Saúde promove diálogo sobre prevenção e cuidado integral no I Summit de HTLV
Evento em alusão ao Dia Nacional de Enfrentamento do HTLV reúne pesquisadores(as), gestores e sociedade civil para fortalecer políticas públicas no SUS
Com o objetivo de visibilizar a pauta sobre o vírus linfotrópico de células T humanas (HTLV), foi realizado, na segunda-feira (23), o I Summit de HTLV, em São Paulo. O encontro, que marca o Dia Nacional de Enfrentamento ao HTLV, reuniu pesquisadores(as) nacionais e internacionais, gestores(as) e representantes da sociedade civil para debater o fortalecimento da prevenção e de linhas de cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS).
Realizado pelo Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP) USP Retrovírus e pelo Instituto de Infectologia Emílio Ribas, o evento contou com o apoio do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi/SVSA/MS) e do Centro de Referência e Treinamento em IST/Aids – Programa Estadual de IST/aids de São Paulo (CRT/DST/AIDS-SES-SP). Em formato híbrido, a programação foi acompanhada por profissionais de assistência, da gestão, pesquisadores e pessoas vivendo com HTLV de todo o país.
Para a coordenadora-geral de Vigilância das Infecções Sexualmente Transmissíveis (Cgist), Pâmela Gaspar, o evento é um marco na construção de políticas mais inclusivas. "O I Summit de HTLV representa um passo fundamental para consolidarmos a prevenção e o cuidado integral de HTLV como prioridade. Nosso foco é garantir que a prevenção e o diagnóstico cheguem em tempo oportuno, e que a linha de cuidado seja efetiva em todos os locais, respeitando as necessidades de quem vive com o vírus e promovendo a saúde em todos os ciclos da vida ", afirmou a coordenadora.
A programação foi estruturada em cinco eixos temáticos que abordaram desde o diagnóstico até o manejo de condições complexas, como a Mielopatia Associada ao HTLV (HAM) e a Leucemia/Linfoma Associado ao HTLV (ATLL). Também foi realizado debate sobre o cuidado integral às gestantes e às crianças expostas, reforçando as recentes orientações do Ministério da Saúde para a prevenção da transmissão vertical.
Além das discussões técnicas, o evento destacou o papel do ativismo, com a participação de ativistas de diversos locais do país, e com o lançamento do livro Pulsante, de Erika Archanjo. A obra relata sua trajetória desde a descoberta da infecção até o engajamento na Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HTLV (RNHTLV). Relatos de experiências de diversos estados também demonstraram o processo de implementação de linhas de cuidado locais, evidenciando a necessidade de ações conjuntas entre os diferentes atores do SUS.
O HTLV é um retrovírus sexualmente transmissível, mas que também tem como via importante de transmissão, a transmissão vertical (sobretudo durante a amamentação). Embora muitas o HTLV cause sinais e sintomas difíceis de serem reconhecidos como decorrentes da infecção, este vírus pode causar doenças neurológicas graves e tipos específicos de câncer. Apesar de não ter cura e não ter vacina, o HTLV tem prevenção e cuidado. A data de 23 de março, instituída como o Dia Nacional de Enfrentamento do HTLV, busca tirar o HTLV da invisibilidade, intensificar a conscientização, e contribuir para a redução de estigma e discriminação.