Do CBPF ao Nobel: físico brasileiro acumula prêmios e amplia pesquisa para neurociências

Publicado em 12/06/2026 10:20Modificado há 18 dias
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O físico e pesquisador emérito do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), Constantino Tsallis, ao longo de sua trajetória, acumula reconhecimentos internacionais que colocam uma teoria nascida no Brasil no centro do debate científico mundial. Em julho deste ano, ele receberá o Prêmio SigmaPhi na conferência SigmaPhi 2026, realizada de 6 a 10 de julho na Grécia, uma das mais importantes distinções da física estatística e de sistemas complexos, concedida pelas contribuições que transformaram a compreensão dessas áreas nas últimas décadas.

O reconhecimento não para por aí: em 2027, Tsallis, ao lado de Roman Pasechnik, professor da Lund University, será copresidente do Simpósio Nobel de Física, em Lund, na Suécia. Com o tema “Beyond Boltzmann: Complexity, Memory and Non-additive Entropies”, o evento trará para o debate as chamadas entropias não aditivas, conceito associado à generalização da teoria estatística proposta pelo próprio Tsallis, em 1988.

A distinção confirma a relevância global da Estatística de Tsallis, formulação que o físico propôs há quase 40 anos como uma generalização da entropia clássica de Boltzmann-Gibbs. A teoria descreve sistemas marcados por forte não-linearidade, correlações de longo alcance e memória temporal prolongada – características presentes em fenômenos como o funcionamento do cérebro, transtornos mentais, dinâmica de epidemias e modelagem climática, que a física estatística tradicional não consegue capturar com precisão.

Da física ao cérebro: nova parceria com a Fiocruz

É justamente esse alcance da teoria que motiva uma nova frente de trabalho. No último mês, Tsallis esteve na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para uma agenda de diálogos voltados à criação do Núcleo de Complexidade em Neurociências e Saúde. O encontro reuniu o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, as vice-presidentes, Alda Maria da Cruz e Marly Cruz, e pesquisadores da área de neurociência, Cecília Hedin-Pereira, Dimitri Abramov e Luciana S. Garbayo, além de Fabricio Silva e Bruno Duarte, da Universidade Federal do Pará (UFPA), que já colaboram diretamente com o físico.

O objetivo é estruturar uma cooperação transdisciplinar entre físicos, neurocientistas e biomédicos, com a perspectiva, no futuro, de um Instituto de Neurociência na fundação.

O simpósio que prepara o Nobel

A primeira ação concreta dessa parceria será o Simpósio sobre Sistemas Complexos, organizado pela Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas da Fiocruz em outubro deste ano. O evento reunirá cientistas internacionais para aproximar diferentes campos de pesquisa em torno do tema e funcionará também como a preparação brasileira para o Simpósio Nobel de Física de 2027.

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