Ciência para além dos laboratórios: alunas da Baixada Fluminense visitam o CBPF

Em outubro, estudantes de escolas da região participaram de atividades com pesquisadoras e pesquisadores, conheceram laboratórios e tiveram contato com diferentes formas de produzir e compartilhar conhecimento científico.

Publicado em 04/11/2026 16:05
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Como é o trabalho de uma cientista? Que perguntas movem uma pesquisa? Como o conhecimento produzido nos centros de pesquisa chega à sociedade? Ao longo de outubro, alunas de escolas da Baixada Fluminense estiveram no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) para buscar respostas a essas e outras perguntas. Em duas visitas realizadas em parceria com o programa “Tem Menina no Circuito”, as estudantes participaram de palestras com pesquisadoras e pesquisadores e conheceram laboratórios da instituição.

No dia 13 de outubro, estudantes do CIEP Gelson Freitas, em Mesquita, assistiram à palestra de Nina da Hora, pesquisadora da área de computação, que discutiu a relação entre ciência, comunicação e plataformas digitais. No dia 29 de outubro, foi a vez de alunas do Instituto de Educação Professor Carlos Pasquale, em Nilópolis, participarem de uma palestra da pesquisadora do CBPF Tatiana Rappoport, que falou sobre o trabalho de uma cientista e física. Elas também conheceram laboratórios da instituição.

Mais do que apresentar temas científicos, as atividades abriram espaço para que as estudantes se aproximassem de quem faz ciência e conhecessem ambientes de pesquisa que, muitas vezes, parecem distantes de seu cotidiano. O contato com pesquisadoras e pesquisadores também possibilita ampliar as referências sobre a carreira científica e os diferentes caminhos que podem levar meninas à pesquisa.

alunas durante visita ao Laboratório Multiusuário de Nanociência e Nanotecnologia (LABNANO)
Visita ao Laboratório Multiusuário de Nanociência e Nanotecnologia (LABNANO) - Crédito: NCS/CBPF

Compartilhar conhecimento também é fazer ciência

Na palestra Ciência em praça pública: divulgar quando o algoritmo decide o que é conhecimento, Nina da Hora chamou a atenção para as transformações na circulação de informações em um mundo mediado por plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial. Os algoritmos influenciam os conteúdos que chegam às pessoas, enquanto a linguagem e os formatos utilizados podem facilitar ou dificultar o acesso ao conhecimento.

A pesquisadora também apresentou iniciativas que buscam tornar a computação mais acessível, como o canal Computação sem Caô, criado para explicar conceitos da área em linguagem simples. A proposta parte de uma questão fundamental: a ciência não deve se restringir ao diálogo entre especialistas. Para cumprir seu papel social, precisa também encontrar formas de conversar com quem está fora dos ambientes acadêmicos.

Palestrante Nina da Hora
Palestra de Nina da Hora - Crédito: NCS/CBPF

Ao falar sobre a relação entre pesquisa e divulgação científica, Nina resumiu sua perspectiva: “Eu não consigo fazer ciência sem fazer divulgação.” A comunicação, para ela, não deve ser compreendida como uma etapa acessória, realizada apenas depois da pesquisa, mas intrínseca ao próprio processo de construir e compartilhar conhecimento.

A discussão sobre a circulação e o acesso à informação científica também se relaciona com a proposta das visitas ao CBPF: aproximar a ciência de novos públicos, criando oportunidades para que estudantes conheçam os espaços de pesquisa, conversem com quem produz conhecimento e descubram diferentes áreas de investigação.

Para Júlia de Assis, por exemplo, conhecer o LabNano – o Laboratório Multiusuário de Nanociência e Nanotecnologia é um centro de pesquisa avançada focado na fabricação e caracterização de materiais na nanoescala – foi uma das experiências mais marcantes. “Eu gostei mais do LabNano porque ele mostra as coisas bem de pertinho. São partes que a gente não consegue identificar a olho nu. Vai muito além do que eu imagino, do que a gente pode imaginar”, contou.

Meninas conhecendo a ciência por dentro

A parceria com o programa Tem Menina no Circuito contribui para aproximar estudantes da Baixada Fluminense da pesquisa científica e de mulheres que atuam nessa área. O contato com pesquisadoras e com os espaços em que os experimentos e estudos são realizados permite conhecer a ciência para além de livros e aulas, mostrando-a como uma trabalho movido por perguntas e construído coletivamente.

Para algumas estudantes, a experiência também ajudou a ampliar as possibilidades imaginadas para o futuro. Gabriella Martins, que já se interessava pela área de exatas e pensava em cursar Matemática, conta que a participação no projeto a levou a considerar a pesquisa científica como caminho profissional. “De uns tempos para cá, depois de entrar no Circuito, eu comecei a pensar mais em pesquisa também. [...] Agora, aqui, eu estou realmente considerando ir para pesquisa.”

Alunas do Instituto de Educação Professor Carlos Pasquale
Visita de alunas do Instituto de Educação Professor Carlos Pasquale - Crédito: NCS/CBPF

O contato com mulheres atuando em diferentes áreas da ciência também teve significado para as estudantes. Victoria Santos, que pensa em seguir carreira na Medicina, destacou a importância de encontrar essas referências: “Ver tantas mulheres aqui dentro trabalhando e atuando em diferentes áreas foi muito bonito pra mim.”

Ao conhecerem diferentes áreas, conversarem com cientistas e observarem de perto o trabalho realizado no CBPF, as meninas podem descobrir novos interesses e reconhecer que também podem fazer parte da construção do conhecimento científico. Iniciativas como essa ajudam a criar oportunidades para que a ciência seja vista não apenas como um conteúdo estudado na escola, mas como um campo de atuação, descoberta e possibilidades para o futuro.

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Ciência e Tecnologia
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