SAÚDE AMBIENTAL

Diálogo com comunidades orienta cuidados com a água para consumo humano

Experiências no Tocantins e no Amapá associam filtros de barro, dosadores de cloro e educação em saúde ambiental

Publicado em 08/09/2026 14:53
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Pessoas reunidas ao redor de um banner acadêmico da Funasa sobre saneamento e filtros em um evento..
Trabalho mostra projetos de educação em saúde ambiental e uso de filtros de barro e de dosadores artesanais de cloro para manter qualidade da água para consumo humano - Foto: Suest-TO/Funasa

A aceitação do tratamento da água pelas famílias é uma das condições necessárias para que as medidas de prevenção de riscos à saúde sejam incorporadas ao cotidiano. Alterações percebidas no sabor e no odor da água clorada, por exemplo, podem levar à interrupção do tratamento ou à adoção de formas inadequadas de consumo.

Essa relação entre condições técnicas, hábitos locais e participação comunitária orienta experiências desenvolvidas em comunidades rurais e tradicionais do Tocantins e do Amapá. As iniciativas associam educação em saúde ambiental ao uso de filtros de barro e dosadores artesanais de cloro.

As experiências foram apresentadas por servidoras das Superintendências Estaduais da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no Tocantins e no Amapá, na quarta-feira (2/9), durante o 5º Congresso Internacional de Engenharia Ambiental, em Curitiba (PR).

Quilombolas, ribeirinhas e indígenas

O trabalho, intitulado “Saneamento Além do Cano: Dosadores Artesanais e Filtros de Barro como Estratégia de Soberania Hídrica e Justiça Ambiental em Comunidades Rurais do Tocantins e Amapá”, aborda práticas educativas e de prevenção de doenças relacionadas aos cuidados com a água em comunidades quilombolas e ribeirinhas.

As atividades começam com conversas destinadas a identificar as condições de acesso à água, as formas de armazenamento e tratamento utilizadas pelas famílias e as dificuldades encontradas no dia a dia. No Tocantins, as ações são direcionadas principalmente a comunidades quilombolas. No Amapá, abrangem populações ribeirinhas de ambientes fluviais.

A partir dessas informações, as iniciativas combinam orientação às famílias e tecnologias adaptadas às condições locais. O filtro de barro é empregado na retenção de partículas e pode ajudar a reduzir características da água que interferem em sua aceitação. Já o dosador artesanal, confeccionado em PVC, permite aplicar o produto usado na desinfecção de maneira contínua nos reservatórios.

O uso do dosador exige definição correta da quantidade do produto e acompanhamento do cloro residual livre. A desinfecção não substitui os demais cuidados necessários, como proteção da fonte, limpeza dos reservatórios, conservação dos equipamentos e monitoramento da qualidade da água.

Trabalho Educativo

Nas experiências apresentadas, o trabalho educativo busca explicar a finalidade de cada procedimento e favorecer a participação das famílias nos cuidados com a água. A metodologia também permite adaptar a orientação às características culturais, ambientais e sociais de cada território.

Os resultados sanitários estão em fase de validação. Entre os parâmetros acompanhados estão a presença ou ausência de Escherichia coli e a concentração de cloro residual livre. Esses indicadores ajudam a verificar as condições microbiológicas da água e a adequação do processo de desinfecção.

Outro destaque foi a importância da participação comunitária na identificação de problemas e no acompanhamento das soluções. Essa atuação não transfere às famílias a responsabilidade pelo abastecimento, mas amplia o conhecimento sobre os cuidados necessários e favorece a comunicação com os serviços públicos responsáveis.

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Saúde e Vigilância Sanitária
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