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PARCERIA
HU e Faculdade de Farmácia ampliam diagnóstico de hepatite A em Juiz de Fora
Atualmente, a UFJF, em parceria com o HU, processa entre 20 e 25 amostras por semana. Foto: Twin Alvarenga/UFJF
Juiz de Fora (MG) – Diante do aumento dos casos de hepatite A em Juiz de Fora, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) passou a realizar, de forma inédita, exames laboratoriais para detecção do vírus. A medida fortalece a resposta da rede pública de saúde e reduz o tempo de espera pelos resultados, etapa essencial para o controle da doença. Trata-se de uma parceria entre o Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF), gerido pela HU Brasil, e a Faculdade de Farmácia.
A iniciativa é conduzida pelo Centro Colaborador da Faculdade de Farmácia, que já integra a rede estadual de laboratórios de saúde pública em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. A UFJF já atua na realização de exames para doenças como tuberculose, HIV, hepatites B e C, vírus respiratórios e arboviroses — como dengue, zika e chikungunya —, mas a hepatite A ainda não fazia parte desse escopo.
Até então, as amostras coletadas em Juiz de Fora pela rede pública de saúde eram encaminhadas para análise na Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte. Com o aumento da demanda em todo o estado, o tempo de liberação dos resultados passou a comprometer a resposta rápida necessária para o manejo da doença.
Diante desse cenário, a Prefeitura de Juiz de Fora acionou a Universidade, que, em articulação com a Secretaria Estadual de Saúde, também passa a receber e analisar as amostras coletadas. “Os exames de hepatite A não estavam no escopo do nosso convênio com o Estado. Com o aumento dos casos em Juiz de Fora e da demanda na Funed, o tempo de resposta deixou de atender a necessidade do município, que precisa de resultados mais rápidos para o manejo adequado da doença”, explica o professor Marcelo Silvério, diretor da Faculdade de Farmácia.
Parceria que viabiliza o diagnóstico
Atualmente, a UFJF processa entre 20 e 25 amostras por semana. Para viabilizar a nova frente de atuação, a Universidade firmou parceria com o Hospital Universitário, responsável por apoiar a etapa final da análise laboratorial.
O fluxo começa com o recebimento das amostras na Faculdade de Farmácia, onde são triadas e cadastradas. Em seguida, o material é encaminhado ao hospital, onde é processado em equipamento específico. Após a análise, os resultados retornam à Faculdade de Farmácia para conferência e liberação.
Segundo o superintendente do HU, José Otávio Corrêa, a parceria entre a Universidade e o hospital permite que os exames sejam realizados na própria cidade, com mais agilidade. “Isso impacta diretamente na qualidade do atendimento, possibilitando um diagnóstico mais rápido e um tratamento mais assertivo”, destaca.
A análise é realizada na Unidade de Análises Clínicas e Anatomia Patológica. Para a chefe da unidade, Clarissa Cunha, “o hospital dispõe de estrutura técnica e equipe qualificada para essa atividade, sendo responsável pela execução dos exames, enquanto os reagentes são viabilizados pela Faculdade de Farmácia, no âmbito dessa parceria institucional”, pontua.
Segundo ela, o HU-UFJF contribui com sua capacidade instalada e expertise técnica para ampliar o acesso ao diagnóstico, em uma atuação integrada entre instituições públicas, em resposta a uma demanda relevante de saúde pública.
Doença exige atenção
A hepatite A é uma infecção viral que afeta o fígado e tem transmissão principalmente por via fecal-oral, associada ao consumo de água ou alimentos contaminados e a condições inadequadas de higiene.
De acordo com a pesquisadora do Núcleo de Pesquisa em Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da UFJF, Tarsila Ribeiro, o cenário atual do município exige atenção da população. “Juiz de Fora vive um aumento expressivo de casos de hepatite A, o que torna fundamental reforçar as medidas de prevenção”, alerta.
Segundo Tarsila, os sintomas mais comuns incluem febre, cansaço, náuseas, dor abdominal e icterícia – quando a pele e os olhos ficam amarelados. Em crianças, a doença pode não apresentar sinais, o que contribui para a disseminação. Apesar de geralmente não evoluir para formas crônicas, a pesquisadora destaca que a doença pode causar complicações. “A hepatite A é autolimitada, mas, em alguns casos, pode evoluir para quadros graves, como falência hepática”, explica.
A principal forma de prevenção é a vacinação, disponível no calendário nacional desde 2014. No entanto, Tarsila comenta que grande parte da população adulta não foi imunizada, o que aumenta a vulnerabilidade em cenários de surto.
Além da vacina, medidas simples são essenciais para conter a transmissão. “Como a doença é transmitida por via fecal-oral, a higienização das mãos é fundamental, especialmente após o uso do banheiro e antes de manipular alimentos”, orienta Tarsila.
Ela também reforça os cuidados com a alimentação. “Frutas, verduras e legumes consumidos crus devem ser higienizados corretamente. É ideal fazer uma solução com água sanitária – uma colher de sopa para 1 litro de água – e deixar frutas, verduras e legumes de molho por 10 a 15 minutos. Depois, é importante lavar e enxaguar bem em água potável”, explica.
Além disso, em casos de contato com pessoas infectadas, a recomendação é procurar uma unidade de saúde. “A avaliação precoce permite adotar medidas de prevenção, como a vacinação, quando indicada”, completa.
Sobre o hospital
O HU-UFJF faz parte da Rede HU Brasil desde 2014. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
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