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Operação Amazônia Azul vai entrar em nova fase

2ª fase da operação será voltada a ações de manutenção e controle
Publicado em 29/11/2019 20h59
Operação Amazônia Azul vai entrar em nova fase

Foto: GAA

Desde o dia 2 de setembro até agora, 4,7 mil toneladas de resíduos de óleo foram recolhidas do litoral brasileiro. O dado foi divulgado nesta sexta-feira (29) pelo Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), formado pela Marinha do Brasil (MB), Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). As manchas de óleo atingiram, em algum momento neste período, 803 localidades no país.

Nas últimas semanas o aparecimento de manchas de óleo em praias foi reduzido, seguindo uma tendência de estabilização. 99% das ocorrências registradas na semana passada, por exemplo, correspondem a pequenas porções de óleo, de acordo com os dados do grupo.

“O que percebemos é que basicamente o que toca a praia são vestígios e indícios. Hoje a quantidade que toca a praia é muito pequena, o que leva o GAA a afirmar que estamos vivendo um período de estabilização. Acreditamos que a situação seja de estabilidade, mas ainda existem focos que podem exigir trabalho nessa fase de manutenção”, explicou o coordenador do GAA, o almirante de esquadra Marcelo Francisco Campos.

Reorganização da Operação Amazônia Azul

Com a estabilização e consequente mudança no perfil do problema, as ações da Operação Amazônia Azul – Mar Limpo é Vida foram reorganizadas em três fases.

Coletiva sobre a operação Amazônia Azul. Foto: EBC

A primeira, que teve como foco a remediação e a mitigação dos vestígios de óleo, será encerrada no dia 20 de dezembro, quando terá início a segunda fase com ações de manutenção e controle conduzidas por equipes locais. No início de 2020 começará a terceira fase, com ações de monitoramento

Outra mudança é a transferência do comando do GAA de Brasília para o Rio de Janeiro. Com isso, as embarcações e aeronaves pertencentes às Forças Armadas voltarão às suas bases, com as do Rio de Janeiro permanecendo de prontidão, em condições de serem empregadas caso haja necessidade.

Resíduos

De acordo com o coordenador de atendimento e acidentes do Ibama, Marcelo Amorim, o resíduo de óleo recolhido nas praias é armazenado inicialmente em locais temporários indicados pelo município. A etapa seguinte é o recolhimento pelo Estado para dar uma destinação final, que pode ser um aterro sanitário que possa receber esse tipo de resíduo.

“Estados que não tiveram condições de dar esse encaminhamento, o GAA contribuiu contactando cimenteiras. Atualmente, a grande maioria desses produtos está indo para cimenteiras”, detalhou o coordenador Marcelo Amorim. As cimenteiras utilizam o produto para fabricar cimento.

Investigação

O coordenador do GAA, Marcelo Campos, disse que as investigações continuam a cargo da Polícia Federal e da Marinha, onde está aberto um inquérito administrativo. “Estamos envidando todos os esforços para chegar à origem desse derramamento. E, com certeza, vamos chegar. É uma questão de tempo, a investigação tem um tempo próprio. Não sei se vai ser amanhã, ou depois, mas vamos chegar”, afirmou.

Segundo ele, foi descartada a hipótese de vazamento de óleo de poço de petróleo por meio de acidente geológico ou rachadura. A Marinha analisa se há ocorrência de naufrágio de navios na região no passado, mas a hipótese mais provável é mesmo a de que o óleo tenha vazado de uma embarcação em trânsito.

Desde o dia 2 de setembro, o governo atua na limpeza das praias, monitoramento, apuração de responsabilidades e minimização dos danos das manchas de óleo.