Pela primeira vez desde sua retomada, reunião da Cams ocorre em São Paulo
Além da reunião, foram realizadas oficinas para dialogar sobre hepatites virais, tuberculose e ISTs
Na última sexta-feira (10), ocorreu em São Paulo a 8ª reunião da Comissão de Articulação com os Movimentos Sociais em HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Cams). Essa é a primeira vez que o encontro ocorre fora de Brasília/DF, desde a retomada da Comissão em 2023, no início da atual gestão do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde (Dathi/SVSA/MS).
Durante a abertura, a secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, Mariângela Simão, ressaltou o compromisso do Governo Federal em trabalhar de forma conjunta com os movimentos sociais para trabalhar em soluções de forma conjunta. “Os ganhos que tivemos, em termos de saúde, como por exemplo a certificação da eliminação da transmissão vertical do HIV, não aconteceria sem as secretarias municipais de saúde e sem os movimentos sociais. É fruto de esforço coletivo dos brasileiros e das brasileiras”, afirmou.
Por sua vez, o diretor do Dathi, Draurio Barreira, destacou a relevância da pluralidade de representações sociais na Cams. “Nos lugares que não conseguimos chegar, enquanto Estado, os movimentos sociais alcançam. Essa parceria é fundamental para conseguirmos a eliminação dessas infecções e doenças enquanto problemas de saúde pública. Essa 8ª reunião ocorre em um contexto de muitos avanços tecnológicos. Temos as ferramentas e os insumos, mas precisamos trabalhar no acesso pelas populações que necessitam”, explicou.
A mesa de abertura também contou com a presença de Moysés Longuinho Toniolo de Souza, representando o Conselho Nacional de Saúde (CNS), Franklin Felix de Lima, assessor especial do Gabinete do Ministro do Ministério da Saúde, Liliana Cristina, representando o Fórum de ONG/Aids do Estado de São Paulo e Eduardo Barbosa, do Movimento Paulistano de Luta Contra Aids.
Atividades pré-Cams
Nos dias 8 e 9 de abril, também em São Paulo, o Dathi realizou oficinas como parte das atividades prévias à reunião da Cams. No primeiro dia, foram realizadas as oficinas Vigilância Popular em Saúde para a Eliminação das Hepatites Virais até 2030” e “Participação das Organizações da Sociedade Civil na implementação da 3ª fase do Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde Pública”.
Já no segundo dia, a conversa foi voltada para as infecções sexualmente transmissíveis com a realização da oficina “Conhecimentos e Práticas para Prevenção e Cuidado das IST”. Na ocasião, o médico infectologista Vinicius Borges, conhecido nas redes sociais como doutor Maravilha, esteve presente para tirar dúvidas dos membros da Cams sobre prevenção, tratamento, diagnóstico, entre outros assuntos.
Para Amaurí Lopes, representante da Rede Brasil da Pessoa Idosa Vivendo e Convivendo com HIV/Aids e outras Comorbidades (RBPI+), a Cams é um espaço importante para dialogar sobre as diferentes necessidades de pessoas vivendo com HIV. Segundo ele, as pessoas idosas, além de lidar com preconceito e estigma, precisam lidar com o etarismo. “Os mapas epidemiológicos demonstram que as pessoas idosas estão adoentadas, e muitas vezes nem sabe, como é no caso das hepatites que são silenciosas. Por isso, todos que estamos aqui precisamos levar essas informações para os nossos territórios”, afirmou.