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Wildfire

Espécies de plantas podem ajudar a evitar grandes queimadas

Resistência às chamas foi discutida na sétima edição da Conferência Internacional sobre Incêndios Florestais
publicado 01/11/2019 20h49, última modificação 07/11/2019 12h05
Espécies de plantas podem ajudar a evitar grandes queimadas

Você já ouviu falar sobre plantas de baixa inflamabilidade? São espécies que, em comparação com outras, demoram mais tempo para pegar fogo. Por essa característica, podem ser utilizadas como barreiras verdes para deter a propagação de incêndios nas matas. Essa resistência às chamas foi discutida na sétima edição da Conferência Internacional sobre Incêndios Florestais (Wildfire), em Campo Grande (MS). 

sargento do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, Michel Aquino de Souza

O sargento do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), Michel Aquino de Souza, explicou como as plantas de baixa inflamabilidade podem ser usadas nas florestas. “Elas devem ser plantadas ao lado de estradas e aceiros, protegendo a vegetação nativa; e no entorno de casas ou outras estruturas que fiquem próximas de vegetação. Em geral, essas plantas têm grande quantidade de água e não propagam facilmente as chamas, como a árvore Gomeira, o arbusto Bate-caixa e a erva Pinheirinho. São espécies nativas, que podem ser utilizadas em barreiras verdes nas unidades de conservação do Cerrado, como concluí na pesquisa", ressaltou. 

Ele ainda destacou como as ações preventivas podem melhorar as condições climáticas e a qualidade de vida no planeta.  “As barreiras verdes com plantas de baixa inflamabilidade têm uma relevante contribuição na proteção contra incêndios e na silvicultura preventiva. Com a prevenção, temos uma diminuição das áreas queimadas e, consequentemente, redução de todos os impactos negativos, como poluição atmosférica, doenças respiratórias, e intoxicações com gases tóxicos provenientes dos incêndios”, acrescentou o sargento, que também é professor do Colégio Militar Dom Pedro II, em Brasília (DF)

Impacto na Saúde

doutor em saúde pública e tecnologista do Ministério da Saúde Gustavo SouzaSegundo o doutor em saúde pública e tecnologista do Ministério da Saúde Gustavo Souza, problemas ambientais têm reflexos na área de saúde. Gustavo também participou da Wildfire 2019 e compartilhou os desafios do Sistema Único de Saúde (SUS) relacionados às queimadas florestais. Para o especialista, é importante o envolvimento de todos os entes para que se chegue a um cenário cada vez mais positivo. 

“Todos os problemas ambientais têm impacto na saúde. À medida que ocorre o aumento da queima, a população fica mais exposta à fumaça, prejudicando não só a saúde, mas o cenário econômico e social”, alertou. “Nesses casos, por exemplo, o trabalhador precisará se afastar do trabalho e a criança ficará fora da escola”, exemplificou Gustavo Souza. 

Contribuição da sociedade


O cuidado com as florestas é de todos, e os cidadãos podem contribuir com pequenas ações.

“Cada um deve se conscientizar de que nem todo fogo representa uma ação criminosa. Em geral, os incêndios são causados pela ação humana ou por omissão das pessoas. Nesse sentido, ao nos depararmos com alguém que intenciona atear fogo em lixo, restos de poda ou terrenos baldios, devemos abordar essa pessoa e explicar os riscos e consequências de sua ação”, orientou o bombeiro Michel Aquino de Souza. 

“Caso o produtor rural ou agricultor familiar necessite fazer uso do fogo em sua propriedade  para fins de cultivo agrícola, deve procurar os órgãos ambientais da sua região e obter uma licença para queima controlada, com todo um aparato que garanta segurança. Dessa forma, não se perderá o controle do fogo sobre o Cerrado, as matas e as florestas”, concluiu Michel.