Notícias
SAÚDE AMBIENTAL
Crise climática amplia pressão sobre água e saneamento
A crise climática e o aumento da pressão sobre os recursos hídricos devem tornar a água um ativo cada vez mais estratégico nas próximas décadas. O alerta foi feito pelo presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Alexandre Motta, durante a palestra de abertura do Fórum Internacional de Saneamento Ambiental (FISA) 2026, realizada nesta segunda-feira (09/03), em São Paulo. Segundo ele, o cenário global reforça a necessidade de fortalecer políticas públicas de saneamento e saúde ambiental.
Durante a palestra magna, Motta destacou que o mundo vive um cenário de múltiplas crises interligadas – ambientais, econômicas e sociais – e que a gestão sustentável dos recursos naturais tende a se tornar um dos principais desafios das próximas gerações. “É um desafio existencial em uma escala que a humanidade nunca enfrentou”, alertou.
Entre os desafios, o presidente ressaltou a gravidade da crise climática e seus impactos sobre políticas públicas e sobre o próprio debate científico. “Nós todos que estamos envolvidos com o saneamento, nós temos uma crise para chamar de nossa. Nós temos uma crise climática”, salientou.
Ao abordar a centralidade da água nas políticas públicas e na organização da vida social, Motta chamou atenção para a escassez relativa do recurso no planeta. “Só 2,5% da água do mundo é doce, só 0,3% da água está disponível com facilidade, e é com esse 0,3% que nós temos que nos virar”, pontuou.
Para o presidente da Funasa, a água é um elemento transversal para todas as dimensões da vida e da economia. “Absolutamente tudo tem um componente de água”, frisou. “Até nesta sala, ou as coisas que estão nelas são feitas com água ou no processo produtivo você precisa de água.”
Pequenos municípios
O presidente da Funasa também chamou atenção para a realidade dos municípios brasileiros. Dos 5.570 municípios do país, cerca de 88% têm menos de 50 mil habitantes e concentram aproximadamente um terço da população brasileira.
Para essas cidades, que muitas vezes enfrentam limitações técnicas e financeiras para estruturar sistemas de saneamento, o apoio do governo federal é fundamental para viabilizar soluções adequadas de abastecimento de água, esgotamento sanitário, gestão de resíduos e proteção ambiental.
Subfinanciamento e capacidade operacional
Outro ponto abordado na palestra foi o financiamento das políticas de saneamento no país. Motta apresentou dados que indicam baixa participação do setor no orçamento federal ao longo dos anos – de 0,04% do total em 2013 para 0,0072% em 2022.
Além da limitação de recursos, o presidente também chamou atenção para desafios institucionais relacionados à capacidade operacional do setor público, considerando a situação do preenchimento de vagas nos cursos de engenharia. “Nós estamos tendo uma espécie de apagão, que obviamente vai se colocar de forma muito mais pesada daqui a alguns anos”, observou. “Ou seja, não é só o problema do subfinanciamento. É também um problema de perda gradativa de capacidade operacional.”
Articulação e debate
Ao final da palestra, Motta destacou que enfrentar os desafios do saneamento e da crise climática exige articulação entre instituições, governos e sociedade: “Não há como sairmos do buraco isoladamente. Ou sairemos todos juntos, ou naufragaremos todos juntos, abraçados.”
Ele também reforçou a importância de ampliar o debate público sobre o tema. “Nós precisamos trazer para o primeiro plano da disputa de corações e mentes da sociedade brasileira a discussão do saneamento”, incentivou o presidente da Funasa, que recebeu uma homenagem no início do evento como Destaque da Edição do FISA em 2025..
Sobre o FISA 2026
O Fórum Internacional de Saneamento Ambiental reúne especialistas, gestores públicos, pesquisadores e representantes do setor para discutir políticas públicas, inovação e estratégias para ampliar o acesso ao saneamento no Brasil e em outros países.
O FISA é realizado pela Associação Interamericana de Desenvolvimento de Saneamento Ambiental (AIDIS), Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) e Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (CREA-SP), com o apoio de diversas entidades do setor, entre elas a Funasa.
Contato para a imprensa:
Comunicação - Funasa
E-mail: imprensa@funasa.gov.br
Telefone: (61) 3314-6428