Alessandro Facure modera painel internacional sobre cultura de segurança, na Conferência Geral da AIEA
Debate promovido pelo FORO durante a Conferência Geral da AIEA reuniu especialistas para discutir liderança, responsabilidade compartilhada e aprendizagem com a experiência.

VIENA, Áustria - O diretor-presidente da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), Alessandro Facure, moderou, nesta quarta-feira (16), em Viena, o painel “General Debate on Safety Culture in Medical Applications”, promovido pelo Foro Ibero-Americano de Organismos Reguladores Radiológicos e Nucleares (FORO) durante a 70ª Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Participaram do debate Hildegard Vandenhave, diretora da Divisão de Segurança Radiológica, de Transporte e de Rejeitos da AIEA; Emilie Van Deventer, chefe da Unidade de Radiação e Saúde da Organização Mundial da Saúde, em Genebra; e Bernard Le Guen, diretor executivo da International Radiation Protection Association (IRPA).
Também integraram o painel Jean-Luc Lachaume, presidente da Associação dos Chefes das Autoridades Competentes de Proteção Radiológica da Europa (HERCA) e comissário da autoridade reguladora francesa ASNR; Werner Rühm, presidente da Comissão Internacional de Proteção Radiológica (ICRP); e Dietmar Georg, professor da Universidade Médica de Viena.
Na abertura, Facure destacou que a cultura de segurança se expressa diariamente nos comportamentos, nas decisões e nos valores compartilhados por profissionais de saúde, gestores e reguladores. Ele ressaltou ainda que o setor médico ocupa posição estratégica no trabalho do FORO, reunindo projetos voltados à harmonização regulatória, avaliações de segurança, inspeções, gestão de rejeitos e transporte de materiais radioativos.
Os painelistas apresentaram inicialmente suas perspectivas sobre os principais desafios para o fortalecimento da cultura de segurança nas aplicações médicas. Entre os pontos destacados estiveram a integração entre conhecimento técnico, comportamento e liderança, a relação entre segurança radiológica e segurança do paciente e a necessidade de incorporar a proteção radiológica às práticas cotidianas das instituições de saúde.
A partir dessas contribuições, Facure estruturou o debate em três eixos: liderança, responsabilidade compartilhada e aprendizagem com a experiência.
No primeiro eixo, Hildegard Vandenhave ressaltou que a liderança deve se traduzir em compromisso visível com a segurança e na criação de ambientes em que os profissionais se sintam à vontade para comunicar erros, levantar preocupações e interromper atividades quando identificarem riscos.
Jean-Luc Lachaume acrescentou que a supervisão regulatória deve ir além da verificação formal do cumprimento das normas, incluindo aspectos como clareza de responsabilidades, disponibilidade de recursos, comunicação, auditorias e melhoria contínua.
Emilie Van Deventer acrescentou que autoridades reguladoras, órgãos de saúde e gestores hospitalares precisam atuar de forma articulada, uma vez que a proteção radiológica não pode ser tratada isoladamente das demais políticas de segurança do paciente.
O segundo eixo tratou da responsabilidade compartilhada. Facure destacou que a proteção radiológica não deve ser considerada responsabilidade exclusiva dos especialistas da área, mas parte integrante das decisões de todos os profissionais envolvidos no cuidado ao paciente.
Dietmar Georg enfatizou a importância de incorporar esses valores à formação e ao desenvolvimento profissional, citando o a “magnífica educação” na Áustria, enquanto Hildegard Vandenhave destacou o papel da gestão do conhecimento e de sistemas de notificação de incidentes na disseminação de boas práticas.
Também foram apresentadas iniciativas voltadas à justificação de procedimentos de imagem e à aproximação entre reguladores e profissionais de saúde, com foco na redução de exposições desnecessárias e na melhoria da segurança dos pacientes.
No terceiro ponto, sobre aprendizagem com a experiência, os participantes discutiram como incidentes e quase acidentes podem contribuir para o aperfeiçoamento das práticas de segurança. Bernard Le Guen citou o acidente de Épinal, na França, como exemplo de evento que levou ao fortalecimento de medidas relacionadas à formação profissional, verificação de doses, garantia da qualidade e comunicação de incidentes.
Emilie Van Deventer ressaltou que o compartilhamento dessas experiências entre instituições e países permite identificar fragilidades sistêmicas e evitar a repetição de eventos semelhantes.
Ao final, os participantes convergiram sobre a importância de fortalecer uma cultura de segurança baseada em liderança, formação contínua, transparência, cooperação e aprendizagem coletiva, elementos que também podem orientar novos projetos no âmbito do FORO.