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Encontro no CTI avança cooperação em tecnologias quânticas para Defesa
O CTI Renato Archer recebeu, na última quarta-feira (16), o IV Encontro Nacional de Tecnologias Quânticas para Defesa, que reuniu representantes das Forças Armadas, de instituições públicas e de pesquisa, da academia, da indústria e do ecossistema de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). O encontro marcou a assinatura de um Memorando de Entendimento entre o Exército Brasileiro e o CTI Renato Archer para parceria no Projeto de Estado Aurora.
Realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em conjunto com o Exército Brasileiro, por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT), o evento promoveu debates sobre comunicação, computação e sensoriamento, além dos desafios para o desenvolvimento de capacidades nacionais em tecnologias quânticas.
A programação foi organizada em quatro painéis temáticos: aspectos político-estratégicos; fomento à indústria, pesquisa e projetos de Estado em Ciência e Tecnologia; perspectivas futuras em TIC; e academia e unidades de pesquisa. Entre os temas debatidos estiveram a comunicação quântica e a integração das competências existentes nas Forças Armadas, nas unidades de pesquisa, nas universidades e no ecossistema nacional de TIC.
Projeto Aurora
Um dos principais resultados do encontro foi a formalização da parceria para o AURORA — Arquitetura Unificada de Redes Optoeletrônicas de Resiliência Avançada. Proposto pelo CTI Renato Archer, o projeto busca desenvolver capacidades nacionais de segurança da informação a partir de redes de comunicação quântica.
A proposta foi apresentada como uma arquitetura aberta à participação de diferentes instituições. O princípio é partir das necessidades a serem atendidas para, então, definir tecnologias, requisitos, arquiteturas, protótipos e processos de experimentação. A produção de evidências ao longo desse percurso deverá contribuir para identificar quais soluções podem avançar, ser aperfeiçoadas ou reorientadas.
Nesse arranjo, o CTI deverá exercer a coordenação técnico-científica, articulando as competências tecnológicas necessárias ao projeto, enquanto a área de Defesa terá atuação relacionada às aplicações operacionais e à segurança cibernética. A proposta envolve ainda a integração entre pesquisa científica, engenharia e necessidades estratégicas.
Inicialmente, o AURORA prevê a possibilidade de estabelecer comunicação quântica operacional nos trechos Campinas–São Paulo e Recife–João Pessoa. O objetivo é desenvolver segurança da informação como uma capacidade nacional voltada ao cidadão, à Defesa e à proteção de infraestruturas críticas.
Tecnologias com aplicações civis e de Defesa
As discussões mostraram que as aplicações das tecnologias envolvidas não se restringem à área militar. As mesmas capacidades relacionadas à proteção das comunicações estratégicas podem contribuir para telecomunicações mais resilientes, governo digital e proteção de infraestruturas críticas, como sistemas de energia, setor financeiro e centros de dados.
O encontro também destacou a importância de integrar competências que o país já possui. Pesquisadores, engenheiros, universidades, unidades de pesquisa e diferentes infraestruturas científicas formam uma base que pode contribuir para a construção de soluções nacionais em tecnologias quânticas. O desafio apontado nos debates é aproximar essas capacidades e estabelecer conexões entre ciência, engenharia, pesquisa e aplicações.
Segurança no cenário pós-quântico
A segurança das comunicações ocupou espaço relevante nos debates. O avanço da computação quântica cria novas possibilidades, mas também traz desafios para determinados métodos criptográficos utilizados atualmente na proteção de redes, sistemas e informações. A preparação para esse cenário exige planejamento e identificação das infraestruturas que precisarão passar por processos de transição tecnológica.
Nesse contexto, a criptografia pós-quântica foi discutida como uma das alternativas para preparar sistemas digitais para novas ameaças. Outro risco abordado foi o chamado harvest now, decrypt later, no qual informações criptografadas podem ser coletadas atualmente e armazenadas para uma tentativa de decifração futura, quando houver capacidade computacional suficiente.
A realização do IV Encontro no CTI Renato Archer contribuiu para aproximar instituições envolvidas com pesquisa, desenvolvimento tecnológico, comunicações e Defesa e avançar a articulação de competências nacionais em uma área considerada estratégica para a segurança da informação.
O evento foi transmitido pelo Youtube, e a gravação integral está disponível para consulta.

