Notícias
COMUNIDADES TRADICIONAIS
HU-Unifap realiza a segunda oficina do Cuidado em Saúde Indígena
Macapá (AP) - O Hospital Universitário da Universidade Federal do Amapá (HU-Unifap), vinculado à estatal HU Brasil, realizou no final de abril, por meio do Comitê de Saúde Indígena, a II Oficina do Cuidado em Saúde Indígena. O encontro buscou preparar e capacitar as equipes multiprofissionais para oferecer atendimento mais humanizado, intercultural e adequado às necessidades dos povos indígenas.
De acordo com a chefe da Divisão de Enfermagem, Erika Rodrigues, a discussão sobre o cuidado em saúde indígena dentro de um hospital universitário é fundamental porque amplia a compreensão dos profissionais e estudantes sobre as especificidades culturais, sociais e territoriais dos povos indígenas, fortalecendo uma assistência mais humanizada, respeitosa e culturalmente sensível. “Promover esse debate contribui para reduzir práticas discriminatórias, qualificar o acolhimento e fortalecer a equidade no SUS, especialmente em uma região amazônica marcada pela diversidade étnica e pelos desafios de acesso à saúde”, afirmou.
O enfermeiro de Saúde Indígena, Messias Lima, afirma que a oficina fortalece a integração entre os serviços de saúde e ajudar os profissionais a compreenderem melhor as especificidades culturais, linguísticas e sociais das comunidades indígenas atendidas pelo hospital. “A ação teve como foco organizar fluxos de atendimento e ampliar a qualidade da assistência prestada aos pacientes indígenas”, frisou.
Para ele, discutir o cuidado em saúde indígena é importante porque ajuda a garantir um atendimento mais humano, respeitoso e adequado às necessidades culturais dos povos indígenas, conforme orientam as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI). “Essas diretrizes defendem que o atendimento respeite os costumes, as tradições, a língua e a forma como cada povo indígena compreende o processo de saúde e doença”.
A oficina foi ministrada por profissionais com experiência na atenção à saúde dos povos indígenas, incluindo representantes da rede de atenção à saúde, membros do Comitê de Saúde Indígena do HU-Unifap, gestores, docentes, pesquisadores e convidados atuantes na temática da interculturalidade e das políticas públicas de saúde indígena.
Temáticas importantes
Durante o encontro, foram abordados temas relevantes como a interculturalidade na prática clínica, as barreiras de acesso à rede especializada, o acolhimento como tecnologia do cuidado e a organização da rede de atenção à saúde indígena.
Os saberes tradicionais também foram discutidos, com destaque para: Uso de plantas medicinais e conhecimentos tradicionais de cura; práticas espirituais como rezas, benzimentos e rituais de cuidado; concepções indígenas sobre saúde, doença e equilíbrio entre corpo, espírito e território; cuidados tradicionais no ciclo de vida; atuação de pajés, parteiras e cuidadores tradicionais no processo de cuidado; importância do território e da cultura como determinantes da saúde. Esses temas foram abordados com foco no diálogo entre saberes tradicionais e práticas do SUS, fortalecendo o cuidado intercultural e a humanização da assistência.
Espaço de formação
O hospital universitário possui um papel estratégico na formação de futuros profissionais de saúde, na produção de conhecimento e na integração ensino-serviço-comunidade. Segundo Messias Lima, falar sobre saúde indígena colabora para formar profissionais para atuar em diferentes realidades sociais e cumprir os princípios do SUS: universalidade, equidade e integralidade. “Essa discussão é fundamental para capacitar estudantes e profissionais da saúde a atuarem com sensibilidade cultural, reduzindo preconceitos, falhas de comunicação e desigualdades no acesso aos serviços”, destacou.
O debate fortalece a atenção integral e intercultural ao integrar conhecimento científico e saberes tradicionais indígenas, com ganhos para o acolhimento, a segurança do paciente, a adesão ao tratamento e a qualidade da assistência.
Impacto positivo
O evento ajuda a reduzir barreiras de acesso e comunicação no ambiente hospitalar. Entre as contribuições estão a capacitação das equipes sobre especificidades culturais, sociais e linguísticas dos povos indígenas; a melhoria da comunicação clínica, com uso de linguagem simples, escuta qualificada e verificação de entendimento; e o fortalecimento do acolhimento intercultural, com redução de práticas rígidas que dificultam o acesso e a permanência no cuidado.
Segundo Erika Rodrigues, a oficina sensibiliza os profissionais de saúde sobre as particularidades linguísticas, culturais e sociais dos povos indígenas. “Muitas dificuldades enfrentadas pelos pacientes indígenas dentro dos serviços hospitalares estão relacionadas à incompreensão cultural, falhas na comunicação e desconhecimento sobre seus modos de vida e organização social”.
“A iniciativa promove a sensibilização para a diversidade, o diálogo com representantes indígenas, a articulação entre DSEI, CASAI, COESI e hospital, e o aprimoramento das práticas multiprofissionais, com foco na humanização e na equidade”, finalizou o enfermeiro.
Sobre a HU Brasil
O HU-Unifap faz parte da Rede HU Brasil desde 2022. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil foi criada em 2011, tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Neurizete Duarte
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede HU Brasil