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MARÇO LILÁS
Médica do HU-UFS alerta para importância do diagnóstico precoce do câncer do colo do útero
Aracaju (SE) – O Março Lilás é uma campanha nacional de conscientização sobre a prevenção e o combate ao câncer do colo do útero, realizada no mês em que ocorre o Dia Internacional da Mulher. A iniciativa busca reforçar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce para reduzir a mortalidade pela doença.
De acordo com a médica Taisa Cavalcante, especialista em Ginecologia e Obstetrícia que atua no Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), na maioria dos casos a paciente não apresenta sintomas. “As lesões precursoras são geralmente assintomáticas e detectadas por meio dos exames de rastreamento. Porém, na doença invasiva, o câncer do colo do útero pode ser indicado por sangramento após a relação sexual ou fora do período menstrual, corrimento vaginal, dor pélvica, dor na relação sexual e, em estágios avançados, insuficiência renal”, explica.
Incidência
O câncer de colo do útero está entre os mais incidentes entre as mulheres brasileiras e, em muitos casos, pode ser evitado ou tratado com mais eficácia quando identificado nas fases iniciais. Seu principal fator de risco é a infecção por Papilomavírus Humano (HPV), que tem alto risco oncogênico, ou seja, favorece a probabilidade de desenvolver câncer.
“Essa infecção persistente leva a alterações celulares progressivas no colo do útero, que podem evoluir para lesões precursoras e lesões invasivas, quando o diagnóstico e o tratamento não são instituídos. Outros fatores de risco atribuídos são o início precoce da vida sexual, múltiplos parceiros sexuais, tabagismo, imunossupressão, multiparidade (duas ou mais gestações viáveis), uso prolongado de contraceptivos orais e coinfecção com outras doenças sexualmente transmitidas”, detalha a ginecologista.
Prevenção
Apesar da gravidade, Taísa destaca que este é um dos cânceres mais preveníveis. “Há estratégias de prevenção primária, como a vacinação contra o HPV, e secundária, como os exames de rastreamento e diagnóstico precoce, a exemplo da citologia oncótica e dos testes moleculares”, afirma.
No entanto, a alta taxa de mortalidade ainda é uma realidade no país. Mesmo sendo prevenível e com boas chances de cura quando identificado precocemente, o câncer do colo do útero é a quarta causa de morte por câncer entre mulheres no Brasil, cenário associado principalmente à baixa cobertura vacinal, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e diagnóstico tardio.
“Após o diagnóstico, o tratamento é definido conforme o estágio da doença, o tamanho do tumor e características individuais da paciente, como idade e desejo de preservar a fertilidade. As principais abordagens incluem cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapia-alvo”, acrescenta.
Vacina
Como forma de prevenção, há mais de uma década a vacina contra o HPV foi incorporada ao calendário nacional. “Trata-se de um grande avanço, mas a cobertura vacinal ainda está abaixo do ideal. O Ministério da Saúde tem adotado novas estratégias, como a ampliação do uso de testes moleculares para detecção do HPV e a recomendação de dose única da vacina para meninas e meninos de 9 a 14 anos”, explica.
O câncer do colo do útero é mais frequentemente diagnosticado em mulheres entre 35 e 44 anos, com média de idade de 50 anos no momento do diagnóstico. Casos em mulheres com menos de 20 anos são raros. “Como lesões precursoras de alto grau são mais comuns entre 35 e 40 anos, e o câncer invasivo é raro em mulheres jovens imunocompetentes, recomenda-se iniciar o rastreamento a partir dos 25 anos”, orienta.
Durante o Março Lilás, a recomendação é manter a vacinação em dia, realizar exames preventivos regularmente e procurar atendimento de saúde diante de qualquer sinal de alerta.
Sobre a Ebserh
O HU-UFS faz parte da Rede Ebserh desde outubro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.