ANSN capacita novos servidores para atuação na Central Nuclear de Angra dos Reis
Curso apresentou a estrutura, o funcionamento e os procedimentos de acesso à Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto

Com o objetivo de preparar os novos servidores para as atividades regulatórias desenvolvidas na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) promoveu na quarta-feira (17) o Curso de Acesso à CNAAA para os novos servidores da ANSN, organizado pela Coordenação-Geral de Reatores (CGRE).
Realizada no Auditório Carneiro Felippe, em Botafogo, a capacitação foi conduzida por Richard Brandão, chefe da Divisão de Angra dos Reis (DIANG), e reuniu servidores aprovados no último concurso público, que passam a integrar unidades como a Divisão de Ensaios e Materiais (DIEMA), a Coordenação-Geral do Ciclo do Combustível Nuclear (CGCN) e a Coordenação-Geral de Segurança, Transporte e Rejeitos (CGSTR).
Ao longo do curso, os participantes conheceram a estrutura da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, em Angra dos Reis, onde estão localizadas as usinas Angra 1, Angra 2 e Angra 3, esta última ainda em construção, além dos escritórios da ANSN instalados na central. Também foram apresentados os procedimentos de acesso, a organização das instalações e aspectos operacionais relacionados à atuação da Autoridade no local.
Experiência operacional e extensão da vida útil
Durante a apresentação, Richard Brandão destacou as características das unidades nucleares brasileiras e explicou que Angra 1, projeto da empresa norte-americana Westinghouse, opera comercialmente há mais de quatro décadas e teve sua licença de operação renovada por mais 20 anos. Já Angra 2, de tecnologia alemã desenvolvida pela KWU, possui aproximadamente o dobro da capacidade de geração de energia da primeira unidade.
Sobre Angra 3, o chefe da DIANG lembrou que a usina recebeu autorização para construção em 2009 e iniciou suas obras no ano seguinte. Desde 2015, porém, o empreendimento permanece paralisado, mantendo apenas atividades de preservação e manutenção das estruturas já existentes.
Richard também ressaltou que o avanço tecnológico e os programas de gerenciamento do envelhecimento das instalações têm permitido ampliar com segurança a vida útil das usinas nucleares em diversos países.
“Hoje sabe-se, a partir de diversos estudos, que o prazo inicialmente previsto de 40 anos de vida útil das usinas pode ser estendido por mais 20 anos, desde que os equipamentos também tenham sua durabilidade comprovadamente prolongada. A maioria das usinas no mundo já ultrapassou esse período e opera com segurança. Nos Estados Unidos, por exemplo, algumas instalações já caminham para 80 anos de vida útil.”
Outro aspecto destacado foi a localização estratégica da central nuclear, tanto para o sistema elétrico nacional quanto para a proteção física das instalações.
“A central foi implantada em um ponto estratégico, entre os principais centros consumidores do país. Além disso, a implantação do empreendimento impulsionou importantes ações de preservação ambiental. Hoje, a vegetação densa no entorno da usina funciona como uma barreira natural que também contribui para a segurança e o controle de acesso às instalações”, explicou.