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“Desde o primeiro dia me fizeram sentir em casa”, diz mestrando chileno sobre estágio no CBPF
Quando Daniel Quezada Muñoz chegou ao Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro, ele tinha apenas um objetivo: realizar um estágio e aprender do zero a programar FPGAs (Field-Programmable Gate Array ou Arranjo de Portas Programáveis em Campo) – dispositivos eletrônicos capazes de processar dados em tempo real com velocidade superior à dos sistemas convencionais – e entender como essa tecnologia pode ser aplicada à instrumentação de comunicação quântica.
Mestrando da Universidade de Bío-Bío, no Chile, no curso de Automação e Conversão de Energia, Daniel veio ao instituto por meio de uma parceria entre seu orientador Álvaro Alarcón, o professor Gustavo Cañas – os dois de sua universidade – e o tecnologista do CBPF Luis Mendes, que trabalha com FPGAs há cerca de 19 anos.
No CBPF, integrou um projeto de detecção e contagem de fótons já em andamento no laboratório de Tecnologias Quânticas, trabalhando com um interferômetro Sagnac – dispositivo óptico que divide um feixe de luz em dois percursos circulares opostos e, ao reuni-los, analisa o padrão de interferência resultante para detectar e medir a rotação angular de um objeto – e placas Xilinx de alta performance – placas de desenvolvimento com chips FPGA.
Além de programar os dispositivos para sincronizar componentes ópticos com alta precisão, desenvolveu interfaces gráficas para monitorar e operar as variáveis do experimento em tempo real. Para o aluno, ter acesso a esses equipamentos foi primordial para o avanço da sua pesquisa: “O uso desses recursos foi fundamental para aplicar a lógica já programada em um sistema físico real”.
Além do laboratório
Após cerca de um mês de formação intensiva com Luis Mendes, Daniel já pode auxiliar na 9ª Escola Avançada de Física Experimental (EAFExp), dando suporte nas aulas iniciais de programação de FPGAs — uma oportunidade que o próprio tecnologista considerou parte essencial do processo de formação. “Muitas vezes, o aprendizado se consolida justamente quando o aluno passa para o outro lado, ajudando a explicar e orientar os colegas”, explica Mendes. Daniel também acompanhou como aluno o módulo de Instrumentação de Partículas II, ampliando seu contato com técnicas de aquisição de dados e detecção.
O aprendizado técnico se une a uma experiência humana que Daniel descreve com muito entusiasmo: “Além do técnico, levo uma experiência incrível. Desde o primeiro dia me fizeram sentir em casa, todos que passaram por meu caminho estiveram dispostos a ensinar e ajudar. Foi um prazer conhecer pessoas tão admiráveis”, declara.
Uma ponte entre Brasil e Chile
O impacto da sua estadia no Rio já ganha espaço no Chile. Os conhecimentos adquiridos aqui serão aplicados na sua dissertação de mestrado, focada no desenvolvimento de uma plataforma para interferômetros quânticos, além de transmitir as técnicas para os demais alunos da Universidade de Bío-Bío: “Esse estágio também me permite retornar com recursos práticos para fortalecer a formação acadêmica e os projetos de pesquisa na minha universidade”.
A colaboração entre o CBPF e a Universidade de Bío-Bío vai além deste estágio, abrindo caminho para novas frentes em comunicação e criptografia quântica – em articulação com a Rede-Rio Quântica – e um horizonte ainda mais amplo: a participação dos países no SWGO, novo observatório de raios gama projetado para San Pedro de Atacama, no Chile, cuja construção representa uma oportunidade estratégica para ampliar a cooperação entre Brasil e Chile em instrumentação científica e astrofísica de altas energias.
A iniciativa do estágio marca um momento importante, não apenas para a carreira de Daniel, mas também para a colaboração internacional entre os institutos – conectando pesquisa de ponta brasileira a uma nova geração de pesquisadores e pesquisadoras do Chile.
