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SOLIDARIEDADE
Doação de leite humano salva vidas nos hospitais da Rede HU Brasil
Nesta reportagem, você verá:
Brasília (DF) – Quando sua bebê nasceu, a enfermeira Erika Sena, do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, da Universidade Federal de Alagoas (HUPAA-Ufal), prometeu que se tornaria doadora de leite materno se conseguisse amamentar. Após muita dificuldade e precisar se submeter à relactação, técnica usada para estimular a produção de leite, ela cumpriu sua promessa. “Hoje, retribuo todo cuidado recebido, através da doação de leite a pessoas que eu não conheço, mas que estão precisando desse gesto de compaixão”, relatou.
Com o slogan “Doação de leite humano: solidariedade que nutre, vida que cresce”, a campanha deste ano do Dia Mundial da Doação de Leite Humano, celebrado em 19 de maio, destaca a importância do gesto solidário para salvar as vidas de recém-nascidos internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e na Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) neonatais dos hospitais administrados pela Rede. Cada gota de leite é uma dose de esperança aos mais de 200 mil bebês prematuros e de baixo peso nascidos anualmente no Brasil.
Leite humano: padrão ouro da alimentação infantil
Quando o recém-nascido não tem acesso ao leite materno, ele fica vulnerável a infecções gastrointestinais e respiratórias recorrentes. Além disso, o aleitamento reduz drasticamente o risco de doenças crônicas na idade adulta, como obesidade, hipertensão, colesterol alto e diabetes. Os prematuros, nascidos antes de 37 semanas de gestação, apresentam alta necessidade nutricional, além de imaturidade metabólica e imunológica.
A pediatra e coordenadora do Banco de Leite Humano do HUPAA (BLH/HUPAA), Maristela Honório, enfatizou que o leite humano é um alimento padrão ouro para o desenvolvimento do bebê. “Através dele, é oferecida proteção imunológica de alto nível nutricional, protegendo contra infecções, além de promover vínculo afetivo, desenvolvimento cognitivo e emocional”, garantiu.
Cada gota doada importa
A amamentação exclusiva é essencial até os seis meses de vida e recomendada até os dois anos de idade ou mais. De acordo com Liane Soares, enfermeira do BLH do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HU-UFMA), um litro de leite pode alimentar até 10 recém-nascidos prematuros por dia. “Essa quantidade pode variar conforme o peso e as necessidades nutricionais de cada bebê”, completou.
A médica Rosane Viana, ginecologista do Hospital Universitário de Brasília, da Universidade de Brasília (HUB-UnB), enfatizou que qualquer gota doada é valiosa. “Um dos mitos mais comuns é acreditar que apenas uma grande quantidade de leite faz diferença. Na UTI Neonatal, um bebê prematuro extremo começa recebendo apenas 1 ml de leite por vez”, reforçou.
Rosane destacou ainda outras barreiras culturais que prejudicam a captação de doadoras. Segundo a especialista, o principal mito é que, se a mãe doar, fará falta para o próprio filho. “Do ponto de vista médico, sabemos que a produção funciona por demanda: quanto mais a mama é esvaziada, mais leite o corpo produz”, esclareceu a médica.
Controle de qualidade do leite doado
Para garantir a segurança dos recém-nascidos, os bancos de leite adotam critérios rigorosos de qualidade. “Se houver resultados insatisfatórios, como contaminação microbiológica; alterações de cor, odor ou aspecto; armazenamento inadequado; leite previamente descongelado ou falhas nas condições de higiene durante a coleta, esse material será descartado”, explicou Liane.
A enfermeira destacou os seguintes critérios para a doação segura:
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A doadora deve estar saudável e em período de amamentação;
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não fazer uso de medicamentos contraindicados;
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não consumir álcool, tabaco ou drogas ilícitas;
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realizar a extração de leite humano com higiene adequada;
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armazenar o leite corretamente, sob congelamento e dentro do prazo recomendado;
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passar por triagem clínica e, quando necessário, exames laboratoriais.
No Dia Mundial da Doação de Leite Humano, a afirmação dos especialistas é unânime: cada gota de leite representa uma chance de vida. “Ver a satisfação das doadoras ao contribuir, presenciar o encontro entre doadoras e receptoras e acompanhar todo o percurso do leite — desde a coleta, processamento até à distribuição — reforça diariamente que doar leite humano é um verdadeiro ato de amor”, finalizou Liane.
Sobre a HU Brasil
Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Por Suzana Gonçalves, com revisão de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social da HU Brasil