VIGILÂNCIA EM SAÚDE

Ministério da Saúde reúne estados para fortalecer a vigilância e o cuidado das micoses endêmicas e oportunistas

1ª Reunião de Pontos Focais debate a construção da linha de cuidado e a estratégia de implantação da vigilância das micoses nos estados.

Publicado em 24/09/2026 11:45
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Pessoas sentadas conversando
1ª Reunião de Pontos Focais Estaduais da Vigilância de Micoses Endêmicas e Oportunistas

Com a meta de qualificar a assistência e vigilância, o Ministério da Saúde iniciou, nesta terça-feira (22), a 1ª Reunião de Pontos Focais Estaduais da Vigilância de Micoses Endêmicas e Oportunistas. O encontro, promovido pela Coordenação-Geral de Vigilância da Tuberculose, Micoses Endêmicas e Micobactérias Não Tuberculosas (CGTM), vinculada ao Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi/SVSA), reuniu gestores(as) de todo o país.

O objetivo central do evento foi pactuar prioridades, discutir a rede laboratorial e diagnóstica e acelerar a implantação de linhas de cuidado nos territórios estaduais. A mobilização marca um avanço importante nas políticas públicas voltadas a essas doenças, associando a oferta de medicamentos, o aperfeiçoamento da vigilância epidemiológica e a qualificação dos(as) profissionais da rede básica e especializada.

Durante a mesa de abertura, o diretor do Dathi, Draurio Barreira, ressaltou que a resposta efetiva contra as micoses é crucial para frear a mortalidade em pessoas vivendo com aids, especialmente por meio da aceleração do Circuito Rápido de Aids Avançada. "Os dados mostram que tivemos uma queda da mortalidade de aids, graças também à luta contra as micoses. Queremos garantir que nenhuma pessoa morra por doenças evitáveis", ressaltou o diretor.

Por sua vez, a coordenadora-geral da CGTM, Fernanda Dockhorn abordou os desafios clínicos e operacionais na condução dos casos, pontuando que cada micose demanda abordagens singulares de diagnóstico e conduta terapêutica. "Sabemos que para as micoses existem vários desafios, pois cada uma tem sua particularidade e afeta diferentes grupos populacionais. Nosso objetivo é discutir as melhores estratégias para retirar as micoses do lugar de doenças negligenciadas", explicou a coordenadora.

Ações estratégicas do Ministério da Saúde na resposta às micoses

Durante o evento, o Ministério da Saúde apresentou as iniciativas que estão sendo desenvolvidas para a melhoria da resposta brasileira a essas doenças. Entre as ações está a criação do sistema de registro de casos e gestão de antifúngicos para o tratamento de micoses endêmicas e oportunista (Micosis Site-TB). A plataforma informatizada integra as equipes de vigilância, atenção à saúde e assistência farmacêutica, permitindo o registro de casos, o monitoramento contínuo das pessoas afetadas e a organização das solicitações e dispensações de antifúngicos estratégicos distribuídos pelo governo federal. A expectativa é que o sistema subsidie o planejamento regional com evidências epidemiológicas sólidas geradas em cada território.

O fortalecimento da vigilância contempla ainda outras medidas como a inclusão da esporotricose humana na lista de notificação compulsória, a formalização do Comitê Técnico Assessor em Micoses Endêmicas e Oportunistas, a incorporação de novos testes rápidos e medicamentos na rede pública e a disponibilização de qualificações gratuitas em formato de ensino a distância pelo Ambiente Virtual de Aprendizagem do SUS (Avasus).

Micoses endêmicas

As micoses endêmicas são infecções provocadas por fungos cujas formas infectantes frequentemente mantêm relação direta com o meio ambiente, como condições do solo, clima, umidade e vegetação. Essas enfermidades podem se manifestar de formas variadas: desde quadros superficiais e cutâneos até micoses subcutâneas ou de implantação, originadas geralmente pela inoculação do fungo através de traumas na pele com espinhos, farpas ou contato com matéria orgânica em decomposição.

Há também as micoses sistêmicas, adquiridas pela inalação de partículas fúngicas no ambiente, provocando lesões pulmonares e disseminação para outros órgãos, como a paracoccidioidomicose e a histoplasmose. Por outro lado, as micoses oportunistas atingem com maior frequência pessoas com comprometimento imunológico, gerando quadros graves quando não detectadas oportunamente. Por apresentarem alto potencial incapacitante e risco elevado de mortes prematuras, seu enfrentamento tornou-se uma prioridade na agenda de saúde pública.

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Saúde e Vigilância Sanitária
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