Pré-Seca 2026 fortalece planejamento para enfrentamento da estiagem na Amazônia
Belém (PA), 25/06/2026 – O Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) realizou, nesta quinta-feira (25), em Belém (PA), a 5ª edição do evento "Pré-Seca: Análise e Prognóstico Hidrometeorológico", iniciativa que se consolidou como o principal fórum técnico de preparação para o período de estiagem na Amazônia. O encontro reuniu especialistas, pesquisadores, instituições de monitoramento, órgãos federais e representantes das Defesas Civis estaduais e municipais para avaliar o cenário hidrológico e climático da região e produzir prognósticos que orientarão o planejamento das ações governamentais ao longo dos próximos meses.
Mais do que apresentar previsões sobre o comportamento dos rios e do clima, o Pré-Seca tem como finalidade antecipar cenários críticos e oferecer informações qualificadas que permitam aos gestores públicos agir preventivamente. Os estudos apresentados subsidiam decisões relacionadas ao abastecimento de comunidades isoladas, à manutenção da navegabilidade, ao planejamento logístico de atendimento às populações ribeirinhas, à segurança hídrica, à saúde pública, ao setor energético e às ações de proteção e defesa civil.

Na abertura do evento, o Diretor-Geral do Censipam, Richard Fernandez Nunes, destacou que a iniciativa representa um dos mais importantes instrumentos de inteligência ambiental do País para o enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas na Amazônia.
"Um evento como o Pré-Seca é importante para o Censipam, para toda a Amazônia e, por que não dizer, para todo o Brasil. Esta é a quinta edição em que realizamos a análise e o prognóstico hidrometeorológico dos rios amazônicos, um trabalho de grande relevância para compreender o comportamento das bacias durante o período de estiagem", afirmou.
Segundo o Diretor-Geral, a evolução dos modelos estatísticos e da capacidade de processamento de dados do Censipam vem proporcionando prognósticos cada vez mais precisos, permitindo que governos e instituições parceiras adotem medidas preventivas com maior antecedência e reduzam os impactos sociais, econômicos e ambientais provocados pelas secas severas.
Também participaram da abertura o Diretor Operacional do Censipam, Marcelo Goñes Sabbá de Alencar, e a Coordenadora-Geral de Monitoramento Ambiental, Edileuza de Melo Nogueira, além de autoridades civis e militares e representantes de instituições parceiras.

A programação técnica teve início com a palestra "Análise e Prognóstico Hidrológico para a Amazônia: Estiagem de 2026", ministrada pelo analista de Ciência e Tecnologia do Censipam, Flávio Altieri, que apresentou o panorama hidrológico das principais bacias amazônicas e as perspectivas para os próximos meses.
Durante sua exposição, Altieri ressaltou que o Pré-Seca desempenha papel fundamental ao integrar diferentes instituições responsáveis pelo monitoramento ambiental, permitindo a construção de diagnósticos conjuntos que apoiam diretamente o planejamento das Defesas Civis estaduais e municipais.
Ao longo do dia, especialistas de diversas instituições participaram de quatro mesas-redondas dedicadas aos principais desafios da estiagem na Amazônia.
A primeira reuniu representantes do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Serviço Geológico do Brasil (SGB), da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), do Laboratório de Climatologia (LabClim) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que discutiram diagnósticos e prognósticos hidrológicos, com foco nos níveis e vazões dos rios amazônicos e seus reflexos sobre a navegação, o abastecimento e a geração de energia.
Na sequência, especialistas do Censipam e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apresentaram análises climáticas para o período de estiagem, abordando cenários de precipitação, temperatura e ocorrência de eventos extremos.

A terceira mesa reuniu pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e da Universidade Federal do Pará (UFPA), que compartilharam estudos científicos voltados à modelagem climática e ao desenvolvimento de metodologias para previsão de secas na região.
Encerrando a programação técnica, representantes das Defesas Civis do Acre, Amazonas, Rondônia e Pará, juntamente com o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), promoveram um balanço das secas extremas registradas em 2023 e 2024, apresentando lições aprendidas, desafios enfrentados e estratégias para ampliar a capacidade de preparação e resposta dos órgãos públicos.
Ao reunir ciência, tecnologia, monitoramento ambiental e experiência operacional em um único ambiente de cooperação, o Pré-Seca 2026 reafirmou seu papel como uma ferramenta estratégica para o Estado brasileiro. A integração entre instituições de pesquisa, órgãos ambientais, infraestrutura, energia, transporte, recursos hídricos e defesa civil fortalece a capacidade de antecipar cenários críticos e orientar políticas públicas capazes de reduzir os impactos das estiagens sobre a população amazônica.

O encerramento foi conduzido pelo gerente regional do Censipam em Belém, que agradeceu a participação dos palestrantes, moderadores e representantes institucionais, destacando que a construção coletiva do conhecimento e a cooperação interinstitucional são elementos essenciais para o enfrentamento dos desafios hidrometeorológicos da Amazônia e para o fortalecimento da resiliência da região diante dos eventos climáticos extremos.
Por Cleber Ribeiro
Fotos: CCOM/Censipam
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