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Einstein: a visita ao continente sul americano 101 anos depois
No Observatório Nacional, Einstein foi recebido pelo diretor Henrique Morize e astrônomos brasileiros que participaram da Expedição Sobral
A chegada oficial de Albert Einstein ao Brasil, em maio de 1925, ocorreu após dois meses de uma exaustiva viagem iniciada na Argentina, seguida por Uruguai e, finalmente, o Rio de Janeiro. Convidado por cientistas argentinos para divulgar a então badalada Teoria da Relatividade, Einstein causou furor entre estudantes, estudiosos e curiosos. Embora as palestras fossem destinadas aos membros das comunidades científicas e judaicas, os arredores de auditórios e museus se transformaram em pontos de aglomeração. Afinal, Einstein era apresentado como "o maior cientista da História" - epíteto mantido ainda hoje.
Destino final de uma viagem que incluiu três países na América do Sul, sua passagem pelo Brasil também foi registrada pelo cientista em seu diário. O manuscrito permitiu a produção de livros que ainda hoje servem para pesquisas de cientistas. É o caso de "Einstein, o viajante da relatividade na América do Sul", de autoria de Alfredo Tiomno Tolmasquim, pesquisador do MAST. No livro, publicado em 2003, o pesquisador confirma que o Rio de Janeiro encerrou, mas foi também o ponto inaugural da experiência sul americana.
Isso porque Einstein desembarcou do navio Cap Polonio em 21 de março, no porto do Rio de Janeiro, onde passaria apenas algumas horas antes de seguir viagem para a Argentina. No Rio, foi cercado por jornalistas e cientistas. Tratou-se de uma parada técnica para reabastecimento e limpeza da embarcação.
Na então capital do Brasil, Einstein visitou o Jardim Botânico, o Copacabana Palace (inaugurado dois anos antes) e passeou entre populares a pé pelo centro da cidade. Era um Rio de arquitetura em estilo eclético de inspiração europeia e onde surgiam os primeiros sinais do Art Déco. Mas sua estada, conforme previsto, durou aproximadamente seis horas.
Universidade
A vinda de Einstein ao continente foi movida por algo além das palestras sobre a Teoria da Relatividade. Ele buscava pedir apoio financeiro para a criação da Universidade Hebraica, em Jerusalém - então pertencente ao Mandato Britânico da Palestina.
Ao desembarcar no Porto de Buenos Aires, na manhã do dia 25 de março, foi recepcionado por uma multidão. O frisson era comum apenas às personalidades do mundo artístico, como Carlos Gardel, conhecido como o maior cantor de Tango de todos os tempos. A euforia em torno de Einstein era um acontecimento único.
Na capital argentina, ele permaneceu por quase um mês, cumprindo uma agenda de compromissos acadêmicos e organizados pela Asociación Hebraica. No seu livro, Alfredo Tolmasquim detalha que os preparativos da viagem à Argentina consumiram dois meses de trabalho. A visita ocorreu numa época em que o país vizinho vivia um ciclo de prosperidade tal que o fazia figurar entre as dez nações mais prósperas do mundo.
Pequeno país feliz
Uruguai e Brasil contribuíram com valores mais modestos no custeio da viagem. Por esta razão, as estadas nestes países foram significativamente mais breves. Einstein chegou ao Uruguai no dia 24 de abril e lá permaneceria por uma semana. Realizou conferências, visitou escolas e reuniu- se com o então presidente José Serrato. Ficou tão encantado com o menor país da América do Sul que o chamou de "Pequeno País Feliz". Tolmasquim explica no seu livro: "O Uruguai era, na época, visto como uma Suíça da América do Sul por suas reformas sociais e estabilidade, o que condizia com a imagem de um país feliz".
Visita ao campus do MAST
No dia 9 de maio de 1925, Einstein esteve na sede do Observatório Nacional, prédio onde hoje está instalado o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST). Ele foi recepcionado pelo então diretor da instituição, Henrique Morize, e também por astrônomos brasileiros que participaram da famosa Expedição Sobral - evento astronômico que comprovou a Teoria da Relatividade Geral. Na cidade cearense, os brasileiros e astrônomos britânicos registraram o desvio da luz das estrelas ao redor do sol.
A visita está eternizada em uma fotografia oficial, onde aparecem o então porteiro do Observatório, João Cancio, astrônomos, mecânicos, radiotelegrafistas e o próprio físico no pátio da instituição. Estão em pé na imagem: João Cancio Soares de Assumpção, José Antônio França, Arthur de Almeida, José Frazão Milanez, Lélio Itapuambyra Gama (futuro diretor do Observatório), Gualter Macedo Soares, Carlos Magno, Idelfonso da Silva Souto, Francisco Venâncio Filho, Adalberto Farias dos Santos, Ernesto Morize, Lauro Paiva e Hiron Jacques. Sentados (da esquerda para a direita): Domingos Costa, Isidoro E. Kohn, Alix Corrêa Lemos, Albert Einstein, Henrique Morize (diretor do Observatório Nacional à época), Alfredo Lisboa e Ignácio Azevedo do Amaral.
Fontes consultadas:
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c206y02wgx1o
https://agencia.fiocruz.br/visita-genial
Livro "Os Diários de Albert Einstein: América do Sul" - de Ze’ev Rosenkranz, editora Record.
Livro "Einstein: O viajante da relatividade na América do Sul" - de Alfredo Tiomno Tolmasquim, editora Vieira e Lent.