SAÚDE NOS TERRITÓRIOS

Acordo prevê sistemas para tratamento de água em comunidades quilombolas

Iniciativa inclui capacitação de mulheres para operação, manutenção e vigilância da qualidade da água

Publicado em 10/09/2026 14:38Modificado há 10 dias
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Caixa d'Água azul em cima de estrutura de madeira pintada de branco.
Salta-Z é destinada principalmente a pequenas comunidades que não têm acesso ao abastecimento convencional - Foto: Edmar Chaperman/Funasa

Duzentos sistemas alternativos de tratamento de água serão implantados em comunidades quilombolas das regiões Norte e Nordeste, com a capacitação de pelo menos 2 mil mulheres para participar da operação, da manutenção e da vigilância da qualidade da água. As ações estão previstas no Acordo de Cooperação Técnica (ACT) nº 41/2026, firmado entre a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e o Ministério das Mulheres.

Com plano de trabalho de 24 meses, a iniciativa será desenvolvida entre 2026 e 2028, tendo como meta estabelecer a gestão comunitária em todos os sistemas implantados, com mulheres capacitadas para acompanhar o funcionamento das unidades e identificar necessidades de manutenção.

A implementação do acordo foi divulgada na terça-feira (8/9), durante reunião virtual do II Fórum para Diálogo da Promoção de Estratégias de Fortalecimento de Políticas Públicas para as Mulheres Quilombolas.

Um dos principais desafios dos sistemas de abastecimento de água no meio rural é manter a gestão depois da implantação. A formação das mulheres quilombolas busca resolver essa questão, ampliando a participação da comunidade na operação e no controle social dos sistemas implantados.

Solução alternativa

A tecnologia prevista é a Solução Alternativa Coletiva Simplificada de Tratamento de Água com Zeólita, conhecida como Salta-Z. Desenvolvida por técnicos da Funasa, ela é destinada principalmente a pequenas comunidades que não têm acesso a sistemas convencionais de abastecimento.

A Salta-Z utiliza filtração com zeólita e pode ser indicada para águas com turbidez ou teores elevados de ferro e manganês. A unidade reúne equipamentos de tratamento e armazenamento e deve ser adaptada às características da fonte utilizada em cada localidade.

Antes de entrar em funcionamento, são necessárias análise da água e capacitação de operadores para cada unidade. Depois, o tratamento precisa ser acompanhado para verificar se a água atende aos padrões de potabilidade.

Seleção das comunidades

Os territórios atendidos serão definidos a partir da indicação de comunidades quilombolas sem acesso adequado à água para consumo humano. O Ministério das Mulheres vai reunir informações sociais e territoriais das localidades, enquanto a Funasa fará a análise técnica para verificar as condições de implantação.

Nessa etapa, será feita análise da água disponível, da possibilidade de captação, do número de moradores e das condições locais para manter o sistema em funcionamento. O resultado indicará se a Salta-Z é adequada para a localidade ou se será implantada outra solução.

A Funasa e o Ministério das Mulheres atuarão conjuntamente na mobilização de parcerias com instituições públicas e privadas, a fim de viabilizar economicamente a implantação dos sistemas.

Formação das mulheres

Mulheres quilombolas vão receber capacitação técnica para atuar diretamente na operação e na manutenção dos sistemas, na gestão comunitária e na vigilância da qualidade da água. A medida tem o objetivo de agilizar as ações para acompanhamento e manutenção dos sistemas, quando forem necessárias. A formação também deverá abordar o controle social e a organização coletiva nos territórios.

A Funasa ficará responsável pelas atividades técnicas de planejamento, definição das soluções adequadas e preparação das mulheres para operação, manutenção e monitoramento. O Ministério das Mulheres participará da identificação e da mobilização das comunidades, além de ações voltadas à organização coletiva e à presença das mulheres na gestão dos sistemas.

A implantação deverá começar por 40 comunidades quilombolas. Essa etapa está relacionada a uma cooperação da Funasa com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado do Ceará (IFCE), envolvendo 150 comunidades, ainda em elaboração.

Após a implantação, Funasa e Ministério das Mulheres acompanharão o funcionamento das unidades, a qualidade da água e a gestão comunitária. O monitoramento permitirá verificar o cumprimento das metas e as condições de continuidade dos sistemas nos territórios.

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Saúde e Vigilância Sanitária
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