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SAÚDE DA MULHER
Rede HU Brasil alerta sobre câncer de ovário, doença que registrou mais de 7.000 casos no país em 2025
O câncer de ovário é o câncer ginecológico mais letal, segundo o Ministério da Saúde (Imagem ilustrativa: Magnific).
Nesta reportagem especial, você vai saber:
Brasília (DF) – O câncer de ovário é uma doença silenciosa. Seus sinais e sintomas já são muito associados à doença avançada. Por isso, especialistas de hospitais universitários da Rede HU Brasil alertam para sinais discretos da doença, reforçando a importância do diagnóstico precoce. O Dia Mundial do Câncer de Ovário (8 de maio) é uma oportunidade de ampliar a conscientização sobre a doença. A campanha já mobiliza mais de 200 instituições no mundo, entre elas os 45 hospitais administrados pela estatal.
Segundo o Ministério da Saúde, a doença é o câncer ginecológico mais letal. No Brasil, é o terceiro mais frequente, atrás apenas dos tumores de colo de útero e endométrio. Em 2025, foram mais de 7.000 casos registrados. Por ter sintomas inespecíficos, o diagnóstico costuma ser tardio, o que piora o prognóstico.
“O câncer de ovário é um grande desafio para a saúde pública”, afirma o cirurgião oncológico do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF/UFRJ), Flávio Cajaraville. “Os sintomas mais comuns são a sensação de ‘peso’ na barriga e o aumento da circunferência abdominal, secundários ao aparecimento de um tumor volumoso no ovário, ou ao aparecimento de ascite”, explica.
Na fase inicial, o câncer de ovário pode ser assintomático. Quando a doença avança, costuma causar, ainda, dor ou inchaço no abdômen e na pelve, dores nas costas ou pernas, problemas digestivos como náuseas, indigestão, gases, prisão de ventre ou diarreia, além de perda de apetite, necessidade frequente de urinar, fadiga persistente e presença de massa palpável no abdômen.
Cisto benigno ou tumor ovariano maligno
Para Flávio Cajaraville, cistos benignos são diferenciados dos malignos por critérios de exame de imagem, como ultrassonografia transvaginal ou ressonância magnética da pelve. Outro exame importante é a dosagem de marcadores tumorais, como CA 125 e CEA. Quando elevados e associados a alterações nos exames de imagem, eles ajudam a estimar o risco de malignidade no cisto. “Os critérios clínicos devem ser considerados, principalmente a faixa etária de aparecimento do cisto, histórico familiar e sintomas associados, como a perda de peso”, ressalta.
Orientações importantes para prevenção e cuidado
Autocuidado e percepção de mudanças no corpo são aliados no diagnóstico, por isso, é importante não ter vergonha de procurar o médico. Quem possui história clínica de risco, deve manter o acompanhamento de perto, não faltar às consultas e realizar os exames solicitados.
O cirurgião oncológico Herbert Almeida, do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes-UFBA), destaca que “para mulheres de alto risco, o serviço dispõe de acompanhamento especializado, com avaliação genética quando indicada e discussão de estratégias preventivas, inclusive cirúrgicas”.
Para o ginecologista do Hospital das Clínicas da UFPE (HC-UFPE), Aurélio Costa, as orientações envolvem o controle dos principais fatores de risco que podem ser modificados, como alimentação saudável, prática regular da atividade física, controle do peso e uso de anticoncepcionais. “A principal situação de risco, porém, fora do nosso controle: possíveis mutações genéticas e a faixa etária. Pacientes acima de 55 anos, principalmente com histórico familiar, exigem atenção redobrada”, alerta.
Fatores de risco e tratamento
“Mulheres com fatores de risco devem ter acompanhamento mais próximo. Entre eles estão: idade acima de 50 anos, histórico familiar de câncer de ovário, mama ou colorretal, menarca precoce, menopausa tardia, nuliparidade (nunca ter tido um parto a termo), endometriose, obesidade, e uso crônico de estrogênio isolado. Nesses casos, exames de imagem e marcadores tumorais podem ser usados no seguimento individualizado”, explica Flávio Cajaraville. Escuta ativa e exame ginecológico completo nas consultas de rotina também são fundamentais para a prevenção.
O especialista afirma que, em caso de identificação de risco genético como mutações de BRCA, Síndrome de Lynch, a cirurgia de remoção dos ovários e tubas uterinas deve ser oferecida como prevenção. “Essa decisão deve ser muito bem discutida com a paciente, pois impacta na fertilidade e pode antecipar a menopausa, a depender da idade”, alerta.
Aurélio Costa acrescenta que não existe um exame eficaz para rastreamento do câncer de ovário, como o Papanicolau é para o câncer colo do útero. “Talvez, o uso de anticoncepcionais para proteger a camada mais externa do ovário e, desta forma, servir com possível protetor contra os carcinomas serosos”, disse.
Além disso, Aurélio Costa observa que o melhor tratamento ainda hoje é a cirurgia citorredutora, que remove a maior quantidade possível de células e tecidos comprometidos. Ela costuma ser associada à quimioterapia em alguns casos, a depender do grau de invasão da doença. “Os hospitais de alta complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS) oferecem todo o tratamento necessário gratuitamente”, disse.
Serviços ofertados pelo SUS
Hospitais da Rede HU Brasil oferecem, via SUS, consultas, exames e procedimentos, alguns incluem medidas de prevenção, como cirurgia redutora de risco para pacientes com mutação genética relacionada à doença. Também disponibilizam estratégias diagnósticas com exames de imagem, entre eles ultrassonografia com doppler, tomografia e ressonância magnética, pesquisa de marcadores tumorais e estudo anatomopatológico para casos suspeitos submetidos a biópsia. No Hupes-UFPA, por exemplo, “para o tratamento, contamos com cirurgiões oncológicos dedicados ao câncer ginecológico e equipe de oncologia clínica com estrutura para quimioterapia ambulatorial e para pacientes internadas em casos mais graves”, afirma Herbert Almeida. Ele finaliza: “Soma-se a isso a atenção integrada com equipe multiprofissional de enfermagem, nutrição, psicologia e serviço social”.
Sobre a HU Brasil
Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e às instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Por Neurizete Duarte, com edição de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social/HU Brasil