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REUMATOLOGIA
Manchas na pele, inchaço nas articulações e febre prolongada sem causa aparente podem ser sintomas de Lúpus Juvenil
João Pessoa (PB) – Seu filho apresenta cansaço excessivo, febre, dor nas articulações e manchas avermelhadas na pele? Esses podem ser sintomas de Lúpus Eritematoso Sistêmico Juvenil (LESJ), doença autoimune que pode afetar crianças e adolescentes causando inflamação em diversos órgãos do corpo. Para sensibilizar sobre a importância do diagnóstico precoce, o Hospital Universitário Lauro Wanderley da Universidade Federal da Paraíba (HULW-UFPB), vinculado à Rede HU Brasil, realizou campanha educativa em alusão ao Dia Mundial do Lúpus, comemorado em 10 de maio.
As atividades contemplaram pacientes, acompanhantes, profissionais e estudantes que circularam pelo Ambulatório Antônio Dias dos Santos nesta quinta-feira, dia 7. Foram distribuídos materiais informativos sobre como identificar a doença e como ter acesso à assistência de forma gratuita por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Os organizadores entregaram fitas na cor roxa, que remete ao tema.
O médico reumatologista pediátrico Evaldo Sena alerta que, no lúpus juvenil, os sintomas tendem a surgir de forma mais aguda e grave do que em adultos. Em geral, podem surgir sinais como febre prolongada sem causa aparente; dores nas articulações ou articulações inchadas, principalmente em mãos e joelhos; cansaço excessivo; perda de peso e falta de apetite.
Em relação à pele e ao cabelo, o paciente pode apresentar manchas avermelhadas (especialmente no rosto em formato de "borboleta"), feridas na boca ou nariz, e queda de cabelo. A sensibilidade ao sol (fotossensibilidade) é muito comum nesses casos. Uma das formas mais graves e frequentes do lúpus se deve ao comprometimento dos rins (nefrite), causando inchaço no corpo e pressão alta. A doença também afeta o sangue (causando anemia) e o cérebro, podendo ocorrer manifestações como convulsões e psicose.
Embora a causa exata seja desconhecida, o LESJ ocorre pela combinação de uma predisposição genética com fatores ambientais. “É muito mais comum em meninas, especialmente após os 11 anos. Acredita-se que o estrogênio (hormônio feminino) tenha um papel importante”, disse Evaldo. Entre os desencadeadores da patologia estão infecções virais, exposição solar intensa sem proteção, uso de medicamentos como alguns antibióticos e anticonvulsivantes e, em alguns casos, estresse emocional.
Acompanhamento especializado
Caso haja alguma suspeita do Lúpus Eritematoso Sistêmico Juvenil, procure atendimento médico imediatamente. “O ideal é buscar um pediatra ou clínico geral no posto de saúde (UBS/PSF) ou pronto-socorro. Explique todos os sintomas que a criança ou adolescente está apresentando. O médico solicitará exames de sangue, sendo o principal deles o FAN (Fator Antinuclear), que costuma estar positivo nestes casos”, observa Evaldo Sena.
Se a suspeita for confirmada, é fundamental o acompanhamento com um reumatologista pediátrico (especialista no tratamento de doenças reumáticas em crianças). O Hospital Universitário Lauro Wanderley oferece tratamento para o LESJ e a via de acesso é o posto de posto de saúde de sua região. “O médico do posto fará a primeira avaliação e, se necessário, emitirá uma guia de referência (encaminhamento) para marcação pela central de referência para o ambulatório de Reumatologia Pediátrica do Hospital Universitário”, explicou.
Formas de tratamento
O Lúpus não tem cura, mas pode ser controlado. O objetivo do tratamento é fazer com que a doença entre em remissão (desaparecimento dos sintomas), permitindo que a criança tenha uma vida normal. Segundo Evaldo Sena, o tratamento base para todos os pacientes é o uso de hidroxicloroquina, que ajuda a controlar a doença e prevenir surtos.
Os corticoides são usados nos surtos para controlar a inflamação rapidamente, mas por períodos curtos devido a efeitos colaterais a exemplo de ganho de peso e parada de crescimento. Já os imunossupressores são indicados para casos mais graves, como lesão renal ou neurológica, pois reduzem a agressão do sistema imunológico contra o corpo. “Entre os cuidados essenciais estão o uso diário de protetor solar com proteção 30+, alimentação saudável e vacinação em dia (exceto vacinas com vírus vivos durante uso de imunossupressores)”, cita o especialista.
Sobre a HU Brasil
O Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW-UFPB) faz parte da Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Por Jacqueline Santos
Coordenadoria de Comunicação Social/HU Brasil