na Ucrânia. Com isso, a Europa teve que gastar 26 bilhões de euros a mais, somente em energia. As pessoas olham para o NORM como um problema, e nós queremos olhá-lo como uma oportunidade de negócio, e assim, a capacidade de resolvermos essas questões será muito maior.”

O mandatário da ABDAN também reafirmou a importância de tratar o NORM como um aliado, para a própria evolução da área nuclear do país:

“Em todo o mundo, somente em investimentos energéticos, nós estamos falando de um gasto de 740 bilhões de dólares. E por quê? Porque há um impulso por energia limpa, dado pela autonomia das nações, e isso é muito importante, pois quando falamos dessa autonomia e de matriz energética firme e limpa, o setor nuclear se encaixa como uma luva. O NORM se encaixa nisso: se esse mercado cresce, todo o restante vai crescer.”

O diretor-presidente da ANSN, Alessandro Facure, lembrou ao público a relevância do NORM no campo da radiologia, apesar de ser um material de origem natural:

“Esse tema de gestão de NORM consegue reunir aspectos que são extremamente importantes e diversos, como a proteção radiológica, a responsabilidade ambiental e a inovação industrial. O NORM está presente tanto na mineração quanto na indústria de óleo e gás. Como sabemos, ele é constituído de radionuclídeos de origem natural, mas isso não significa que não possua relevância radiológica.”

Facure também destacou o trabalho da ANSN na regulação destes materiais, distinguindo os tipos encontrados e a diferença de tratamento que deve ser dispensado, sem deixar de reafirmar as responsabilidades que precisam ser exercidas:

“Nós não podemos indistintamente aplicar os mesmos critérios para radionuclídeos naturais e material radioativo oriundo, por exemplo, de usinas nucleares. O grande desafio regulatório é implementar a abordagem graduada para esse tipo de avaliação e especificar mais claramente as responsabilidades. É nisso que a ANSN vem trabalhando, pois já publicamos a Resolução 14 e, posteriormente, o guia regulatório.”

Por fim, o diretor-presidente da Autoridade salientou a necessidade de mudança de tratamento do NORM daqui em diante, sem deixar de observar nenhum aspecto ao longo do ciclo do material, fazendo deste processo um movimento cada vez mais melhor:

“O nosso grande desafio é deixar de tratar a questão do NORM somente como o final de um processo e conseguir caracterizar de forma antecipada, ou seja, realizar a gestão disso durante todo o ciclo de vida, inclusive nas decisões operacionais, para que possamos lidar com toda a cadeia dos processos que envolvem o NORM de forma mais otimizada, eficiente e responsável.”

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