Ministério da Saúde inicia implantação da vigilância das micoses endêmicas e oportunistas no Rio Grande do Norte

Oficina reúne gestores, pesquisadores e profissionais do Sistema Único de Saúde para qualificar a detecção, a notificação e o monitoramento dessas infecções no estado em Natal

Publicado em 09/04/2026 13:22
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Grupo de profissionais da saúde em pé, sorrindo

O Ministério da Saúde iniciou, nesta segunda-feira (6), em Natal, a implantação da Vigilância das Micoses Endêmicas e Oportunistas no Rio Grande do Norte. A ação, conduzida por técnicos do Ministério da Saúde, reúne representantes da gestão estadual e municipal, profissionais da assistência e das vigilâncias em saúde, além de pesquisadores para organizar fluxos de notificação, acompanhamento de casos, diagnóstico e acesso ao tratamento no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

A primeira atividade foi uma reunião de gestão com pontos focais estratégicos do estado. O encontro marcou o início de uma articulação integrada entre as vigilâncias epidemiológica, ambiental e de zoonoses, a assistência farmacêutica e a rede de atenção à saúde. Também participaram representantes das regionais de saúde e do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Norte (Cosems-RN), em uma estratégia para ampliar a circulação das informações e apoiar a implantação da vigilância de forma mais coordenada no território.

As atividades continuam nesta terça-feira (7), com apresentações sobre aspectos clínicos, epidemiológicos e de vigilância das micoses no Brasil e no estado. A programação inclui ainda aula prática sobre o registro e o acompanhamento de pessoas, além da gestão de medicamentos por meio da ferramenta Micosis. O objetivo é implantar a vigilância das micoses no estado e fortalecer a capacidade de detecção, notificação, investigação e monitoramento dessas infecções, com apoio à qualificação dos profissionais de saúde para o uso do sistema Micosis e para a adoção de respostas mais oportunas, integradas e eficazes no SUS.

Além disso, a iniciativa busca enfrentar um dos principais desafios relacionados a essas infecções: a ausência de notificação compulsória para a maior parte das micoses endêmicas e oportunistas no Brasil, com exceção da esporotricose humana. Sem dados consolidados, o país ainda tem limitações para dimensionar a ocorrência e o impacto dessas doenças. Nesse contexto, a implantação da vigilância específica e do sistema Micosis pretende fortalecer o monitoramento, produzir informações epidemiológicas e qualificar o cuidado ofertado no SUS.

Conforme a coordenadora-geral de Vigilância da Tuberculose, Micoses Endêmicas e Micobactérias Não Tuberculosas (CGTM) da pasta, nos últimos anos, o SUS ampliou a oferta de métodos diagnósticos e de medicamentos antifúngicos. “Com isso, a vigilância passou a ter papel estratégico para assegurar diagnóstico e tratamento em tempo oportuno, apoiar a tomada de decisão e fortalecer as ações de saúde pública”, afirma Fernanda Dockhorn.

A implantação do sistema conta com apoio da Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte, por meio do Programa Estadual de Controle da Tuberculose e do Programa de Vigilância de Epizootias, que atuam como pontos focais da organização da vigilância no estado e da realização do evento. Pesquisadores da região também participam da ação, com estudos e projetos sobre micoses, especialmente esporotricose, oferecendo suporte técnico e científico ao enfrentamento dessas doenças.

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Saúde e Vigilância Sanitária
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