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CARDIOPATIA CONGÊNITA
Um em cada 100 bebês podem nascer com malformação no coração
Brasília (DF) – As cardiopatias congênitas estão entre as principais causas de internação e cirurgia cardíaca na infância. Quando identificadas ainda durante a gestação, permitem o planejamento do cuidado especializado desde o nascimento, favorecendo melhores resultados no tratamento. Na Rede HU Brasil, pacientes recebem assistência integral, com diagnóstico precoce, acompanhamento multiprofissional e tratamento ao longo de todas as fases da vida. Junho é o mês de conscientização sobre essas condições, que afetam a estrutura e o funcionamento do coração desde o nascimento.
O cardiologista pediátrico Márcio Tim, do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), explica que as cardiopatias congênitas são as malformações congênitas mais frequentes, atingindo cerca de um em cada 100 nascidos vivos. “Um terço desses pacientes necessita de cirurgia ainda no primeiro ano de vida, o que demonstra a importância da divulgação do tema e do diagnóstico precoce para melhorar as chances de tratamento e o prognóstico”, destaca.
Segundo o especialista, o principal instrumento para a identificação precoce dessas alterações é o ecocardiograma fetal. O procedimento permite diagnosticar a doença antes do nascimento, possibilitando o planejamento adequado do parto e a organização da equipe assistencial. Em alguns casos, inclusive, intervenções podem ser realizadas ainda durante a gestação.
O tratamento das cardiopatias congênitas pode incluir acompanhamento clínico com medicamentos, procedimentos cirúrgicos e intervenções por cateterismo cardíaco, que reduzem a necessidade de procedimentos mais invasivos, detalha Tim.
“É fundamental que esses pacientes sejam acompanhados por um cardiologista pediátrico na infância e, posteriormente, por profissionais com experiência em cardiopatias congênitas do adulto, garantindo o cuidado adequado em todas as fases da vida”, afirma o médico.
IPPMG: assistência infantil
O cuidado também envolve atenção especializada desde os primeiros anos de vida. “As cardiopatias congênitas têm origem multifatorial, podendo estar relacionadas à carga genética ou a fatores externos que alteram a formação do coração. O período mais importante para o surgimento dessas alterações corresponde às primeiras quatro a oito semanas da gestação”, resume a professora de cardiologia pediátrica do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG/CH-UFRJ), Nathalie Bravo. A médica esclarece que os tipos mais comuns são aqueles em que ocorrem comunicações entre os lados direito e esquerdo do coração.No IPPMG, o atendimento especializado de crianças com diagnóstico ou suspeita de cardiopatia congênita favorece a identificação precoce das alterações e otimiza o tratamento mais adequado.
Segundo a especialista, os principais desafios enfrentados pelos pacientes, desde o cuidado pediátrico até o acompanhamento na vida adulta, dependem “do tipo de cardiopatia, do momento do diagnóstico e do tipo do tratamento”. “Quando ocorrem complicações, pode haver impacto no desenvolvimento neuropsicomotor ou limitações para atividades esportivas”.
CHC-UFPR: ambulatório especializado

Em Curitiba, o Complexo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR) mantém um ambulatório especializado em cardiopatias congênitas do adulto, referência no acompanhamento de pacientes que iniciaram o tratamento na infância e necessitam de seguimento contínuo com consultas e exames especializados. Além da assistência, o serviço desenvolve pesquisas sobre as cardiopatias congênitas mais prevalentes na população adulta e sua evolução ao longo do tempo.
“Hoje, muitas crianças que nascem com cardiopatias congênitas complexas conseguem chegar à vida adulta com boa qualidade de vida, necessitando de menos intervenções ao longo dos anos”, pontua a cardiologista Larissa Maria Vosgerau. “Essa evolução trouxe também o desafio de compreender e acompanhar as necessidades específicas da crescente população de adultos com cardiopatia congênita”, acrescenta.
Segundo a médica, os casos mais complexos são discutidos conjuntamente por cardiologistas, intensivistas, cirurgiões cardiovasculares, profissionais de enfermagem, fisioterapeutas e outros especialistas envolvidos no cuidado do paciente. Ela justifica que o modelo permite uma avaliação ampla e individualizada, contribuindo para decisões mais seguras e melhores resultados assistenciais.
Superação
A trajetória de Walison Ariel do Prado, 25 anos, ilustra a importância do acompanhamento especializado para pessoas com cardiopatias congênitas. Morador do interior do Paraná, ele nasceu com uma alteração cardíaca que não foi identificada durante a gestação.
“Na realidade, eu nasci já com esse problema. Minha mãe fez o acompanhamento durante a gravidez e não constou nada. No momento do parto foi descoberto um possível problema cardíaco. Eu nasci muito roxo, com falta de ar. Com sete dias de vida fui encaminhado para acompanhamento em Curitiba. Minha mãe passou a vida inteira correndo comigo”, relembra.
Paciente do CHC-UFPR desde os 18 anos, Walison realiza consultas e exames periódicos e utiliza medicação diariamente. Depois de ter enfrentado duas cirurgias e cateterismos. Atualmente, leva uma rotina ativa de trabalho e ajuda a família nas atividades do dia a dia. “Hoje em dia, graças a Deus, levo uma vida normal”, afirma.
Ele também destaca o acolhimento recebido pela equipe do hospital universitário. “Todo mundo foi muito atencioso e sempre procurou explicar a doença, o que não é uma tarefa fácil”. Ao recordar momentos de incerteza em relação ao próprio prognóstico, resume sua trajetória de recuperação: “Foi um milagre o que conseguiram fazer por mim”.
Sobre a HU Brasil
Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 46 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Por Elisa Andrade, com edição de Danielle Campos De Aguiar
Coordenadoria de Comunicação Social/HU Brasil
