Debate relaciona riscos climáticos, gênero e acesso à água
Encontro técnico abordou como desigualdades e características dos territórios interferem na exposição da população aos eventos climáticos
As relações entre mudanças climáticas, desigualdades de gênero, acesso à água e condições de vida em comunidades tradicionais foram discutidas, nesta quinta-feira (27/8), durante o segundo encontro Educação em Pauta. A atividade foi realizada no auditório principal da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), em Brasília.
O debate destacou que os efeitos de secas, enchentes, ondas de calor e outros eventos climáticos não se distribuem de maneira uniforme pela população. Condições de moradia, renda, acesso a serviços públicos, localização do território e responsabilidades pelo trabalho doméstico e de cuidado podem aumentar a exposição de determinados grupos e dificultar sua capacidade de prevenção e resposta.
Participaram da atividade Alessandra Jacobovski, especialista em governança socioambiental e coordenadora-geral de Participação Social e Ações Climáticas do Ministério das Mulheres; Kátia Torres Ribeiro, bióloga e diretora de Ações Socioambientais e de Consolidação Territorial do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); e Diana Jimena, engenheira ambiental, doutora em Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos e consultora do Departamento de Saúde Ambiental da Funasa, que mediou o debate.
Desigualdades de gênero
A primeira apresentação, conduzida pelo Ministério das Mulheres, abordou como as desigualdades de gênero podem interferir nas consequências dos eventos climáticos. Entre os aspectos discutidos estiveram a sobrecarga das atividades de cuidado, as dificuldades de acesso à água e a serviços públicos e os riscos enfrentados por mulheres em situações de emergência.
Nos domicílios sem abastecimento de água próximo à residência, por exemplo, a responsabilidade pela coleta costuma recair principalmente sobre mulheres e meninas. Em períodos de seca ou de comprometimento das fontes disponíveis, o aumento da distância e do tempo necessário para obter água pode afetar outras atividades cotidianas, como estudo, trabalho, produção de alimentos e cuidado com familiares.
A apresentação também tratou da necessidade de considerar as diferentes condições da população nas etapas de prevenção, resposta e reconstrução relacionadas a eventos climáticos. A análise dessas condições pode ajudar a identificar grupos mais expostos e orientar medidas de proteção, atendimento e comunicação de risco.
Características dos territórios
Na sequência, a apresentação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) abordou a realidade de famílias que vivem em unidades de conservação federais, especialmente povos e comunidades tradicionais.
As grandes distâncias, as dificuldades de deslocamento e as limitações de acesso a água potável, saneamento, energia, educação e atendimento de saúde estão entre os fatores que precisam ser considerados na análise das vulnerabilidades desses territórios. Em períodos de estiagem ou de alteração dos ciclos dos rios, essas condições também podem dificultar o transporte de pessoas, alimentos e outros itens necessários às comunidades.
O encontro ressaltou a importância dos diagnósticos territoriais e da coleta de informações sobre as famílias. Esses dados permitem identificar necessidades, estabelecer prioridades e avaliar quais soluções de abastecimento de água e saneamento são mais adequadas às características ambientais, sociais e culturais de cada localidade.
Também foi discutida a participação das comunidades no levantamento dos problemas e na definição das respostas. O conhecimento sobre as fontes de água, as formas de deslocamento, os períodos de cheia e seca e os modos de produção e organização local pode complementar as informações técnicas utilizadas no planejamento das ações.
O Educação em Pauta é organizado pela Coordenação-Geral de Educação em Saúde Ambiental (CGesa), do Departamento de Saúde Ambiental (Desam) da Funasa. A edição teve como tema “Clima sob a Perspectiva de Gênero” e deu continuidade à programação iniciada em junho.

