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Fortalecimento da vigilância das infecções sexualmente transmissíveis: Brasil avança com novas estratégias
Na última semana, ocorreu o Encontro Nacional de Fortalecimento da Vigilância Integrada da Sensibilidade do Gonococo aos antimicrobianos, em Florianopólis/SC. Reunindo cerca de 70 pessoas, o evento marcou o início de um projeto piloto para a implementação de fitas de gradiente de concentração no âmbito do SenGono – Sentinela do Gonococo, que monitora a sensibilidade do gonococo aos antimicrobianos no Brasil há mais de 10 anos. A inclusão desta nova técnica visa fomentar não somente os dados de vigilância, como também contribuir para melhoria do cuidado das pessoas com gonorreia.
O evento teve como objetivo principal qualificar as equipes dos sítios sentinelas, que são as unidades de saúde responsáveis pela Vigilância Sentinela da Síndrome do Corrimento Uretral. Os sítios sentinela também auxiliam no monitoramento da susceptibilidade de Neisseria gonorrhoeae (NG) aos antimicrobianos, ou seja, como a bactéria reage aos medicamentos para o tratamento da gonorreia. Esse acompanhamento, estabelecido por meio de portaria, é uma estratégia para melhorar o diagnóstico e o tratamento, criar novas orientações clínicas e desenvolver ações de saúde pública eficientes no Brasil.
Para Maria Luiza Bazzo, coordenadora do Laboratório de Referência em Infecções Sexualmente Transmissíveis no Brasil, o Laboratório de Biologia Molecular, Microbiologia e Sorologia da Universidade Federal de Santa Catarina (LBMMS/UFSC), o encontro representou um passo importante para o fortalecimento da vigilância da resistência antimicrobiana no país.
“Esse evento é um espaço fundamental para a troca de experiências entre os serviços que integram o SenGono, permitindo alinhar práticas, compartilhar desafios e aprimorar estratégias. Essa integração é essencial para avançarmos na vigilância do corrimento uretral, do monitoramento da resistência do gonococo aos antimicrobianos e fortalecer a capacidade do país de responder de forma rápida e qualificada a esse importante problema de saúde pública”, destacou Maria Luiza Bazzo.
A nova técnica apresentada no evento é uma iniciativa do Ministério da Saúde e do LBMMS/UFSC, no âmbito da estratégia SenGono, e conta com a parceria e apoio do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Centro Colaborador da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Gonorreia e outras IST (Örebro/Suécia). Durante o encontro, a equipe técnica do LBMMS/UFSC também realizou um treinamento prático sobre o protocolo a ser utilizado no projeto piloto.
Segundo a coordenadora-geral de Vigilância das Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, Pâmela Gaspar, (Cgist/Dathi/SVSA/MS,) o Brasil está comprometido com vigilância da resistência do gonococo aos antimicrobianos. "Com a implementação piloto desta nova metodologia na estratégia SenGono de forma complementar às análises que já são feitas, nossos serviços terão mais autonomia e as pessoas serão melhor assistidas. Com a redução do tempo necessário para determinar o perfil de sensibilidade do gonococo aos antimicrobianos, será possível ajustar os tratamentos, quando for necessário, bem como investigar in loco casos suspeitos de resistência. Isso é muito importante, pois apesar das bactérias Neisseria gonorrhoeae que circulam no Brasil ainda responderem ao tratamento preconizado nas diretrizes nacionais, já há evidências de casos no mundo de resistência do gonococo às terapias disponíveis”, explicou.
O Brasil integra redes internacionais como a Rede Latino-Americana de Resistência aos Antimicrobianos (ReLAVRA), coordenada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), e os programas Gonococcal Antimicrobial Surveillance Program (GASP) e Enhanced Gonococcal Antimicrobial Surveillance Program (EGASP) da OMS, o que reforça seu compromisso com o fortalecimento da vigilância.
Organizado pelo Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi/SVSA/MS) em parceria com o LBMMS/UFSC, o encontro contou com a colaboração de instituições como a Global Antibiotic Research and Development Partnership (GARDP), os CDC do Brasil e dos EUA, e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Representantes da Coordenação Geral de Laboratórios (CGLAB/SVSA/MS), da Opas e do Centro Colaborador da OMS em Gonorreia e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis estiveram presentes, juntamente com profissionais clínicos e de laboratório que atuam nos Sítios Sentinelas para Vigilância do Corrimento Uretral no Brasil.