Ailton Dias destaca necessidade de avanços na gestão de rejeitos radioativos
Diretor da ANSN defende soluções para ampliar a economia circular e aprimorar a destinação de materiais durante workshop voltado aos setores de óleo, gás e mineração

A necessidade de aprimorar a gestão dos rejeitos radioativos no Brasil, com foco na redução de volumes, no reaproveitamento de materiais e em soluções seguras para a destinação final, foi um dos principais pontos destacados pela Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) no encerramento do Workshop de NORM nos setores de Óleo, Gás e Mineração, realizado entre os dias 20 e 22 de outubro, no Rio de Janeiro.
O evento, sediado no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ), reuniu representantes de empresas e instituições ligadas aos três setores, entre elas Petrobras, Shell e Ibama, para discutir desafios técnicos, regulatórios e ambientais associados aos materiais radioativos de ocorrência natural (NORM).
Responsável pela palestra de encerramento, o diretor de Instalações Nucleares e Salvaguardas da ANSN, Ailton Fernando Dias, abordou as perspectivas da economia circular no cenário brasileiro, destacando a importância de conciliar o aproveitamento de materiais com a segurança radiológica e a destinação adequada dos rejeitos.
Durante a apresentação, o diretor ressaltou os esforços desenvolvidos em parceria com a Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN) para estabelecer uma política nacional de rejeitos radioativos, diante das lacunas existentes no atual arcabouço legal.
“Eu venho trabalhando, junto com o Celso (Cunha, presidente da ABDAN), num grande esforço para que a gente tenha uma política nacional de rejeitos radioativos. Esse é um passivo que o Brasil tem, pelo menos, desde 2011, quando foi publicada a política nacional de rejeitos sólidos, que exclui os rejeitos radioativos dessa abordagem. Do ponto de vista legislativo, nós temos a Lei 10.308, de 2001, mas ela não se apresenta como uma política e impacta no final do ciclo.”
Ailton também enfatizou a importância de reduzir ao máximo a geração de rejeitos e ampliar as possibilidades de reutilização e reciclagem de materiais, sem perder de vista a necessidade de soluções para aqueles que não podem ser reaproveitados.
“Tudo o que queremos é que se gere a menor quantidade de rejeitos e que de fato tenhamos a economia circular, mas o rejeito é inevitável no final da cadeia. Por isso, estamos trabalhando duro para ter uma abordagem nacional, sempre com esse olhar de reaproveitamento, reutilização, redução de volumes e, naturalmente, uma solução para destinação final desse material para o qual não tem reaproveitamento.”
Outro desafio abordado foi a descontaminação de equipamentos e componentes industriais que apresentam materiais radioativos de ocorrência natural, especialmente aqueles cuja complexidade dificulta os procedimentos de limpeza e recuperação.
“Nós discutimos muito ao longo dos últimos anos a viabilidade de limpeza e as dificuldades que isso representa, principalmente quando falamos de instalações mais complexas contaminadas com NORM, e aí existe o problema dos dutos flexíveis, que geram um grau de desafio, enquanto outros equipamentos são de uma solução de limpeza mais fácil.”
Nesse contexto, o diretor destacou os avanços técnicos na busca por soluções capazes de ampliar a circularidade desses materiais, muitos deles de alto valor agregado, contribuindo para processos industriais mais sustentáveis.
“Nós precisamos encontrar uma solução e acredito que, tecnicamente, está se caminhando nesse sentido, para que a gente possa de fato ampliar a circularidade desse tipo de material que tem alto valor agregado e de recuperação, o que impacta na possibilidade de ter soluções mais limpas do ponto de vista industrial.”
Ao avaliar os resultados do workshop, Ailton ressaltou a importância da articulação entre órgãos reguladores, empresas e instituições do setor para enfrentar desafios que envolvem tanto a segurança quanto a viabilidade técnica e econômica da gestão desses materiais.
“O Workshop foi uma iniciativa muito boa da ABDAN, conosco e com o apoio do CREA. O tema é muito atual, e há uma demanda muito grande por soluções técnicas, por regulação e pela integração do setor. Então, o evento traz esse componente, de reunir uma centena de pessoas para discutir um tema que envolve as indústrias, e o Brasil necessita de soluções, pois tem um volume muito grande de material a ser melhor gerido e há muito recurso envolvido por parte das empresas.”