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Educação Básica

Ministério da Educação avalia resultado do Pisa 2018 e apresenta ações para melhoria da educação brasileira

Medidas tomadas, em oito meses de governo, impactam diretamente os resultados nos próximos anos
Publicado em 03/12/2019 18h42
Ministério da Educação avalia resultado do Pisa 2018 e apresenta ações para melhoria da educação brasileira

Coletiva de imprensa sobre o Pisa 2018. Foto: Luís Fortes/MEC

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, declarou, nesta terça-feira (03), que o governo vem trabalhando para melhorar a educação no Brasil e, que os investimentos feitos nos outros anos não refletiram nos números do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), maior estudo sobre educação do mundo. Resultados do Pisa mostram que que o Brasil tem baixa proficiência em Leitura, Matemática e Ciências, se comparado com outros 78 países que participaram da avaliação

“Estamos com o mesmo desempenho estatisticamente desde 2009. Não houve progresso a despeito dos recursos que foram investidos porque a técnica é ruim, o formato que estávamos fazendo era ruim”, observou Weintraub.

 E para mudar essa realidade, o governo vem trabalhando com diversas medidas, entre elas, a Política Nacional de Alfabetização, o aumento da oferta de vagas de ensino médio em tempo integral além da expansão das escolas cívico-militares e do ensino técnico.

“A gente começa mudar isso com livro didático, com técnicas diferentes, com métodos diferentes que foram feitos, apresentados, discutidos e começaremos implementar isso no Brasil inteiro via internet com treinamento e capacitação para os professores brasileiros”, afirmou Abraham Weintraub.

Na avaliação do presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Alexandre Lopes, as políticas educacionais do passado não produziram efeitos e é preciso dar instrumentos pra que a realidade dos jovens mude. “Acho que temos que revisar tudo que foi feito. Se continuarmos com as mesas práticas que foram feitas nos últimos 20, 30 anos, vamos continuar em último”, declarou o presidente do Inep.

Pisa 2018

O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2018, divulgado mundialmente nesta terça-feira (03) revelou que 68,1% dos estudantes brasileiros com 15 anos de idade não têm nível básico de matemática quando comparado com outros 78 países que participam da avaliação.

Em ciências, o número chega a 55%, e, em leitura, 50%. Os dados revelam uma situação onde os estudantes são incapazes de compreender textos, resolver cálculos e questões científicas simples e rotineiras. Os índices do Brasil estão estagnados desde 2009.

O Pisa é coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). É o maior estudo sobre educação do mundo realizado a cada três anos para mensurar até que ponto os jovens de 15 anos adquiriram conhecimentos e habilidades fundamentais para a vida social e econômica. Em 2018, um total de 79 países e 600 mil estudantes participaram do teste. 597 escolas públicas e privadas no Brasil com 100.961 estudantes escolhidos de forma amostral de um total de 2 milhões de estudantes.

Ao comparar os números do Brasil com os dos países da América do Sul avaliados pelo Pisa, o Brasil é pior país em matemática empatado estatisticamente com a Argentina, com 384 e 379 pontos, respectivamente. Em ciências também ficou em último lugar, junto com os vizinhos Argentina e Peru, com empate de 404 pontos. No caso da leitura, o Brasil é o segundo pior do ranking sul-americano com 413 pontos, atrás apenas da Colômbia (412).

Se comparado à média dos países da OCDE, o Brasil também apresenta resultados ruins nas três áreas avaliadas. Em leitura, a média da OCDE é de 487 pontos e o Brasil obteve 413, o que deixa o país entre o 55° e o 59° lugar no ranking. Em matemática. a média da OCDE é de 489 e do Brasil 384, ficando entre o 69° e o 72° lugar. Já em ciências, as médias da OCDE e do Brasil são, respectivamente, 489 e 404 pontos, com o Brasil se posicionando na classificação entre 64° e 67° posição.

O bullying também é tema do relatório. Enquanto 23% dos estudantes dos países da OCDE declararam que já sofreram esse tipo de violência, no Brasil esse número chegou a 29%. Em relação à disciplina em sala de aula, os próprios alunos (41%) disseram que os professores levam bastante tempo até conseguirem manter a ordem na classe. Nos países-membros da OCDE, o índice é de 26%.

Ações do MEC

Embora o estudo avalie os dados de 2018 e os compara com as edições anteriores do Pisa, a atual gestão do Ministério da Educação (MEC), em oito meses, já iniciou medidas que impactam diretamente na melhoria dos resultados ao longo dos próximos anos.

Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares: 54 escolas municipais e estaduais passarão, a partir da volta às aulas de 2020, a ter um novo modelo de gestão, que será compartilhada por professores e militares aposentados. A proposta é melhorar a disciplina em sala de aula, evitando que o docente gaste tempo para começar a aplicar o conteúdo, reduzir a evasão escolar, enfrentar questões ligadas ao bullying e a todo tipo de violência, e, consequentemente, aumentar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Até 2023, serão 216 escolas nesse modelo.

Ensino Médio em Tempo Integral: a iniciativa vai ampliar a carga horária do ensino médio de 4 para, no mínimo, 7 horas diárias. A ideia é tornar o aprendizado mais atrativo e focar nas áreas de interesse dos alunos, com o chamado itinerário formativo. Isso vai permitir o aumento da oferta de vagas em tempo integral e impactar na redução da evasão escolar e da repetência. 40 mil novas vagas serão criadas em 500 escolas e mais de 263 mil serão mantidas em mais de 1000 escolas.

Ensino Fundamental em Tempo Integral: a ideia é levar o ensino em tempo integral para ensino fundamental II (6º ao 9º anos). O projeto-piloto contemplará 40 escolas em 2020.

Novo Ensino Médio: Com carga horária ampliada de 4 para 5 horas diárias e com conteúdos adaptados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o MEC abriu mais 200 mil novas vagas e mais de 1,5 milhão de estudantes continuam a ser beneficiados pelo programa em mais de 3.500 escolas.

Educação em Prática: programa que incentiva instituições do ensino superior a abrirem suas portas e ofertarem conteúdos, professores e espaços físicos, como laboratórios, para alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e do ensino médio aliarem a educação à prática.

Educação Conectada: o programa criado para levar internet aos estudantes e a comunidade local vai conectar 100% das escolas urbanas aptas a receber conexão. Outras 8 mil escolas em áreas rurais também serão beneficiadas com a web até o fim do ano. É uma ação importante para inserir os estudantes em uma nova realidade, com mais acesso à informação.

 Com informações do Ministério da Educação