Integração de dados melhora monitoramento da mortalidade por tuberculose no Brasil
Estudo apresentado no MedTrop 2026 analisou registros de casos e óbitos entre 2001 e 2024 e identificou redução das diferenças entre as bases de dados

A integração de informações sobre casos e óbitos tem ampliado a capacidade de análise da mortalidade por tuberculose no Brasil. O tema foi apresentado durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop 2026), em Brasília, a partir de estudo que relacionou dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) entre 2001 e 2024. O relacionamento das bases permitiu analisar cerca de 118 mil óbitos por tuberculose como causa básica e mais de 2 milhões de casos notificados no período.
A análise identificou redução da diferença entre os registros dos dois sistemas ao longo da série histórica, indicando maior correspondência entre as informações de casos e óbitos. O SIM reúne dados sobre os óbitos ocorridos no país e permite a construção de indicadores para análises epidemiológicas, enquanto o Sinan concentra informações sobre doenças e agravos de notificação compulsória. A utilização conjunta dessas fontes permite ampliar a compreensão do cenário da tuberculose e apoiar o monitoramento da situação epidemiológica.
“Quando conseguimos relacionar as informações de casos e óbitos, temos uma visão mais completa da trajetória da doença. Isso permite identificar onde estão as diferenças entre os sistemas e produzir análises mais precisas sobre a mortalidade por tuberculose”, afirmou Luiz Henrique Arroyo, consultor técnico da Coordenação-Geral de de Vigilância da Tuberculose, Micoses Endêmicas e Micobactérias Não Tuberculosas, do Departamento de Doenças Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde (CGTM/Dathi/SVSA/MS).
Além da integração das bases, o estudo analisou a evolução da mortalidade ao longo de 24 anos. Os resultados apontaram redução entre 2001 e 2012, estabilidade até 2020 e mudança de tendência a partir daquele ano. Também foram identificadas diferenças entre as unidades federativas, reforçando a importância da análise territorial para compreender a dinâmica da doença no país.
O relacionamento entre diferentes fontes de informação integra as estratégias de monitoramento epidemiológico da tuberculose. O Ministério da Saúde disponibiliza dados e indicadores sobre a doença, incluindo séries históricas de casos, óbitos e coeficientes de mortalidade por Brasil, regiões e unidades da Federação.
Os dados apresentados no congresso também permitem acompanhar mudanças no perfil da mortalidade e subsidiar novas análises sobre os fatores associados aos óbitos por tuberculose. A integração e a qualificação das informações contribuem para ampliar o conhecimento sobre a situação epidemiológica e para o planejamento das ações de vigilância e cuidado relacionadas à doença.
João Moraes
Ministério da Saúde