Participação comunitária orienta ações de saúde ambiental
Experiências no Paraná envolveram escolas, visitas domiciliares e trabalhadores da coleta na prevenção de riscos
A participação dos moradores e a continuidade das atividades educativas estão entre os fatores que devem ser considerados no planejamento de ações municipais de saúde ambiental. Experiências desenvolvidas no Paraná mostram diferentes formas de envolver escolas, famílias, agentes de saúde e trabalhadores da coleta em iniciativas relacionadas à prevenção de doenças e à destinação adequada dos resíduos.
As ações foram apoiadas pelo Programa de Fomento às Ações de Educação em Saúde Ambiental, da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Os projetos partiram de problemas identificados em cada território e combinaram atividades educativas com a atuação das áreas municipais de Saúde, Educação e Meio Ambiente.
Em Campina da Lagoa, o projeto “Cidade Limpa, Mosquito Zero” abordou a prevenção e o controle do mosquito Aedes aegypti, que transmite os vírus da Dengue, Chikungunya e o Zika. Entre as atividades realizadas em 2023, estavam a capacitação de professores da rede municipal, uma exposição educativa, uma apresentação teatral e oficinas sobre reutilização, reciclagem e destinação adequada de materiais. O convênio foi encerrado em 2025, após o cumprimento das atividades previstas no plano de trabalho.
Ação com escolas - O envolvimento das escolas também fez parte da experiência de Santa Terezinha de Itaipu. Em 2015, cerca de 5,5 mil cartilhas sobre coleta seletiva foram distribuídas a estudantes das redes municipal, estadual e particular. O material apresentava informações sobre classificação dos resíduos, compostagem doméstica, funcionamento da coleta e cuidados com materiais que exigem destinação específica.
A estratégia buscava levar as orientações das salas de aula para as residências. As famílias também receberam calendários da coleta e bolsas destinadas à separação dos recicláveis. Outra frente reuniu catadores da associação municipal em uma capacitação sobre manipulação de materiais, higienização e uso de equipamentos de proteção individual. Um mutirão realizado com a participação da comunidade recolheu dois caminhões de recicláveis que estavam acumulados nas residências.
Cidade Limpa em Palotina - Já em Palotina, o Projeto resultou em mutirões, visitas domiciliares, reuniões comunitárias e atividades com agentes de saúde, de endemias e ambientais. Uma das primeiras ações percorreu mais de 4,8 mil imóveis para recolher recicláveis e outros resíduos sólidos. Os materiais recicláveis foram encaminhados à associação de trabalhadores do município.
O projeto também instalou lixeiras para separação dos resíduos em instituições de ensino, distribuiu materiais educativos e promoveu capacitações. As atividades relacionavam a limpeza dos quintais e a destinação adequada dos resíduos à eliminação de recipientes capazes de acumular água e servir de criadouro para o mosquito.
Dados epidemiológicos reunidos pela equipe responsável pelo projeto mostram que os casos autóctones de dengue em Palotina passaram de 2.725, em 2015, para 634, em 2016, e 74, em 2017. A redução ocorreu no período em que as ações foram realizadas. A variação da dengue, no entanto, também depende de fatores como circulação do vírus, condições ambientais e ações de vigilância e controle.
Educação como rotina - A chefe da Divisão de Saúde Ambiental da Superintendência Estadual da Funasa no Paraná (Disam/Suest-PR), Mirian Cordeiro Martins Gonçalves Pereira, observa que a educação precisa fazer parte da rotina municipal. “Ações educativas não podem ser pontuais. A comunidade precisa entender que a mudança de hábitos tem de ser trabalhada constantemente”, afirma.
A experiência de Palotina foi apresentada por Mirian durante o Congresso Nacional sobre Gestão de Resíduos e Sustentabilidade, realizado final de agosto, em Maringá (PR). A exposição abordou a participação comunitária e a continuidade das ações educativas na prevenção de riscos ambientais e sanitários.
Os registros da Suest-PR apontam experiências semelhantes em Itapejara d’Oeste, Santo Antônio do Sudoeste, Guaíra, Manoel Ribas e Califórnia. Os projetos trataram de temas como coleta seletiva, redução de riscos à saúde, poluição ambiental e práticas relacionadas ao saneamento.
O Programa de Fomento às Ações de Educação em Saúde Ambiental oferece apoio técnico e financeiro a estados, municípios, Distrito Federal e organizações sem fins lucrativos. Os critérios e os prazos para apresentação de propostas são divulgados pela Funasa por meio de portaria, edital, carta-consulta ou outro ato administrativo.
Saiba mais: Programa orienta apresentação de projetos de educação em saúde ambiental


