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CIÊNCIA
Projeto de pesquisa do Hucam-Ufes conquista primeiro lugar geral entre estudos da Rede HU+
Pesquisa visa melhorar atendimento no SUS, com promoção de diagnóstico mais preciso, cuidado personalizado e maior equidade no acesso à saúde
VITÓRIA (ES) - O Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), integrante da Rede HU Brasil, conquistou o primeiro lugar no edital de Gestão Hospitalar da Rede de Pesquisa e Extensão dos Hospitais Universitários Federais do Brasil (Rede HU+), promovido em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
O projeto, que será desenvolvido no Hucam-Ufes e em outros três hospitais do Espírito Santo, destacou-se entre 180 propostas submetidas e obteve a maior pontuação entre os 52 projetos aprovados em todo o país. A seleção considerou critérios como excelência técnico-científica, relevância para a gestão hospitalar, potencial de impacto e alinhamento às políticas públicas de saúde.
A proposta alcançou nota final de 97,02, resultado da média dos dois critérios utilizados para composição do ranking: análise de mérito, na qual obteve nota 99,00, e aplicação e aderência, com nota 95,03.
O programa Rede HU+ tem como objetivo fomentar projetos voltados ao fortalecimento da gestão hospitalar nos hospitais universitários federais, priorizando a formação de redes colaborativas e a produção de conhecimento aplicado. Para isso, prevê o financiamento de bolsas de iniciação científica, extensão, mestrado, doutorado e pós-doutorado.
Instituições parceiras
Intitulado “Saúde integrada feminina no câncer de mama: inovação translacional, digital e inclusiva para o SUS”, o projeto possui caráter multicêntrico e será desenvolvido em parceria com os hospitais Santa Rita, Evangélico de Vila Velha e Meridional de São Mateus, além dos programas de pós-graduação da Ufes em Biotecnologia, Ciências Fisiológicas, Informática e Doenças Infecciosas.
A aprovação da proposta resultará na concessão de oito bolsas de formação em pesquisa, sendo duas de mestrado, uma de doutorado, uma de pós-doutorado e quatro de iniciação científica. A iniciativa contribuirá para a ampliação das oportunidades de qualificação de estudantes e pesquisadores, fortalecendo a capacidade de produção científica, inovação e pesquisa translacional no Hucam-Ufes e nas instituições parceiras, segundo os responsáveis pelo projeto.
Uso de inteligência artificial
A chefe do Setor de Gestão da Pesquisa e Inovação Tecnológica em Saúde da Gerência de Ensino e Pesquisa (SGPITS/GEP) do Hucam, Christiane Lourenço Mota, explicou que o objetivo principal do projeto é investigar, em mulheres com câncer de mama, a relação entre células tumorais resistentes e genes de reparo do DNA, usando inteligência artificial, patologia digital e testes genéticos para identificar biomarcadores de resistência ao tratamento, melhorar o diagnóstico, prevenção e tratamento, além de desenvolver ações educativas e de extensão e fortalecer a equidade e gestão no Sistema Único de Saúde (SUS).
“Em resumo, o estudo busca entender por que alguns tumores são mais agressivos e resistentes, combinando biologia, genética, tecnologia e inteligência artificial”, explicou a chefe do setor. Segundo ela, a pesquisa procura entender os mecanismos pelos quais as células cancerígenas reagem aos tratamentos convencionais para combate ao câncer de mama. Para isso, o estudo que envolve conhecimentos de biologia molecular, informática biomédica, oncogenética, patologia digital e saúde pública, vai recorrer a fotos microscópicas dos tumores e ao uso de Inteligência Artificial para descobrir padrões, ajudando a prever quais pacientes têm mais chance de ter essas células resistentes ao tratamento.
Dados podem subsidiar implantação de políticas públicas
De acordo com os pesquisadores Iúri Drumond Louro e Débora Dummer Meira, coordenador e vice coordenadora do projeto junto à Ufes, respectivamente, o estudo prevê a oferta de testes genéticos e aconselhamento genético a mulheres atendidas no Hucam-Ufes, ampliando o acesso ao diagnóstico de risco hereditário de câncer. Os dados serão integrados também com bancos de dados nacionais, alimentando indicadores que poderão subsidiar a implantação de políticas públicas voltadas para a mulher. Os resultados serão disponibilizados para todos os hospitais da rede HU Brasil.
“O conjunto destas ações se alinha diretamente aos quatro eixos estratégicos do edital da Capes – Saúde da Mulher, Populações em Vulnerabilidade, Oncologia e Saúde Digital -, ao combinar tecnologias avançadas, ciência aberta, inovação assistencial e ações territorializadas de extensão”, explicam os pesquisadores no projeto.
Hucam como polo de geração de conhecimento
A gerente de Ensino, Pesquisa e Inovação do Hucam, e coordenadora associada da pesquisa, Gláucia Abreu, falou da importância deste estudo para o SUS e a sociedade em geral: “Este projeto consolida o papel do Hucam-Ufes/HU Brasil como polo de geração de conhecimento, formação de recursos humanos e desenvolvimento de pesquisas de ponta em benefício da população feminina. O estudo aponta para novas ferramentas para o diagnóstico precoce e preciso, levando a tratamentos personalizados e melhor acompanhamento clínico”.
Ela ressalta, ainda, a integração do ensino de pós-graduação e uma assistência mais qualificada embasada na ciência, proporcionando a muitas mulheres o que há de mais avançado em termos de estudos genéticos, medicina de precisão, focando na prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama tratamentos personalizados e melhor acompanhamento clínico.
“O estudo possibilita também o acesso a testes genéticos gratuitos, aconselhamento genético para pacientes e familiares e, na área social, promove a redução de desigualdades e maior acesso à informação e prevenção, além aumentar a sobrevida e de reduzir custos para o sistema de saúde com tratamentos tardios, melhorar a eficiência hospitalar e apoiar políticas públicas voltada ao SUS”, acrescentou a gerente.
HU Brasil
O Hucam-Ufes faz parte da Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e às instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
O QUE SERÁ ESTUDADO
O projeto vai estudar três dimensões integradas:
a) Biológica (o câncer em si)
- Como surgem células tumorais resistentes (PGCCs)
- Relação dessas células com falhas no reparo do DNA
- Como isso influencia: resistência ao tratamento e recidiva do tumor
b) Genética
- Identificação de mutações em genes ligados ao câncer hereditário (ex: BRCA1, BRCA2 e outros)
- Uso de sequenciamento genético (NGS) para avaliar risco
c) Tecnológica (inovação) - Uso de Inteligência Artificial para analisar:
- imagens de lâminas tumorais
- dados genéticos e clínicos
- Integração de tudo em um repositório digital interoperável
COMO SERÁ DESENVOLVIDO
O projeto segue várias etapas integradas:
a) Coleta de dados
Biópsias tumorais (lâminas histológicas)
Dados clínicos das pacientes
Amostras para testes genéticos
b) Análise laboratorial
Sequenciamento genético (NGS)
Identificação de mutações
c) Digitalização e IA
Lâminas são digitalizadas
IA analisa imagens e detecta padrões tumorais
d) Integração de dados
Dados clínicos + genéticos + imagens
Armazenados em um repositório digital
e) Ação clínica e extensão
Aconselhamento genético
Educação em saúde (alfabetização genômica, materiais, oficinas, etc.)
QUEM ESTÁ ENVOLVIDO
Coordenação
Coordenador principal: Iúri Drumond Louro
Vice coordenadora do projeto: Débora Dummer Meira
Coordenadora associada: Glaucia Rodrigues de Abreu
Instituições principais
Universidade Federal do Espírito Santo
Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes
Hospitais parceiros
Hospital Santa Rita de Cássia
Hospital Evangélico de Vila Velha
Hospital Meridional de São Mateus
Programas de pós-graduação envolvidos
PPGBIOTEC: Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia
PPGCF: Programa de Pós-Graduação em Ciências Fisiológicas
PPGI: Programa de Pós-Graduação em Informática
PPGDI: Programa de Pós-Graduação em Doenças Infecciosas
Outros participantes
Médicos oncologistas
Geneticistas
Patologistas
Pesquisadores
Alunos de graduação e pós-graduação
Sinval Paulino
Coordenadoria de Comunicação Social